Por Ascom/ Seduc
Fonte: Ascom/ Seduc
O Arquivo Público do Estado de Sergipe (APES), instituição vinculada à Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc) desenvolveu, nos últimos anos, uma série de ações que buscaram valorizar a história e a cultura do estado de Sergipe, gerindo a documentação proveniente da administração pública estadual e promovendo acesso à informação. Nesse sentido, enfatiza-se o trabalho técnico de conservação e organização de seus acervos, a promoção e participação em eventos e o desenvolvimento de projetos.
Sobre o processo técnico de tratamento dos acervos, destacam-se a limpeza e a troca de mais de 5.000 “pacotilhas”, nome dado aos invólucros da documentação. Também foi realizado levantamento dos documentos ainda não inventariados, abrigados em armários e caixas, sem nenhuma identificação. Esse material foi limpo, organizado e acondicionado em 253 caixas-arquivo. No desenvolvimento desse trabalho, alguns “tesouros” apareceram, a exemplo da documentação da Associação Sergipana de Prostitutas (ASP), contendo correspondências e ofícios trocados entre órgãos e organizações parceiras e a presidente da ASP, Maria Niziana Castelino “Candelária”, além de outros tipos documentais.
Também foi realizada a revisão e digitação de todos os instrumentos de pesquisa que, até então, eram datilografados, permitindo busca e acesso mais eficiente aos documentos, agora acessível por meios digitais.
Em relação ao processo de descrição arquivística, encontram-se em vias de finalização o “Inventário do Acervo Cartográfico” e o “Catálogo das Correspondências do Fundo Governo”. Também está sendo feito o levantamento da documentação administrativa do APES para a organização de um inventário. Este trabalho tem muito significado, visto que é bastante importante para um conhecimento mais aprofundado da história da instituição.
Paralelamente ao trabalho com os acervos, a equipe do APES organizou e participou de eventos, a exemplo da Semana Nacional de Arquivos, com programação local específica que contou com a participação de profissionais dos arquivos e áreas afins, de Sergipe e de outros estados. Também foram promovidas as comemorações de 98 e 99 anos do APES, homenageando, respectivamente, os diretores e os funcionários da instituição.
Centenário
Na programação do aniversário de 99 anos, em particular, houve o lançamento do Documentário “APES: 100 anos de memória, história e cultura”, produzido pela TV ALESE, em parceria com a Assessoria de Comunicação da Seduc (ASCOM/SEDUC), que rememora a história do APES e a trajetória percorrida pela instituição no processo de gestão e difusão da informação contida na documentação produzida pela administração pública estadual.
Já no toar da celebração dos 100 anos do APES, foram organizadas duas exposições – uma fixa nas dependências do APES e outra itinerante – com o objetivo de percorrer espaços da sociedade sergipana para tornar a história do APES mais conhecida e, consequentemente, criar um maior sentimento de pertencimento dos sergipanos para com a instituição e com a memória, a história e a cultura sergipanas.
Por fim, destacam-se os projetos desenvolvidos, em particular o “Projeto Arquivo, Memória e Arte”, e o projeto "A Escola vem ao Arquivo". O primeiro, realizado em maio de 2022, apresentou um panorama histórico do teatro em Sergipe por meio de debates e a divulgação da contribuição do APES na preservação do acervo de manifestações do teatro sergipano. Foi firmada parceria entre o APES e o Projeto “Teatral Serigy”, visando à preservação e à divulgação do acervo de peças teatrais criadas e encenadas por grupos sergipanos, integrado à coleção “Manifestações Culturais”, composta de peças da dramaturgia sergipana, cinema, letras de música e partituras musicais.
Escolas vão ao arquivo
O Projeto “A Escola vem ao Arquivo” tem por objetivo o desenvolvimento de ações pedagógicas prioritariamente com as escolas de educação básica da rede estadual de ensino, no sentido de fortalecer o papel do APES como mediador dos processos de valorização do exercício do direito ao acesso à informação, da identidade cultural, de conscientização da preservação patrimonial e da investigação científica. Ao todo foram promovidas 20 visitas de 15 instituições educacionais da rede pública, totalizando mais de 600 alunos e alunas atendidos em atividades pedagógicas desenvolvidas nas dependências do APES.
A diretora do Arquivo Público do Estado de Sergipe, Sayonara Rodrigues do Nascimento Santana, reafirma “o compromisso que o APES tem com o desenvolvimento de uma prática pedagógica efetiva, que ultrapassa a sala de aula e faz com que os alunos possam visualizar as realidades históricas e culturais do nosso estado e do nosso país, com um olhar voltado para a construção do conhecimento”, pontuou.
Como metodologia de trabalho para o desenvolvimento do projeto, foram adotadas duas perspectivas. A primeira, com a utilização de documentos do acervo arquivístico do APES, cujo objetivo é aproximar os estudantes das realidades históricas e sociais vividas por Sergipe ao longo dos anos. Um dos documentos trabalhados foi proveniente da Coleção “Escravos”, localizado no Acervo Geral (AG¹ 05), intitulado “Lista dos escravos classificados para serem libertados pelo Fundo de Emancipação” do município de Propriá, do ano de 1874. Essa atividade proporcionou uma reflexão sobre a história da escravidão em Sergipe e, particularmente, sobre a condição do escravizado na sociedade provincial. Ao estabelecer as conexões necessárias com a história nacional, são apresentadas as especificidades locais sem perder de vista a vinculação da realidade sergipana com a brasileira. A outra perspectiva de trabalho adotada remete ao patrimônio cultural de Sergipe, trazendo uma discussão sobre a noção de preservação, que se inicia pela realidade dos arquivos no nosso estado, a qual tem como maior exemplo o APES e a sua história, e perpassa as diversas instituições e manifestações culturais da nossa gente.
A técnica do APES Tatiana Sales pontua que e experiência desse projeto “é, além de pedagógica, política, e essa vivência leva a uma reflexão crítica sobre o que os documentos podem ‘falar’ sobre aspectos históricos e culturais do nosso estado e levar os estudantes a se reconhecerem nesses bens culturais, o que favorece e fortalece a atitude da preservação”.
O projeto ainda contribui para a formação em prática docente dos estagiários e estagiárias de cursos de Licenciatura que atuam no APES. Crislaine Santana, estagiária do APES e aluna do curso de História da Universidade Federal de Sergipe, destaca a importância do projeto como uma oportunidade para dar os primeiros passos na atuação docente: “o projeto me possibilitou obter mais confiança ao ministrar aula para os alunos. Essa vivência e essa troca com alunos e professores abrem novos caminhos”, afirma a estudante.
Jessica Luana de Jesus Costa, aluna do curso de Letras Espanhol da UFS e também estagiária do APES, afirma que o projeto foi de grande aprendizado, na medida em que proporcionou uma reflexão sobre a relação entre professor e aluno para além do ambiente escolar, contribuindo para o seu aprendizado interdisciplinar no tocante ao conhecimento arquivístico, à história de Sergipe e à prática pedagógica.
Como resultado, o que fica do projeto é a oportunidade que os alunos têm de refletir sobre as inúmeras práticas que podem e devem ser adotadas no cotidiano, tanto na escola quanto na vida, contribuindo para a construção de suas memórias educativas, no que concerne à importância de estar atentos ao mundo que os cerca, sendo protagonistas na preservação da memória presente nos diversos espaços por eles ocupados.
A diretora do Arquivo Público do Estado de Sergipe, Sayonara Rodrigues do Nascimento Santana, reitera que o projeto foi um sucesso, sendo desenvolvido como um protótipo no ano de 2022, mas com a perspectiva de que a ideia possa ser ampliada e desenvolvida nas próximas gestões, "alcançando escolas e DREs mais longínquas da capital, quer seja a Escola vindo ao Arquivo ou o Arquivo indo até a Escola”, afirmou.









