100% das metas: Pesquisa na Escola impulsiona protagonismo de estudantes na iniciação científica

Por Leonardo Tomaz
Fonte: Ascom/Secult

Continuando com a série "100% das metas cumpridas", a Secretaria de Estado da Educação traz o programa Pesquisa na Escola, uma marca da gestão Belivaldo e Josué no desenvolvimento da iniciação científica e incentivo à participação em feiras e eventos.

 

Com investimentos históricos, cujos valores superam os R$ 10 milhões, a rede estadual de Sergipe colocou as atividades de iniciação científica em outro patamar, impulsionando ainda mais o protagonismo dos estudantes envolvidos em 733 projetos financiados a partir do programa Pesquisa na Escola. Apoio à execução de projetos, oferta de bolsas, bem como a realização de feiras escolares e olimpíadas científicas são algumas das ações que podem ser viabilizadas pela iniciativa. Por meio desta estratégia, que tem ganhado força e, principalmente, adesão da comunidade escolar, os estudantes estão cada vez mais inseridos no mundo científico, cuja atuação transcende o conhecimento adquirido em sala de aula. 

 

Responsável pela gestão dos editais de apoio, o programa Pesquisa na Escola tem a finalidade de conceder auxílios e bolsas para financiar o desenvolvimento de projetos científicos, tecnológicos e de inovação na rede pública de ensino, como estimular a pesquisa e a produção científica,  incentivar a participação de estudantes em atividades, tais como feiras, olimpíadas e eventos, despertando o interesse por carreiras na área da ciência, além de impulsionar o desenvolvimento de soluções inovadoras.

 

Parceria consolidada entre a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc) e a Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação Tecnológica de Sergipe (Fapitec) garantiu o aporte de R$ 10.008.600,00 para as escolas. “Os projetos financiados abrangem todas as áreas científicas. São pesquisas construídas e executadas na perspectiva bibliográfica, documental, além das atividades de campo, laboratório e também quantitativa e qualitativa. Por meio dessa parceria já foram lançados 14 editais de apoio, mais o aporte de recursos por meio do Profin Projetos. Com essas duas iniciativas são mais de 733 projetos financiados”, detalhou o superintendente executivo de Educação, professor José Ricardo de Santana.

 

Criando e experimentando

 

Os projetos fomentados pelo Pesquisa na Escola alcançam 4.950 estudantes. Em Aracaju, no Colégio Estadual Professor Benedito de Oliveira, localizado no conjunto Orlando Dantas, a comunidade estudantil está bastante empolgada com o projeto Pomar Raiz. O coordenador da iniciativa, professor Valtenisson Oliveira, explicou que o projeto surgiu “com a perspectiva de se criar um pomar no ambiente escolar para que se tornasse um laboratório vivo para estudos, no qual toda a comunidade pudesse desenvolver diversas práticas. A partir daí, montamos um grupo de estudos e realizamos uma série de atividades programadas nas quais a bolsista de iniciação científica realiza a pesquisa cujo resultado é transformado em um produto pedagógico, como forma de publicizar esse conhecimento. Por exemplo, ela desenvolve vídeos, poemas, palestras, tudo a partir da pesquisa, que vai ser importante para o seu portfólio”.

 

O local escolhido para a instalação do pomar foi um espaço ao lado da escola, o qual tem um grande potencial de cultivo. Durante o processo, os alunos desenvolvem atividades de estudo e limpeza do solo, técnicas de cultivo e escolha das mudas. O professor Valtenisson de Oliveira explicou que o projeto também vai desenvolver a cultura da sustentabilidade. “Porque a cultura da sustentabilidade vai falar justamente que nós somos terra; nós somos água. A natureza faz parte da gente, e isso é o princípio básico da vida. Nós não somos seres isolados; somos seres em relações. Então eu acho que é importante frisar isso. E a comunidade em si participando, se organizando, acaba entendendo que o outro também faz parte dele, e aí se cria esse sentido de comunidade escolar”, disse.

 

Outra escola cuja rotina tem sido transformada é o Centro de Excelência Senador Gonçalo Rollemberg, em Japaratuba. Isso se deve ao projeto “Agora É Que São Elas! A importância da participação feminina na política como mecanismo para fortalecer a democracia e combater a violência de gênero”, orientado pela professora Karoline Ketilin Moura Souza. Por meio da iniciativa, que nasce como uma eletiva do ensino médio em tempo integral, os estudantes trabalham temas como empoderamento feminino, combate à violência de gênero e a importância da participação das mulheres na política para o fortalecimento da democracia. De acordo com a professora Karoline Ketilin, além de debater essas temáticas, os alunos estão se preparando para conhecer e entrevistar as mulheres que ocuparam cargos políticos nas duas últimas eleições no município de Japaratuba. “O objetivo é conhecer o caminho traçado por elas para alcançar tamanha representatividade, além de conhecer quais ações pautadas no combate à violência de gênero elas já propuseram e implementaram. A gente espera que os estudantes levantem proposições e elaborem sugestões de projetos de leis baseando-se nos problemas percebidos e discutidos ao longo da disciplina”, afirmou.

 

Outra linha de financiamento se dá por meio do Profin Projetos. Em 2022, foram financiados 304 projetos, cada um com R$ 5.000,00, os quais se destacam em diversas frentes, sejam elas culturais, esportivas, científicas, de impacto social, empreendedorismo etc. O investimento nessa ação alcança o valor de R$ 1.520.000,00. “É uma ação que estimula o professor a elaborar o projeto, incentiva o protagonismo dos estudantes, a participação ativa voltada para o conhecimento, observando as peculiaridades de cada unidade de ensino, respeitando o olhar dos professores, a forma que ele encontrou de aprimorar a ação docente dele, e a Seduc reconhece tudo isso, dando condição financeira para executar”, disse a diretora do Departamento de Apoio ao Sistema Educacional (Dase), professora Eliane Passos.

 

Feiras e Olimpíadas

 

Para o apoio de feiras escolares e olimpíadas científicas já foram lançados quatro editais. Algumas das iniciativas financiadas estão em plena execução, a exemplo da Olimpíada de Ciência da Natureza da DRE 1 (OCN), lançada em abril de 2022, com as provas aplicadas em agosto desse mesmo ano, em escolas públicas de 11 municípios do sul do estado. A iniciativa tem por objetivos envolver estudantes e professores na participação de uma atividade que estimule a curiosidade e o desafio do conhecimento; permitir aos estudantes aplicarem seus conhecimentos e suas habilidades; proporcionar desafios visando ao aprimoramento de suas formações; além de contribuir para a melhoria da qualidade da educação básica e promover a inclusão social por meio da difusão do conhecimento. 

 

Ao todo, mais de 4.100 estudantes se inscreveram na OCN da DRE 1. A professora Darcylaine Vieira Martins, do Colégio Estadual Dr. Garcia Filho, em Umbaúba, uma das coordenadoras do projeto, falou de como surgiu a ideia de promover uma olimpíada que abrangesse as escolas públicas do sul sergipano. “Nossos alunos sempre foram muito envolvidos em olimpíadas de conhecimento. Com a pandemia e adaptação das atividades online, eles perderam um pouco o entusiasmo. A partir daí eu e Márcia Beatriz resolvemos trazer esse entusiasmo de volta, fazendo com que eles participem da nossa própria olimpíada, voltada para a realidade do nosso aluno, totalmente presencial e com a expectativa de alcançar o maior número possível de estudantes”, salientou, informando que os alunos e professores destaques nesta edição serão premiados.

 

Políticas públicas em educação

 

O programa Pesquisa na Escola também alcança outros eixos de atuação, como o desenvolvimento de políticas públicas em educação, cujo propósito é contribuir para a análise, formulação e implementação de políticas públicas que venham a atender às demandas sociais e institucionais, de forma participativa entre instituições de ensino e pesquisa e Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura. Ao todo, 46 projetos foram contemplados no edital, os quais receberam valores entre R$ 5 mil e R$ 30 mil para fomentar as ações. Vale frisar que, das 46 propostas, 10 foram aprovadas como prioridade um, e 36 como prioridade dois. Das instituições com propostas aprovadas no edital, a Universidade Federal de Sergipe (UFS) se destaca com 40, seguida do Instituto de Tecnologia e Pesquisa, com cinco propostas, e a Academia Sergipana de Letras com uma. 

 

Sob a coordenação do professor de Psicologia Matheus Batalha, da Academia Sergipana de Letras, o projeto Pre-Texts, metodologia pedagógica que visa à promoção da cultura de paz nas escolas públicas, também é financiado pelo Programa Pesquisa na Escola. A proposta é reconhecida em 2017 como "Educação para a Paz" pela Unesco e empregada no seu programa "Promotores de Paz", e foi trabalhada por meio de oficinas com professores de duas escolas estaduais de Aracaju: Colégio Estadual Ivo do Prado e o Colégio Estadual Professora Maria das Graças Azevedo Melo. Trazida da Universidade de Harvard (EUA) para o Brasil, essa metodologia tem sido consagrada em diversos países da América Latina, América do Norte, Ásia e Europa.

 

“Essa é uma metodologia que envolve arte e educação e transforma a sala de aula em um fazer. O professor não apenas passa os conteúdos para os estudantes, mas também move os estudantes em torno dos conteúdos. É importante porque cria uma ponte entre dois mundos, entre uma tecnologia educacional feita em uma universidade de primeira linha e o nosso contexto, evidentemente adequando-se à nossa realidade”, disse Matheus Batalha, informando que a ação tem como principal meta treinar 25 professores de escolas públicas estaduais na metodologia Pre-Texts. 

 

Mais incentivos

 

Compondo o conjunto de ações do programa Pesquisa na Escola, foi lançado ainda o edital (nº 15/2022) de auxílio para participação em olimpíadas científicas nacionais para estudantes e professores da Rede Pública, sediados em Sergipe, e que tenham sido aprovados para participarem da etapa nacional. O objetivo principal é fomentar a participação de docentes e alunos na prática de pesquisas de cunho interdisciplinar e de empreendedorismo, em olimpíadas científicas nacionais, sempre com um olhar para o desenvolvimento da cultura, fortalecendo o processo de inovação, de geração de conhecimentos, parcerias e produtos. 

 

Segundo o diretor presidente da Fapitec, Ronaldo Guimarães, esse é um edital de oportunidade para os estudantes em Sergipe. “Mais um edital importantíssimo da parceria entre a Sedetec, a Fapitec e a Seduc. A gente fecha o exercício do ano de 2022 com o lançamento desse 16º edital, gerando oportunidade para os nossos alunos da Rede Pública de ensino, a fim de que eles mostrem sua capacidade para todo o Brasil. A gente fica muito feliz com mais essa oportunidade”, declarou. 

 

Para o superintendente executivo da Seduc, Ricardo Santana, essa é mais uma ação em prol da educação dos alunos da Rede Pública do Estado. “O edital aberto é mais um passo para motivar as escolas e os alunos na intensificação de aprendizagem, por meio dos estudos para as olimpíadas científicas. Nós temos hoje cerca de 19 olimpíadas, algumas delas em etapas estadual, regional e nacional. Portanto, além de motivar as escolas, o edital dá uma segurança para essas equipes porque elas sabem que ao serem aprovadas, podem seguir adiante”, finalizou.

 

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