Por Leonardo Tomaz
Fonte: Ascom/ Seduc
O lançamento do material foi realizado durante programação do “Projeto Arquivo, Memória e Arte”, em comemoração aos 99 anos da instituição
A história documentada da dramaturgia sergipana já pode ser consultada no Arquivo Público de Sergipe (Apes). A disponibilização do material é resultado de parceria entre a instituição com o projeto Teatral Serigy, responsável pela organização dos documentos, cuja proposta foi viabilizada pela Lei Aldir Blanc. A cooperação foi celebrada nesta quinta-feira, 5, dentro da programação do “Projeto Arquivo, Memória e Arte”, que tem como objetivos apresentar um panorama histórico do teatro em Sergipe por meio de debates e divulgar a contribuição do Apes na preservação do acervo, além de iniciar as comemorações dos 99 anos do arquivo.
Desenvolvido por Virgínia Lúcia da Fonseca Menezes, que é autora Teatral, professora de arte e consultora de arte, cultura e economia criativa, a iniciativa intitulada Teatral Serigy é um projeto de promoção da memória da dramaturgia sergipana, com a catalogação e divulgação de 200 peças teatrais criadas em Sergipe, no período de 1950 a 2020, tendo como ponto de partida a obra “O homem que perdeu a fé”, escrito em 1952 por Paulo Barreto, criador do Cine-Teatro Rio Branco, na capital Sergipana em 1904, juntamente com seu irmão, Juca Barreto.
Para a diretora do Arquivo Público de Sergipe, professora Sayonara Rodrigues, a celebração da parceria é um marco para a instituição. “O teatro sergipano tem muita história para contar. São muitos anos de força e dedicação por uma causa que envolve personagens, cenários, vivências, formas de expressão que ficaram gravadas na memória daqueles que experimentaram o poder educativo de formador que o teatro tem. Ao longo dessa semana, nós aqui do Apes respiramos teatro. Desde o dia em que Virgínia da Fonseca me procurou com a intenção de salvaguardar os documentos do Teatral Serigy, boa parte do nosso tempo foi dedicado a discussões sobre como organizar, acondicionar e disponibilizar as peças teatrais, visando a tornar o rico acervo da dramaturgia sergipana o mais inteligente e acessível possível a toda sociedade sergipano”.
“Nessa conjuntura, é com grande júbilo que o Arquivo Público de Sergipe vem celebrar esse momento tão importante, pioneiro na história dos arquivos públicos do Brasil, que é justamente abrigar documentos produzidos pela dramaturgia sergipana. Oficialmente a gente guarda documentos provenientes da administração pública estadual, só que o Apes não é somente uma casa de memória; é também uma casa de cultura. Então, na nossa gestão, estamos fomentando esse lado cultural para aproximá-lo da sociedade sergipana e trazê-la para conhecer nossa casa”, disse ela, enfatizando que o momento faz parte da celebração do aniversário do Arquivo Público, que comemora 99 anos no dia 15 de outubro, além do bicentenário da Independência do Brasil.
A coordenadora do projeto Teatral Serigy, Virgínia Lúcia da Fonseca, falou da importância da parceria com o Arquivo Público como guardião do material, que, para ela, é um ato de resistência. “Essa produção é a história humana e a referência que podemos deixar para quem vem depois, porque um povo sem memória é um povo sem alma; é a barbárie. Isso aqui hoje é um dos maiores atos de resistência que pode existir no Brasil, que é reverenciar os ancestrais, os que vêm antes, e a construção poética do nosso território. Estamos diante dessa grande obra, e ela é coletiva e traz a soma da responsabilidade dos gestores da cultura. Mesmo ainda num momento tão adverso, mesmo cambaleante, mas nunca no chão, essa cultura se ergue”.
Segundo o presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de Sergipe (Sated/SE), Ivo Adnil, a preocupação do Arquivo Público em salvaguardar esse material reverencia não só a história do teatro, mas também toda a sociedade sergipana, seja ela da área acadêmica sejam os demais interessados no assunto, os quais poderão acessar um riquíssimo acervo, “cujas informações serão analisadas, estudadas, porque até então não existiam aqui no nosso estado. O Apes está de parabéns por ser essa instituição reconhecida pela nossa sociedade, pelo povo, como zeladora dessas memórias e que estarão bem guardadas e com essa disponibilidade para as próximas gerações”, declarou.
A programação
Durante o evento também foi realizada uma intervenção artística do poema “O Menestrel”, por Roze Prata, aluna-atriz da oficina Princípios Básicos da Arte Dramática (Iniciação Teatral Para Adultos), ministrada pelo Professor Raimundo Venâncio, da Escola Oficina de Arte Valdice Teles – Funcaju; e a mesa-redonda: Encontro com a Dramaturgia Sergipana, com os debatedores: Virgínia Lúcia da Fonseca Menezes, autora teatral, professora de arte e consultora de arte, cultura e economia criativa; e Euler Lopes, diretor e dramaturgo do Grupo de Teatro “A Tua Lona” e dramaturgo da Cia. de Arte Alese. O professor Lucas Wendel Silva Santos (DTE/UFS) mediou o debate. A programação contou com duas lives que podem ser acessadas no YouTube da Educação Sergipe.







