Alunos da rede pública estadual usam a robótica para resolver desafios da vida real

Por Michele Becker
Fonte: Ascom/ Seduc

 

Na Sala Maker do Colégio Estadual Jornalista Paulo Costa, de forma empírica e sistêmica, a prática alimenta a teoria e vice-versa, uma vez que se estudam fatos por meio das experiências vividas e presenciadas, para assim se obterem conclusões científicas e tecnológicas

 

Integrantes da Sala Maker do Colégio Estadual Jornalista Paulo Costa, no Bugio, em Aracaju, confirmam na prática a viabilidade de atrelar o uso de tecnologias à sustentabilidade do planeta. Mediante um projeto de iniciação científica e tecnológica, os alunos desenvolvem um dispositivo robótico para irrigação automatizada que deverá monitorar, por meio de sensores, a umidade do solo, a temperatura e a intensidade da chuva na horta pedagógica da escola.

 

De acordo com o professor responsável pela Sala Maker, Flávio Gilberto, o projeto de hortas pedagógicas e demais projetos de educação ambiental que são realizados no estabelecimento de ensino permitem o debate e a problematização dos estudantes sobre diversos temas, dentre eles o uso racional da água na produção de alimentos. “O objetivo do projeto, portanto, é evitar o desperdício de água, especificamente no cultivo de alimentos. Para tanto, os alunos questionaram a possibilidade de utilizar as atividades ‘mão na massa’, somadas ao uso de softwares de programação e da impressão 3D para simular soluções que minimizem os impactos no uso de recursos naturais”, comenta.

 

Nesse processo pedagógico, compreender que a robótica vai além da programação significa a possibilidade de conectar suas múltiplas vertentes com diferentes temas. A aprendizagem da programação é uma das abordagens possíveis, de grande importância, mas não é a única. A robótica é uma ferramenta de ensino, uma metodologia riquíssima, que possibilita diferentes enfoques, inclusive a interdisciplinaridade.

 

“O dispositivo robótico para irrigação automatizada encontra-se na fase de testes e deve levar cerca de dois a três meses para ficar pronto. Na fase seguinte, os alunos vão trabalhar o design do produto final nas disciplinas de modelagem e impressão 3D, lembrando que as impressoras foram desenvolvidas por eles. Na sequência, eles terão que compreender a necessidade hídrica das hortaliças e legumes escolhidos para programar o dispositivo de maneira adequada para cada espécie a ser cultivada na horta pedagógica. Nessa etapa será importante incorporar conhecimentos de química e biologia ao projeto. Por fim, após implementar a irrigação automatizada na horta, os estudantes vão coletar e analisar os resultados obtidos com o experimento, para então inscrever o trabalho para apresentação em feiras científicas e tecnológicas. É assim que se faz ciência e se desenvolve tecnologia e inovação! ”, reforça o educador.

 

O professor pondera ainda que o trabalho por meio de projetos com uma abordagem integral, juntamente com a proposição de temas contemporâneos, ajuda a promover a participação efetiva dos estudantes. Ao estimular a resolução de problemas no contexto real, os alunos também desenvolvem competências e habilidades importantes para a cidadania. “A partir de projetos como este, os alunos da Sala Maker compreendem que eles não são apenas consumidores de tecnologia. Eles aprendem a usar a tecnologia para criar soluções aos problemas que atingem a sociedade como um todo”, destaca Flávio.

Hortas Pedagógicas

 

O projeto ‘Hortas Pedagógicas’ conta com recursos do Programa de Transferência de Recursos Financeiros Diretamente às Escolas Públicas Estaduais (Profin), na ordem de R$ 5 mil, e está sendo executado em parceria com o Instituto Federal de Sergipe (IFS), com recursos oriundos do Ministério da Cidadania.

 

Segundo a diretora Deise Nascimento, o objetivo do projeto é construir no ambiente escolar um espaço que proporcione aos alunos, professores, servidores e comunidade do entorno a possibilidade de estudar e aprender por meio do plantio e do cuidado com o solo e as plantas. “A nossa escola é acolhedora! Por isso, queríamos desenvolver um projeto que pudesse contribuir com a formação pedagógica de alunos e professores; além disso, queríamos que trouxesse uma mudança de paradigma em relação aos hábitos alimentares da comunidade escolar e também incluísse todos aqueles que têm interesse em trabalhar com a terra e com a produção de alimentos saudáveis”, comenta a gestora.

 

Para a coordenadora geral do projeto e diretora do IFS Poço Redondo, Irinéia Rosa do Nascimento, o fator preponderante das hortas pedagógicas é que “todos os professores podem utilizar deste espaço para práticas escolares, e com o emprego de técnicas agroecológicas de manejo do solo e das plantas, podem ainda estimular os alunos e a comunidade escolar em geral a produzir e consumir alimentos mais saudáveis, com respeito ao meio ambiente” conclui.

 

Profin Projetos 2023

 

Para a felicidade de todos – começando pelos gestores, passando pelos professores e chegando nos alunos e conselho escolar-, a Sala Maker há de ter vida longa. Pelo menos é isso que indica o resultado da seleção do Profin Projetos para 2023, divulgado pela Secretaria de Estado da Educação e da Cultura (Seduc) no mês de junho. Conforme a relação de projetos contemplados, o Colégio Estadual Jornalista Paulo Costa receberá recursos na ordem de R$ 10 mil, dos quais R$5 mil serão destinados à Sala Maker e outros R$ 5 mil ao projeto Esporte e Inclusão. 

 

O objetivo do Programa é prestar assistência financeira suplementar às escolas públicas da educação básica da rede estadual em Sergipe, a fim de promover melhorias em sua infraestrutura física e pedagógica, com vistas a garantir o acesso, a permanência e a aprendizagem de todos os estudantes, por meio do compromisso com o desenvolvimento de uma escola voltada para a formação cidadã, a efetividade, a democratização de políticas públicas inclusivas de educação, esporte, lazer, juventude e cultura, assim como fortalecer a participação da comunidade e a autogestão escolar.

Notícias Anteriores