Por Ítalo Marcos
Fonte: Ascom/ Seduc
O Centro de Excelência Profissionalizante Neuzice Barreto, em Nossa Senhora do Socorro, foi palco na manhã desta quarta-feira, 13, de uma série de manifestações artísticas. Isso porque os mais de 480 alunos do ensino médio em tempo integral participaram do projeto “Olhares Modernos, porque toda semana é semana de 22”, uma iniciativa que nasceu junto com os professores da área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. A ação teve como principal objetivo promover uma releitura da Semana de Arte Moderna, ocorrida em São Paulo entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal da cidade.
De acordo com a diretora Cláudia Valéria, para a concretização do projeto, a unidade de ensino contou com o auxílio de verba estadual, no valor de R$ 5 mil, oriundos do Programa de Transferência de Recursos Financeiros Diretamente às Escolas Públicas Estaduais (Profin). “O projeto foi aprovado e custeado pelo Profin, e agora estamos executando. Foi de extrema importância esse incentivo dado para a escola, para que pudéssemos desenvolvê-lo. Esta é uma ação que foi trabalhada durante os meses de março a maio. Nesse projeto cultural, cada aluno e cada equipe conseguiram desenvolver as suas atividades e hoje podemos ver aqui projetos maravilhosos”, disse.
A releitura da Semana de Arte Moderna contou com diversas manifestações culturais e artísticas apresentadas pelos alunos. Música, teatro, dança, poesia, pintura, escultura são apenas alguns exemplos do que podia ser visto. Tudo foi apresentado simultaneamente, em quatro espaços diferenciados, para que os visitantes e a comunidade escolar pudessem prestigiar. Segundo a professora de Artes, Caroline Loureiro, os estudantes tiveram toda a liberdade de criar os próprios projetos artísticos. “Temos aqui a perspectiva do conhecimento sobre a Semana da Arte Moderna, o que ela representou. E nessa vivência, os alunos estão construindo o próprio material artístico. Além de estarem usando de fruição, quando assistem os outros e participam, eles também puderam trabalhar e desenvolver o senso crítico e estético, além de trazer a importância da Semana de Arte Moderna”, explicou.
Já o professor Thiago Domingos Freire, de Língua Inglesa, ressaltou que os alunos do Neuzice Barreto têm uma tendência muito forte para as artes, e daí se originou a ideia de recriar a Semana de Arte Moderna. “Ninguém consegue viver sem arte, que é a nossa válvula de escape para muitas situações. A nossa ideia era deixar livre para que os alunos pudessem criar o que eles quisessem, se sentindo à vontade para extravasar. O contexto da pandemia, que nós vivenciamos, acabou aumentando as situações de estresse e problemas psicológicos. Através desse projeto, os alunos puderam colocar para fora o seu lado artístico. Eles conseguiram se expressar sobre o que vêm acumulando há muito tempo”, afirmou.
Apresentações e exposições
No hall de entrada do Centro de Excelência Profissionalizante Neuzice Barreto, os visitantes se deparavam com releituras de obras da pintora Anita Malfatti. Em um outro corredor, as exposições eram sobre obras recriadas de Tarsila do Amaral. Havia também exposições sobre a beleza negra, fotografias e desenhos. Na área do refeitório estavam dispostas algumas esculturas, como uma releitura da pintura “Abaporu”, de Tarsila do Amaral, entre outras. Já na biblioteca, as alunas criaram um espaço com a temática do empoderamento feminino, com questionamentos sobre estereótipos, violência contra a mulher, e mostrando como a mulher moderna começou a ser mais evidente na arte. Em um outro local, os estudantes criaram um museu, onde era possível ver fotos e pinturas sobre artistas da Semana de Arte Moderna. Todas as formas de expressão artística foram produzidas pelos próprios alunos.
Simultaneamente às exposições, os visitantes e a comunidade escolar puderam assistir, no auditório da unidade de ensino, as releituras cênicas, com apresentações de dança, música, teatro e declamação de poesias. Um dos primeiros a participar foi o jovem Luiz Guilherme, do 1º ano, fez apresentação de dança e arrancou aplausos da plateia. “Fiquei bastante nervoso, pois a minha coreografia foi totalmente espontânea, criada na hora da apresentação. Estou muito feliz em participar”, disse.
A estudante Layane Nunes da Silva, do 3º ano, participou na área do museu, onde explicou aos colegas visitantes mais informações sobre a temática do evento. “A Semana de Arte Moderna veio para quebrar os paradigmas do que era obra antigamente. Eles quiseram causar um verdadeiro impacto. Agora em 2022 este evento completa 100 anos, e nós quisemos recriar um pouco do que foi aquele momento histórico. Nós fomos protagonistas, mas também tivemos o auxílio dos professores. Fizemos tudo de forma muito unida e a gente amou fazer essa releitura”, declarou.
Uma das apresentações teatrais foi a peça “A Semana de 22”, na qual o aluno Arthur dos Anjos Santos, do 3º ano, fez o papel do poeta e escritor Oswald de Andrade. Ele também foi o roteirista da encenação. “Os professores nos deram a liberdade de fazer o que já estava pronto ou de recriar. Conversamos com os colegas e optamos pelo teatro. É sempre bom vermos a diversidade artística, porque na escola em tempo integral, junto com os cursos técnicos, a gente sempre acaba tendo muitas atividades e provas. Então momentos como esse de hoje é quando a gente descobre talentos que não imaginávamos, como o teatro, a dança, a poesia”, disse.
Opinião semelhante teve a sua colega Nathália Maria, que também participou da peça. “A gente tem a consciência de que o nosso país teve uma história tão linda e que repercutiu na arte. Tivemos exemplos muito bonitos na Semana de Arte Moderna, artistas que são exemplos para nós. Escolhemos apresentar o teatro para revivermos esse momento e senti-lo na pele”, afirmou.






















