Alunos do Nelson Mandela participam de oficina de Literatura de Cordel

Por Avelar Matos
Fonte: ASCOM / SEED

 

Evento, que faz parte do projeto Ler e Conhecer o Mundo, teve a participação do cantor, poeta e cordelista Chiquinho do Além Mar

 

Por Avelar Mattos

 

Os alunos do Colégio Estadual Presidente Nelson Mandela receberam uma visita especial na tarde desta terça-feira, 18: o cantor, poeta e cordelista Chiquinho do Além Mar. Dentro do Projeto Ler e Conhecer o Mundo, que incentiva à prática da leitura, o artista recitou versos de poemas populares, conversou com os alunos e falou sobre a importância de preservar as tradições literárias regionais e do folclore brasileiro.

 

"Venho fazendo esse trabalho de formiguinha com os alunos da rede pública. É uma missão que realizo de coração para que os alunos conheçam, pesquisem, estudem e preservem a literatura de cordel e a história de Sergipe", disse Além Mar.

 

Além de cantor, poeta e cordelista, Chiquinho do Além Mar é professor de Letras –  Português e Inglês. Ele tem também uma banda de forró pé de serra. Por quase duas horas, ele conversou com os alunos em sala de aula.

 

 "Mostrei para eles os estilos de rimas que existem na literatura de cordel: sextilha, décima, métrica e martelo agalopado. Falei também sobre a diferença entre eles; a questão da rima e da semântica. O cordel é um gênero literário que tem regras, por isso procurei explicar para os alunos", disse.

 

Cordel e repente


O cordelista disse para os alunos do Nelson Mandela que nem todo repentista é cordelista. "As pessoas confundem o repente do cordel. O cordel é um gênero e o repente é outro. Nem todo repentista é cordelista e nem cordelista é repentista, mas alguns cordelistas são repentistas, como por exemplo, Pedro Amaro do Nascimento e Damião Ramos. O cordel é uma prática escrita e o repente é cantada com viola", explicou.

 

Dentre os trabalhos de Chiquinho do Além Mar, destacam-se as obras: "João Bebe-Água – o rebelde de São Cristóvão; o Bispo Arthur do Rosário; A História de Sergipe Contada em Versos e Aracaju, Passado, Presente e Futuro, que acaba de ser lançada.

 

Projeto


A professora Jeane Caldas Hora, idealizadora do projeto, fez questão de enfatizar que o cantor e cordelista Chiquinho do Além Mar, não cobrou nenhum cachê para se apresentar no Colégio Presidente Nelson Mandela. "Ele é um artista sergipano de muito talento. Chiquinho tem obras voltadas para os aspectos históricos e culturais de Sergipe. Recebê-lo em nosso colégio foi uma honra para todos nós que fazemos parte do Nelson Mandela", disse Hora.

 

De acordo com a professora, o projeto Ler e Conhecer o Mundo, idealizado por ela e pela professora Luzinete Rocha, tem por objetivo incentivar os alunos à prática da leitura. Ela lembrou que cerca de 100 livros, entre romances nacionais e universalistas, estão à disposição dos alunos da rede estadual de ensino.

 

"Por meio desse projeto, pretendemos também descobrir novos talentos entre as crianças e adolescentes", disse. Participam do projeto alunos do 8º e 9º anos e do 1º ano do nível médio.

 

Oficina


A oficina de Literatura de Cordel acontecer na terça-feira, 18 e quarta-feira, 19, das 14h às 16h com a participação de 30 alunos e oito mediadores de leitura.

 

Os alunos participaram ativamente da aula do professor e cordelista Chiquinho do Além Mar. "Sempre tive curiosidade de saber mais sobre o cordel. A partir de agora, irei procurar aprofundar na pesquisa, principalmente as questões artísticas e culturais de Sergipe", disse o aluno Rodrigo da Rocha.

 

Já o aluno José Victor de Araújo, revelou que já compôs duas letras de músicas e que agora vai arriscar alguns versos do cordel. "Muito interessante a palestra do Chiquinho do Alemar. Devemos fazer de tudo para preservar a literatura de cordel em nosso estado", opinou.

 

Cordel


Literatura de cordel também conhecida como folheto, é um gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originando em relatos orais e depois impresso em folhetos. O nome tem origem na forma como tradicionalmente os folhetos eram expostos para venda, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes em Portugal.

 

No nordeste do Brasil o nome foi herdado, mas a tradição do barbante não se perpetuou: o folheto brasileiro pode ou não estar exposto em barbantes. Alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, também usadas nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola.

 

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