Por Ítalo Marcos
Fonte: Ascom/ Seduc
Dando continuidade ao ciclo de debates sobre o bicentenário da Independência do Brasil, o Arquivo Público do Estado de Sergipe (Apes), autarquia vinculada à Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc), promoveu na última terça-feira, 26, o segundo encontro virtual com a palestra “Os povos indígenas no Brasil independente: Genocídio e (RE) existência ”, com a participação do professor Ivanilson Martins (Universidade Federal de Alagoas) e da professora Valéria Maria Santana Oliveira (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe). O encontro virtual foi mediado pela técnica do Apes, Tatiana Sales, e a abertura foi feita pela diretora do Apes, Sayonara Rodrigues do Nascimento Santana. O debate foi transmitido pelo canal do YouTube da Educação Sergipe, ainda disponível para acesso.
O ciclo de debates tem como objetivo refletir sobre o processo histórico, social, político e cultural da Independência do Brasil, os seus 200 anos, as rupturas e continuidades desse processo, a participação dos grupos sociais que compõem o território brasileiro e, não menos importante, a imprescindibilidade dos acervos arquivísticos públicos como interlocutores não somente da garantia de contribuir com a administração pública e na defesa de direitos, mas também na história, memória e cultura de uma nação. Ao todo, cinco encontros virtuais irão compor a programação em celebração aos 200 anos da Independência do Brasil.
A diretora do Apes, Sayonara Rodrigues, destacou que o Arquivo Público de Sergipe está completando 99 anos de existência e em contagem regressiva para o seu centenário. Diante disso, uma das estratégias para este ano de 2022 é a realização desse ciclo de debates alusivo ao bicentenário da Independência do Brasil. “Estamos lançando um outro olhar sobre o processo de independência. As mulheres, os povos indígenas e a população negra vão ter um papel fundamental e de destaque nessas abordagens que iremos fazer. Esse ciclo de debates também abre espaço para a discussão sobre o papel dos arquivos na administração pública brasileira. O Apes também tem esse papel de fomentar essas reflexões”, afirmou.
O professor Ivanilson Santana, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), que é indígena Xokó, contribuiu com o debate, trazendo uma narrativa explicando que é preciso colocar aspas na palavra independência, quando se refere a esse momento histórico que teve início em 7 de setembro de 1822. “Pensar no bicentenário da independência é também lembrar os ataques que nós, povos indígenas, sofremos ao longo da história; sobretudo no que diz respeito aos nossos territórios e nossas memórias. É preciso voltar no tempo e ver que os povos indígenas tiveram uma atuação muito importante para que o Brasil se posicionasse como um país independente”, disse.
Já a professora Valéria Maria Santana Oliveira, do IFS, a qual está lançando um livro resultado de sua tese de doutorado, destacou que a sua participação no debate é no sentido de contribuir com a causa, mas que a cultura do povo Xokó e a dos povos indígenas é que devem ser os protagonistas e merecem ficar em evidência. Ela falou ainda que é preciso refletir sobre como os povos nativos, que já estavam no Brasil antes da chegada dos colonizadores, foram vistos ao longo desses 200 anos de independência. “Existem diversos aspectos que a gente precisa discutir, desaprender para aprender novamente de uma outra forma. Os povos indígenas continuam resistindo e lutando pelo seu reconhecimento”, disse a professora, explicando ainda que existem diversas formas mais amplas de resistência dos indígenas, a exemplo do caráter educativo, com a transmissão da cultura e da sua identidade.
A professora também incentivou os professores e pesquisadores a buscarem as obras elaboradas pelos próprios indígenas, para que entendam a história do ponto de vista deles. “É preciso que o máximo de pessoas tenha acesso a esses conhecimentos”, declarou. Ao fim do debate o espaço foi aperto para perguntas e troca de conhecimentos entre os participantes.
Programação
A primeira palestra virtual do ciclo de debates teve como tema “O protagonismo feminino no Brasil ’independente’”. No dia 25 de maio as atividades seguem com o debate sobre “A população negra e o Bicentenário da Independência”. Em junho, no dia 21, o evento terá como tema o “Passado, presente e futuro dos arquivos nos 200 anos da administração pública brasileira: preservação e acesso à informação”. A programação será concluída no dia 6 de setembro com a palestra da professora doutora Lilia Moritz Schwarcz (USP), historiadora e antropóloga. O evento vai conceder certificação de participação de 10h. As inscrições podem ser feitas no AVA Seduc: capacitacao.seduc-prod.seduc.se.gov.br
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