Centro de Excelência 27 de Maio comemora o dia em que a comunidade Mocambo foi reconhecida quilombola

Por Silvio Oliveira
Fonte: Ascom/ Seduc

 

O evento marcou a data com danças, comidas típicas e exposições envolvendo a comunidade

 

O Centro de Excelência Quilombola 27 de Maio, localizado no povoado Mocambo, em Porto da Folha, realizou neste sábado, 27, um encontro com a comunidade para celebrar juntos a história de luta, a cultura e a sobrevivência. A escola reuniu os professores, alunos e pais de alunos em torno das danças, da culinária, da religiosidade e de uma exposição que resgata a história da escola junto à comunidade.

 

“Nesta data de suma importância para a comunidade Quilombola, data de reconhecimento do Mocambo como comunidade remanescentes de quilombolas, todos os anos resgatamos tradições que com o passar do tempo ficaram esquecidas ou pouco conhecidas pelos mais jovens. Além do resgate cultural, o projeto visa a uma interação maior entre comunidade e escola, objetivando identificar como a cultura quilombola está presente no nosso cotidiano por meio de músicas, comidas, língua e religião”, explica o diretor Lucivan Souza dos Santos.

 

Os trabalhos apresentados fazem parte de um projeto macro desenvolvido ao longo de todo o calendário letivo como “O legado de um professor [que] jamais poderá ser apagado”, tema este que trabalhou desde o primeiro professor a deixar sua contribuição na comunidade até os docentes dos dias atuais. Esse trabalho foi desenvolvido pelos alunos do Fundamental inicial – 1º ao 5º ano.

 

Um outro trabalho apresentado no sábado foi a “Trajetória dos coordenadores da Associação Quilombola do Mocambo” pelos alunos do Fundamental final – 6º ano 9º ano.

 

A primeira série do Ensino Médio Integral ficou com o tema “A história da religiosidade no quilombo Mocambo”. A segunda série do Ensino Médio apresentou “Integral deu continuidade ao projeto – Vidas quilombolas”, projeto este que foi apresentado na Cienart 2022. E por último, a terceira série do Ensino Médio desenvolveu o tema “Culinária e ervas medicinais: cozinhando através da memória dos nossos ancestrais”.

 

Resgate das tradições

 

Além da exposição de trabalhos dos alunos, também aconteceram apresentações como samba de coco-mirim, esquete teatral “Mocambo, o fruto da luta”; peça teatral “Raízes nordestinas”, do município de Poço Redondo/SE; turma de percussão e sanfona da Escola Popular Recanto Musical do Sertão.

 

“O projeto 27 de Maio, além de contemplar os documentos que regem a educação quilombola, proporciona uma interação maior entre comunidade e escola, além de trabalharmos em todas as disciplinas as especificidades inerentes no quilombo Mocambo, como elementos geográficos, socioeconômicos e culturais. Conhecer e desenvolver nos alunos o conhecimento da história do primeiro quilombo reconhecido e titulado do estado de Sergipe é um dos objetivos do nosso projeto”, destaca Lucivan Souza.

 

A professora de História, Maria Nazaré Acácio dos Santos, que também é quilombola, afirma que o projeto trabalha o dia memorável para o território quilombola Mocambo. “Conquistar um território é um grande marco para o Quilombo Mocambo e para o Centro de Excelência Quilombola 27 de Maio, que não recebeu esse nome por acaso. Sintam a alegria que estamos sentindo em propagarmos nossa cultura além do estado de Sergipe”, disse.

 

História

 

Segundo o Incra, Sergipe possui 32 comunidades remanescentes de quilombolas, com 5.438 famílias cadastradas e autorreconhecidas como remanescentes dentre as quais quatro delas foram as primeiras a serem tituladas: o Mocambo (Porto da Folha), Serra dos Campinhos (Telha), Pirangi (Capela) e Serra da Guia (Poço Redondo).

 

O Mocambo é a primeira comunidade quilombola de Sergipe reconhecida e titulada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no ano de 2000. Com um vasto contexto histórico de lutas, a região do Mocambo traz um legado de refugiados escravizados, negros livres e libertos, pardos e grupos indígenas Xokó. Hoje, vivem na comunidade cerca de 200 famílias que compartilham uma longa trajetória de resistência.

 

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