Por Arthur Dias/ Estagiário
Fonte: Ascom/ Seduc
Ação faz parte do projeto “Bullying no Ivo: entre cores e gêneros”, um dos aprovados no Profin Projetos 2023
O Colégio Estadual Ivo do Prado, localizado no município de Aracaju, deu continuidade à iniciativa aprovada no Profin Projetos no ano de 2023. Com o objetivo de combater o racismo e promover debates sobre a diversidade em seu ambiente escolar, o projeto ‘Bullying no Ivo: entre cores e gêneros’ promoveu a terceira das onze ações programadas para o restante do semestre letivo. Trata-se da oficina ‘Produzindo Abayomis para contação de histórias da vida do povo negro’, ocorrida no miniauditório do colégio. Para isto, foram chamadas duas especialistas no assunto, a professora Dra.Maria Batista Lima, membro do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi/UFS), e a professora Tânia Maria de Lima, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).
As palestrantes vieram não somente para tratar da produção das bonecas Abayomis, mas também para contar a suas origens, narrativas de identidade e a importância de se aprender sobre a cultura afro-brasileira. As ações são coordenadas por Everaldo Freire, coordenador tanto do projeto ‘Bullying no Ivo’, quanto do colégio. Cerca de 40 alunos do Ensino Fundamental II estiveram reunidos para ouvir os ensinamentos das professoras convidadas, que deram aula de conhecimento, tendo como gancho principal fazer com que os estudantes aprendessem, a partir da produção das bonecas Abayomis, sobre a cultura do povo negro.
Responsável pela parte mais técnica da oficina, a professora Tânia Maria de Lima discutiu o significado e o propósito das bonecas Abayomis produzidas em oficinas educativas ao enfatizar a importância dessas criações na construção da identidade negra. Ela destacou que as bonecas não são meros artesanatos, mas ferramentas pedagógicas usadas para produzir narrativas e promover a valorização da identidade negra.
“Na primeira parte, cortamos o tecido que montará a boneca a partir de duas tiras, dois retângulos. A Abayomi não tem costura, não tem olhos, porque é feita para representar identidades de diferentes pessoas, de diferentes nações. Não trabalhamos com agulhas, mas sim com nós e laços. A partir desses nozinhos, construímos essa boneca e damos nossa identidade, adicionando retalhos para realçar a boneca e reutilizar os retalhos que seriam posteriormente descartados”, explicou Tânia. ‘A Abayomi vai muito além disso. Ela significa ‘encontro precioso’, sinônimo de emoção, de identidade”, complementou.
Segundo a professora Maria Batista Lima, tais iniciativas são fundamentais para promover uma sociedade antirracista. Ela destacou que a educação das relações étnico-raciais é um elemento crucial para construir uma sociedade verdadeiramente democrática, ao enfatizar a necessidade de valorizar a história e a cultura afro-brasileira, além de outras culturas, de maneira igualitária. Ela relembra que ações como essa são essenciais para a continuidade das leis de nº 10.639 de 2003, e nº 11.645 de 2008, que estabelecem a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e dos povos originários nas escolas.
“Essas oficinas, palestras, rodas de conversas, vídeo-debates são fundamentais para, justamente, conhecer aquilo que a lei estabelece como obrigatório. Mas a obrigatoriedade não pode ser vista só como porque é obrigatório, mas porque ela é necessária. Tem que ser algo contínuo, algo que funcione para nós termos, de fato, uma sociedade democrática, envolvendo principalmente todas e todos os protagonistas desse espaço, que são os estudantes”, afirmou. Ela também expressou bastante felicidade em saber que mais pessoas estavam interessadas em participar do evento, já que a lista de inscrições alcançou mais de 60 requisitantes.
Emília Gabriela, aluna do 9º ano do Colégio Estadual Ivo do Prado, compartilhou sua experiência na oficina de confecção de bonecas e considera o projeto uma oportunidade única para promover a conscientização sobre questões antirracistas e combater o bullying na escola. "A atividade é diferente e eu achei especial, já que não tinha visto esse tipo de boneca antes. Fiquei empolgada em participar da oficina", disse Emília.
SOBRE O PROJETO
Everaldo Freire destacou que as ações do projeto já têm resultados na redução da violência na escola. Há menos conflitos entre os alunos e uma aceitação positiva por parte dos pais e da comunidade. O coordenador destacou ainda a abordagem educativa em relação ao bullying, promovendo o respeito e a educação dos alunos em vez de simplesmente aplicar punições (advertências e suspensões).
“A questão das oficinas, no contexto do projeto ‘Bullying no Ivo’, é que ao manusear os materiais, os alunos conseguem assimilar melhor os conteúdos, desenvolver as habilidades e as competências que são exigidas não só no currículo de Sergipe, mas também na Base Nacional Comum Curricular. Lidando com os alunos do ensino fundamental, teremos um ensino médio mais tranquilo e mais livre da violência do ambiente escolar, das violências simbólicas que eles sofrem, além, é claro, do reconhecimento de pertencimento tanto de sua identidade negra, quanto no ambiente escolar”, destacou Everaldo.






