Conselho Estadual de Educação de Sergipe celebra seus 60 anos

Por Michele Becker
Fonte: Ascom/ Seduc

Na ocasião também foi entregue o Prêmio Hudson Cesar Veiga Feitosa para personalidades que contribuíram com a educação sergipana ao longo desta trajetória

 

Uma noite de encontros e reencontros, de histórias e memórias, de homenagens àqueles do passado e de reconhecimentos àqueles do presente. Assim foi marcada a solenidade em comemoração aos 60 anos do Conselho Estadual de Educação de Sergipe. Na ocasião também foi entregue o Prêmio Hudson Cesar Veiga Feitosa a personalidades que contribuíram com a educação sergipana ao longo dessa trajetória. O evento ocorreu na noite da última terça-feira, 28, na Biblioteca Pública Epiphanio Dória, em Aracaju.

 

De acordo com a professora e pesquisadora Tereza Cristina Cerqueira da Graça, a ideia que preside a criação de conselhos é a abertura de espaços para a participação da sociedade civil, de modo a ampliar e consolidar o modelo democrático representativo. O pressuposto é de que eles promovam a intermediação entre o Estado e a sociedade, influenciando na definição, implantação e dinamização das políticas públicas. Os conselhos de educação no Brasil funcionam como órgãos de governo, cuja função é assessorar e colaborar; são instâncias normativas do sistema atuando, principalmente, no emprego da legislação educacional do país.

 

“Em nosso Estado, a Lei nº 20, de 1935, criou o Conselho Estadual de Educação de Sergipe, constituído por conselheiros ‘nomeados pelo Governo e escolhidos entre nomes eminentes do magistério eeffectivo ou personalidade de reconhecida capacidade e experiência em assumptos pedagógicos’ (art. 3º). Professores como Abdias Bezerra, José Augusto da Rocha Lima, Armando Cesar Leite, José Augusto de Lima, Padre Antonio Viet, Tennyson Ribeiro, Maria Daltro Nabuco, Jucundino de Souza Andrade, Norma Mont’Alegre dos Reis, Florentino Telles de Menezes, Helvécio de Andrade e Josaphat Brandão foram nomeados para esse Conselho”, lembra a pesquisadora. “Esse Conselho foi instalado nas dependências do Instituto de Educação Rui Barbosa, mas depois de um artigo elogioso publicado num jornal local, em dezembro daquele ano de 1935, não há mais evidências de sua continuidade”, complementa.  

 

Desde 1963, quando foi criado, o Conselho Estadual de Educação passou por importantes transformações. Tais transformações foram resultantes dos regimes políticos pelos quais o país passou, das leis da Educação Nacional (Lei 4.024/1961; Lei 7.692/1971 e LDB 9.394 de 1996) e dos sucessivos governos estaduais. 

 

“Ao longo dessa jornada, o Conselho Estadual de Educação ampliou suas funções e diversificou sua composição, passando a agregar representações escolhidas por suas bases, a exemplo dos sindicatos de professores das redes pública e particular e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME/SE). Nestes sessenta anos, o Conselho Estadual de Educação também vem debatendo temas e construindo consensos por meio de Pareceres e Resoluções voltados à inclusão, à ampliação das oportunidades e à melhoria da qualidade do ensino”, acrescentou o atual conselheiro-presidente do Conselho Estadual de Educação, Renir Silva Lima Damascento, durante seu pronunciamento.

 

Estiveram presentes à comemoração, o secretário de Estado da Educação e da Cultura, Zezinho Sobral, acompanhado de diversos gestores e técnicos da Seduc que colaboraram ou colaboram com o Conselho Estadual de Educação de Sergipe ao longo de sua história.

 

O Prêmio

 

Instituído pelo Conselho Estadual de Educação de Sergipe em 27 de fevereiro de 2023, o Prêmio Professor Hudson César Veiga Feitosa tem o intuito de conceder essa honraria, anualmente, às instituições educacionais integrantes do Sistema de Ensino do Estado de Sergipe que promovem práticas pedagógicas inovadoras e inclusivas, estimulando ações críticas e criativas nos estudantes. Excepcionalmente, nesta primeira edição, o plenário do CEE decidiu conceder o prêmio às instituições educacionais nas quais o professor Hudson César Veiga Feitosa teve atuação docente. 

 

Sobre o homenageado

 

Hudson César Veiga Feitosa nasceu em 22 de novembro de 1966 na cidade de Propriá, no estado de Sergipe. Terceiro filho de cinco, da senhora Maria da Conceição Veiga e do senhor Antônio Albuquerque Feitosa ( in memoriam ). Com pouco mais de dois anos de idade, migrou com toda a sua família para a capital do Estado, em busca de prosperidade, atributo nato que o acompanhou por toda a vida. 

 

Considerado um aluno de exímio rendimento escolar, aos dezessete anos, em 1984, na primeira tentativa, conquistou e ingressou em uma das vagas do vestibular na Universidade Federal de Sergipe para cursar licenciatura em geografia. A perseverança, o empenho, a serenidade, o desejo de prosperar, bem como de levar o progresso à família, foram fundamentais para que o jovem graduando Hudson tivesse a oportunidade de ministrar aulas em colégios consagrados da capital sergipana.

 

O ano de 1998 marca o início da sua exemplar jornada na Secretaria Estadual de Educação, ingressando por meio de concurso público nos quadros de profissionais do magistério público do estado de Sergipe, como professor da disciplina de geografia, história e afins. Como professor do magistério público estadual, lecionou em escolas em Aracaju, nos bairros Santa Maria e Siqueira Campos, e em Nossa Senhora do Socorro, no conjunto Marcos Freire. 

 

Também contribuiu nos processos de gestão e administração escolar, com reconhecida dedicação na Diretoria Regional de Educação da Grande Aracaju (DRE 8), dando início ali, por volta do ano 2001, a etapa de sua jornada profissional mais longeva, que o levou, logo em seguida, ao Conselho Estadual de Educação, na qualidade de assessor técnico de legislação educacional. 

 

A passagem de Hudson pelo Conselho Estadual de Educação, com enraizamento pelos conselhos municipais de diversas cidades sergipanas, pode ser descrita como extremamente bem-sucedida, com numerosos documentos, ações e projetos, sendo produzidos por ele, ou com a sua contribuição, que repercutiram de forma bastante positiva para o ordenamento, aprimoramento e a qualificação do labor educacional no estado de Sergipe. 

 

Além disso, a qualidade do trabalho técnico de Hudson permitiu ultrapassar as fronteiras do estado de Sergipe, com diversas contribuições em momentos extraordinários e singulares da história recente da educação brasileira. Um exemplo disso é o fato de Hudson ter sido grande colaborador da União dos Conselhos Municipais de Educação (UNCME Nacional), pela ocasião da implementação da Base Nacional Comum Curricular, na condição de articulador nacional, orientando e auxiliando outros articuladores regionais, para construção do documento curricular dos estados brasileiros, além de diversas participações em várias conferências, congressos e seminários, caso emblemático da participação como delegado da Conferência Nacional de Educação (CONAE).

 

Em novembro do ano de 2021 concluiu sua convivência carnal entre nós, encerrando assim, também, um belíssimo cumprimento de seu trabalho técnico de vanguarda, de inovação, dedicação, e compromisso com o progresso e aprimoramento daquilo que ele muito estimava, que transformou a vida pessoal e familiar dele, e que tinha a convicção de ser o maior instrumento transformador da vida de todos, a educação.

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