Por Leonardo Tomaz
Fonte: Ascom/ Seduc
Como forma de trabalhar uma metodologia que aborde questões de gênero, combate e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, o Centro de Excelência Professor João Costa, localizado no bairro Getúlio Vargas, em Aracaju, recebeu nesta sexta-feira, 30, a segunda oficina de Justiça Restaurativa promovida pelo Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), em parceria com a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc). Direcionado a professores e equipes diretivas, o projeto-piloto do poder judiciário pretende chegar a todas as unidades da rede pública. Ao todo, serão ofertados quatro encontros, envolvendo cerca de 42 participantes. A programação segue até o mês de outubro.
Sob a condução da Coordenadoria da Mulher do TJSE, o projeto teve início na terça-feira, 27, quando foram discutidas as questões de gênero. Segundo a psicóloga Sabrina Duarte Cardoso, que está mediando a formação juntamente com a assistente social Shirley Amanda Leite, o Justiça Restaurativa faz uma ponte entre os temas trabalhados com a escola. “A gente acredita que a educação é o ponto-chave para tudo, para qualquer mudança, principalmente para uma mudança cultural e social. Então a escola é o ambiente onde mais devem ser fomentadas questões e discussões desse tipo porque é desde muito jovem que o sujeito se forma e pode mudar algumas questões”.
“Esse projeto tem uma culminância e é uma proposta realizada pelos próprios professores, porque a justiça restaurativa pede horizontalidade e voluntariedade. Então, ao fim dos encontros, a gente quer que os professores sugiram o que eles podem fazer com esses conteúdos dos três primeiros encontros. E a partir daí, faremos uma avaliação desse projeto e proporenos ou não mudanças para as próximas escolas. A ideia é realmente expandir. Essa é a primeira escola, mas que seja um projeto que a gente faça com muito cuidado para que quando for replicado, ele dê certo também em outros lugares”, salientou Sabrina Duarte.
A professora Sandy Soares, que leciona Arte no João Costa, avaliou como importante o momento formativo. Para ela, é necessário que a escola vá além do que é proposto cotidianamente; isso porque o estudante precisa efetivamente entender conceitos que formam uma sociedade. “Nunca se falou tanto sobre gênero, sobre violência, sobre a perspectiva de ser mais saudável, de poder ter um comportamento que seja mais interessante para a sociedade, menos adoecedor. A gente sabe que tudo que acontece em casa acaba refletindo no dia a dia da sala de aula. E também é uma forma de abordar esses assuntos, de ver determinados conflitos que acabam chegando a esse ambiente”, explicou.
Segundo o professor de História Fábio Machado, as perdas ocasionadas pela pandemia foram determinantes e afetaram consideravelmente a rotina dos estudantes, tanto no ambiente familiar quanto no escolar. “Passamos por um período de muita mudança de comportamento e que ainda está afetando os jovens. Mas a gente tenta melhorar esse cenário por meio das ações aqui na escola. Essa oficina é uma ótima oportunidade para incentivar o respeito, a escuta ativa, dentro de um ambiente colaborativo”, frisou ele, destacando que as eletivas do ensino médio em tempo integral que tratam sobre temas semelhantes também têm proporcionado mudanças significativas.
O pioneirismo na aplicação dessa metodologia é motivo de comemoração para o diretor da unidade de ensino, professor Rogério Luiz da Silva. O dirigente afirma que a experiência da comunidade em torno de ações de combate à violência, o preconceito e a discriminação, bem como o trabalho visando à igualdade de gênero, foram importantes para a escolha do Centro de Excelência Professor João Costa como escola-modelo do projeto Justiça Restaurativa. “Então a gente enxergou esse momento como algo que já vínhamos fazendo na escola, e o TJSE vem agora com ações, com a prática e com a metodologia que possam nos ajudar a melhorar aquilo que já desenvolvemos”, concluiu.
