Por Leonardo Tomaz
Fonte: Ascom/ Seduc
A comunidade escolar do Colégio Estadual Secretário Francisco Rosa Santos, instituição de ensino situada no bairro Bugio, em Aracaju, se reúne de forma online para cuidar da mente e discutir problemáticas do cotidiano
A pandemia e os efeitos da quarentena têm gerado situações adversas no comportamento humano. Além de redobrar os cuidados para conter a contaminação do novo coronavírus, as pessoas que cumprem o distanciamento em casa enfrentam também os desafios de poder alinhar a saúde emocional com as tarefas do cotidiano. Foi pensando nisso que o Colégio Estadual Secretário Francisco Rosa Santos, unidade escolar que oferta o ensino médio em tempo integral, situada no bairro Bugio, em Aracaju, em parceria com o movimento Transformação pela Emancipação, Amorosidade e Resiliência (Tear), a partir da Terapia Comunitária Integrativa, vem realizando encontros de forma online para dialogar com estudantes sobre experiências de vida.
Todas as sextas, a partir das 14h, o encontro é certo para falar sobre saúde, relacionamento, sentimentos, entre outras vivências. No início, o aluno Matheus Augusto Silva Santos, do 2º ano, estava receoso, pois não tinha costume de falar sobre si mesmo em público. “Nos primeiros minutos eles já nos proporcionam um lugar de conforto, seja com suas músicas ou até com suas brincadeiras. Ao meu ver, essa roda de tarapia, ou "rodadrada" para os íntimos, vem sendo uma mão na roda, pois temos a oportunidade de ouvir pessoas falarem abertamente de seus anseios e como elas estão resolvendo, mostrando que com a pandemia não perdemos nosso lado humano”, declarou o jovem.
De acordo com a professora Daysiane Secunda de Souza, responsável pela coordenação do projeto no Francisco Rosa, a Terapia Comunitária tem como objetivo ajudar na partilha de experiência de vida e situações cotidianas para lidar com as dificuldades diárias. “Estamos passando por um momento de grande desafio, e tivemos a sensibilidade de ver a importância de ter esses espaços de acolhimento e fala. Precisamos estar juntos, apoiando-nos, porque saúde e educação não são separadas; caminham juntas. Para desempenharem um bom papel, professor e gestores precisam estar bem, principalmente na saúde mental. O espaço está aberto, e qualquer um pode participar”, disse.
Durante as reuniões, todos compartilham suas estratégias de ação. “Cada dia há um tema, que é escolhido pelos participantes. Nesse sentido, as pessoas saem com diversos recursos para lidar e aplicar na vida o que for melhor para elas, a partir da experiência do outro. Além da ansiedade, que tem sido frequente nas rodas, o medo e insegurança sobre como lidar com o pós-pandemia também estão presentes, reforçando a dinâmica interna de cada participante para que este possa descobrir seus valores, suas potencialidades, e tornar-se mais autônomo e menos dependente”, reiterou Daysiane Secunda, que também é terapeuta comunitária.
Nada disso seria possível sem a parceria estabelecida entre a escola e o Movimento Tear, como explica Daysiane Secunda. “Meu primeiro contato com a Terapia Comunitária Integrativa TCI foi no final de 2017. Desde o início fiquei encantada e já quis levar para a escola em que eu trabalhava na época, pois achei que seria uma técnica importante para os alunos, haja vista que eles teriam um espaço de fala, escuta, partilhas, experiências de vida e situações cotidianas para lidar com dificuldade diárias. Em 2018, consegui levar duas terapeutas comunitárias para fazer uma Roda de Terapia na escola, e sempre que possível tinha roda na escola”.
Em 2020, ano em que ela começou a lecionar no Francisco Rosa, surgiu a oportunidade de levar o projeto para a comunidade estudantil do ensino médio em tempo integral. “Conversei com alguns colegas e tive a ideia de fazer a eletiva Terapia Comunitária Integrativa na Escola. Tivemos uma aula inicial e na outra semana começou a pandemia. No decorrer dos meses tivemos a ideia de dar continuidade à eletiva de forma virtual”, explicou Daysiane.
Para a coordenadora do Movimento Tear, Regina Melo, parceira da escola, tem sido um motivo de muita riqueza juntar a comunidade escolar para promover as práticas de acolhimento. “A iniciativa visa fortalecer os vínculos entre as pessoas para que, juntos, encontrem as estratégias de enfrentamento das dificuldades cotidianas. Se a comunidade tem problemas, a comunidade também tem solução, desde que nos reunamos para conversar”, concluiu.
A Terapia Comunitária Integrativa conta ainda com as parcerias da TEIA – Conexões Sustentáveis e Rede Somos Transformações. O encontros são articulados por meio dos grupos de WhatsApp e divulgados no perfil do Instragram da escola: https://www.instagram.com/franciscorosa_oficial/.



