Estudantes e professores da Rede Estadual elevam qualidade de projetos apresentados na XII Feira Científica de Sergipe

Por Francimare Araújo
Fonte: Ascom/ Seduc

Os estudantes da Rede Pública Estadual de Ensino voltaram a se apresentar na Feira Científica de Sergipe (Cienart), nesta sexta-feira, 21, no Centro de Vivências da Universidade Federal de Sergipe (UFS), de forma presencial, depois de duas edições virtuais em função da pandemia de covid-19. Esta é a 12ª edição da Cienart, que acontece por meio de uma iniciativa conjunta da Associação Sergipana de Ciência (ASCi), Universidade Federal de Sergipe (UFS)  e Instituto Federal de Sergipe (IFS), realizada todo mês de outubro, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Ao todo, 120 trabalhos de iniciação científica foram apresentados durante a Cienart, com a participação de 75% das escolas estaduais, reunindo cerca de 5.000 estudantes, majoritariamente de escolas públicas.  

 

O professor Josué Modesto dos Passos Subrinho, gestor da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc) visitou os estandes, conversou com estudantes e lembrou que os trabalhos apresentados na Feira Científica de Sergipe resultam dos incentivos pedagógico e financeiro direcionados para as comunidades escolares. “O Programa de Incentivo Pesquisa na Escola viabilizou recursos para que estudantes e professores pudessem idealizar e efetivar os projetos apresentados nesta feira. É um momento de troca entre todos os estudantes e professores das nossas escolas e de outras redes presentes aqui. Trata-se de uma aposta na ciência como um elemento de construção da melhor sociedade possível em direção a um caminho de libertação humana que se mostrou cada vez mais potente, por exemplo, no momento da pandemia que acabamos de passar. A nossa aposta é sempre na educação, no conhecimento e na ciência”, disse. 

 

Até chegar às apresentações dos projetos durante a Cienart, as escolas estaduais realizam uma série de atividades de iniciação científica a fim de despertar nos estudantes o interesse pelas ciências antes mesmo de serem inseridos no Ensino Superior. A professora do Departamento de  Letras da UFS e membro da equipe de coordenação da Cienart, Raquel Meister Ko. Freitag, relatou que “o objetivo é promover a ciência na Educação Básica, por isso organizamos uma série de ações durante o ano. Nós oferecemos treinamentos para os professores captarem recursos com a finalidade de elaborarem os projetos de pesquisa, captarem bolsas para seus estudantes, construírem artigos científicos e diários de bordo. A culminância desse trabalho é a Feira Científica de Sergipe em que todos os estudantes que compõem as equipes que são selecionadas apresentam os trabalhos e concorrem à premiação”.

 

Os estandes também foram visitados pelo professor Arquimedes Belo Paiva, assistente técnico da Diretoria de Engenharias, Ciências Exatas, Humanas e Sociais do CNPq. Segundo ele, observar a materialização da pesquisa que acontece no interior das escolas sergipanas possibilita aprimorar as políticas públicas voltadas para a Educação Básica. “É muito interessante ver a materialização dos projetos que pensamos a partir das políticas públicas, não somente em Brasília, mas também aqui em Aracaju, e chegar a este momento que é a culminância da idealização desse sonho de ver de fato a pesquisa tomando forma no ambiente escolar. Para os gestores públicos é algo fundamental porque serve também como uma retroalimentação, ao mesmo tempo em que observamos, podemos perceber alguma lacuna ou de que modo a política pública pode ser aperfeiçoada. Quando conversamos com a garotada conseguimos sentir isso”, concluiu. 

 

Dentre os 120 projetos presentes na Cienart, os estudantes do Centro de Excelência Maria Rosa de Oliveira, unidade que oferta Ensino Médio em Tempo Integral no município de Tobias Barreto, território Centro-Sul de Sergipe, apresentou o reaproveitamento de alimentos dispensados da merenda escolar, como é o caso da semente de abóbora. O estudante Natanael Santos explicou que após a utilização da abóbora para compor o almoço, as sementes eram descartadas. Por essa razão, a equipe buscou uma forma de aproveitar o grão e descobriu a possibilidade de criar um café com sabor semelhante ao original sem a inserção do mesmo ou de outros produtos. “Nós vimos uma pesquisa de reaproveitamento do milho para a produção do café, porém o que estava sendo desperdiçado era a semente de abóbora, por isso consideramos a possibilidade. Partimos para a prática e deu certo. Entramos em contato com a comunidade escolar, pais de alunos, restaurantes e feirantes para fazermos o recolhimento das sementes e realizar o reaproveitamento”, contou. 

 

Do Alto Sertão sergipano, a professora Lark Soany leciona Química no Centro de Excelência Dom Juvêncio de Britto, unidade localizada no município de Canindé do São Francisco. Ela orienta seis projetos científicos, alguns já reconhecidos e credenciados em feiras científicas nacionais e internacionais. É o caso do projeto Farma Sertão, que foi selecionado para representar Sergipe na Muestra Científica Latinoamericana, no Peru; e na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia, em Novo Hamburgo/RS. “Para mim é muito gratificante trazer seis projetos para a Cienart que são frutos da Feira de Ciências realizada na nossa escola esse ano. Fazer ciência no sertão enche meus olhos porque a ciência me fez reencontrar na profissão de professora e isso está fazendo a diferença também na vida dos estudantes, pois estão se encontrando nas profissões que querem seguir e se tornando cientistas e pesquisadores, inclusive mudando o local em que vivem que para mim é a melhor parte”, contou emocionada. 

 

O jovem Diógenes Rodrigues estuda a 2ª série do Ensino Médio e compõe a equipe do projeto Farma Sertão. Foi no envolvimento com a iniciação científica promovida pelo Centro de Excelência Dom Juvêncio de Britto que descobriu a profissão que seguirá em um futuro bem próximo. Nas atividades, estudos e elaboração de produtos fitoterápicos a partir da utilização de plantas medicinais muito comuns na região, a exemplo de hortelã, cidreira, camomila etc. que Diógenes Rodrigues se identificou com o curso de Farmácia, ao qual pretende se dedicar quando ingressar em uma universidade. “É gratificante fazer parte de projetos com pessoas de que gostamos, principalmente porque estudando diretamente os fitoterápicos me deu vontade de cursar Farmácia porque realizar as pesquisas e os testes mostrou que eu posso me dedicar a essa profissão”.

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