Ex-aluno do Centro de Excelência Maria das Graças Menezes Moura é aprovado no Doutorado em Ecologia na Unicamp

Por Lívia Lessa
Fonte: ASCOM / SEED

Por Lívia Lessa

 

O jovem José Roberto Vieira Aragão, ex-aluno do Centro de Excelência Maria das Graças Menezes Moura, no interior de Sergipe, em Itabi, unidade escolar circunscrita à Diretoria Regional de Educação 7 (DRE 7), é o mais novo pesquisador a ingressar no curso de Doutorado em Ecologia da Unicamp, Campinas, em São Paulo.

 

O acadêmico não disfarça a alegria e a emoção ao comentar que as aulas no doutorado começam nesta segunda-feira, 26 e se emociona por sua trajetória no universo da pesquisa científica.  José Roberto Vieira Aragão relembra que o apoio dos familiares e dos professores do Centro de Excelência Maria das Graças Menezes Moura foi primordial nas conquistas.

 

"Eu ingressei no ensino médio no ano de 2006 e tive a sorte de ter excelentes professores. Estes educadores realizam um trabalho pautado numa formação preparatória para o vestibular, era visível o compromisso de todos.  Na minha turma muitos colegas também seguiram a carreira acadêmica já outros se destacaram no mercado de trabalho. Esta realidade só comprova que a rede estadual em Sergipe, conta com um ensino de qualidade", ressalta o pesquisador.

 

Ainda de acordo com José Roberto Vieira Aragão, mesmo após a conclusão do ensino médio mantinha contato com a maioria dos docentes. "Sempre que encontrava com os meus mestres percebia uma atenção e preocupação. Reconheço que a colaboração de todos os professores foi importante, mas, destaco a atuação de três, são eles: Jailton, de biologia; Sidney Borges, de geografia e Eumária que, lecionava a disciplina de língua inglesa", recorda. 

 

 

Carreira no mundo acadêmico e linha de pesquisa

 

José Roberto Vieira Aragão, em 2010, foi aprovado no curso de Bacharelado em Ecologia, na Universidade Federal de Sergipe (UFS), no campus São Cristóvão. Ele comenta que o interesse por esta área surgiu um ano antes, enquanto estudava Geografia na Universidade Tiradentes (Unit), em Aracaju.

"Estudei apenas um semestre no curso de Geografia e ao longo das aulas me interessei pela vertente ecológica. Quando fiz o vestibular, o curso de Ecologia na UFS era o primeiro no Nordeste. Recordo-me que ao longo da graduação, mais especificamente no 5º período, entrei para o Laboratório de Anatomia Vegetal e Dendroecologia com o intuito de gerar informação útil para os sertanejos que lidam, diariamente, com a seca na Caatinga" diz ao explicar como surgiu o interesse pelo universo da pesquisa científica.

 

O doutorando relembra que nesta época dentro das perspectivas do Laboratório acabei iniciando a pesquisa com o estudo do crescimento arbóreo a partir dos anéis de crescimento. "Esta é a linha de pesquisa que estou até hoje. Ainda neste período, passei um ano como estagiário voluntário, participei de coletas em campo, preparação de amostras e de experimentos em laboratório. Foi então que além de trabalhos com anéis de crescimento, comecei a desenvolver estudo com anatomia da madeira, foi quando produzi o primeiro projeto reconhecido pela universidade", declara ao comentar que esta pesquisa era de Iniciação Científica (PIBIC) intitulada Anatomia comparada de lenho das espécies do gênero Ocotea Aubl. (Laureceae) em Sergipe foi premiada como melhor projeto da área das Biológicas, no ano de  2014, no  Prêmio destaque de Iniciação Científica, Universidade Federal de Sergipe.

 

"Ao longo do desenvolvimento deste projeto, pude conhecer e participar de um curso de Técnicas em Anatomia da Madeira, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz  (ESALQ), na Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba. Apesar de ter desenvolvido trabalhos como este em Mata Atlântica, permaneci com a ideia fixa de gerar informação útil para os sertanejos. Então durante uma conversa com meu orientador, Cláudio Sergio Lisi, decidimos que a minha monografia seria nesta linha", declara.

 

Após a conclusão do curso de Ecologia, José Roberto Vieira Aragão apresentou o projeto intitulado Anatomia da madeira e dendroecologia de Aspidosperma pyrifolium Mart. (Apocynaceae), em região de clima semiárido do Estado de Sergipe. "É um estudo que tratava de uma espécie arbórea bem comum à Caatinga, que é o ‘pereiro´. Com isso fechou-se o ciclo da graduação. No final do curso, diante das correrias com os projetos em desenvolvimento no laboratório e com a monografia, comecei a estudar os conteúdos exigidos para a prova de seleção do Mestrado em Ecologia e Conservação da UFS".

 

Antes do término da graduação, José Roberto Vieira Aragão   já encantado com o mundo da pesquisa participou da prova de seleção do Mestrado e foi aprovado. "Durante cinco meses – de outubro de 2014 a fevereiro de 2015 – houve uma etapa de encerramento de algumas pesquisas e início de outras. Neste período, apresentei ao orientador a minha proposta de trabalho para a pós-graduação, que seria de avaliar os anéis de crescimento, a anatomia da madeira e a fisiologia foliar de quatro espécies arbóreas de Caatinga em dois locais distintos. De imediato ele não pestanejou ao me dizer achou muita coisa e pediu para ‘botar o pé no freio´, mas acabou aceitando o projeto. Foi então que conheci minha co-orientadora, a professora doutora Elizamar Ciríaco da Silva, que contribuiu para o trabalho e incentivou a realizar outros estudos", informa.

 

O pesquisador comenta que ao longo dos dois anos no Mestrado, ele juntamente com os orientadores desenvolveu inúmeros trabalhos com anatomia da madeira, fisiologia foliar, anéis de crescimento e modelagem de nicho ecológico. "Este último que aprendi com o professor doutor Mário André, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), levo até hoje como linha de pesquisa. Por fim, em fevereiro de 2017 defendi minha dissertação intitulada Ecologia da madeira e aspectos ecofisiológicos de espécies arbóreas da Caatinga no semiárido sergipano".  De acordo com ele, o mestrado gerou bons frutos tanto no aspecto pessoal, pois   conheceu pessoas e fez muitas amizades, quanto no profissional. "Nesta época, produzimos cinco artigos e destes três já foram aceitos para a publicação e os dois restantes estão em estágio final de correção para apreciação. São textos que foram aceitos em periódicos nacionais e internacionais", comemora.

 

Ingresso no doutorado de Ecologia na Unicamp

 

 

Após a defesa da dissertação, José Roberto Vieira Aragão focou na maratona de estudos para ingressar no Doutorado. "Com o término do Mestrado passei alguns meses encerrando os trabalhos e, no mês de maio de 2017, comecei a pesquisar Doutorados pelo Brasil que abordassem a minha linha de pesquisa. Neste mesmo mês entrei em contato com o professor Rafael Silva Oliveira, da Unicamp, que falou sobre a atuação de um docente recém efetivado chamado Peter Stoltenborg Groenednyk. Segundo o Rafael, Peter trabalhava na mesma área que eu e tinha muitas ideias para desenvolver pesquisa.  Imediatamente ele me colocou em contato com o Peter e começamos a traçar projetos para realização de estudos com anéis de crescimento, fisiologia, anatomia da madeira e modelagem de nicho de espécies arbóreas frente às mudanças climáticas. Em pouco tempo escrevemos um trabalho intitulado Avaliação do crescimento arbóreo em um gradiente Mata Atlântica – Cerrado – Caatinga e suas relações com as mudanças climáticas. Segundo o Peter, haveria uma seleção de Doutorado em junho de 2017, por conta de que não foram distribuídas todas as bolsas e as que sobraram deram origem a essa seleção extra. Apesar de não estar tão bem preparado, resolvi tentar".

 

Ainda segundo José Roberto Vieira Aragão, a seleção consistia em provas de conhecimento específico, inglês e arguição de projeto. "Nesta tentativa, eu passei nas provas e me reprovaram na arguição do projeto. Eu e meu futuro orientador recorremos do resultado, mas, sem nenhuma explicação aparente, o resultado foi mantido. O passo seguinte foi tentar a próxima seleção, em outubro de 2017 quando eu fui aprovado e me tornei o mais novo Doutorando em Ecologia da Unicamp".

 

Durante esta trajetória o estudante participou de inúmeros eventos, como congressos, simpósios, semanas científicas, ministrou minicursos, fez parte de banca de monografia e uma série de outras atividades. Além disso, foi incluído em dois grandes grupos de pesquisa, o de Biodiversidade e Conservação da Fauna e Flora de Sergipe (Biose), na UFS   e no Núcleo de Estudos Dendrocronológicos e Dendroecológicos em Ambientes Naturais (NEDDAN) , da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

 

Realização de um sonho

 

O pesquisador comentou que tentou a seleção para o doutorado em outras instituições de ensino, mas o seu grande sonho era ingressar na Unicamp, pois o grupo de pesquisa é referência no Brasil e no mundo e possui a nota mais alta da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a pós-graduação tem o conceito 7.

 

"Ao saber do resultado foi um misto de alegria e surpresa, confesso que ainda nem acredito que hoje convivo com os pesquisadores renomados de todo o mundo, pois mesmo antes do início das aulas já estou participando das atividades do laboratório", afirma ao comentar que as vezes ainda não acredita que é um doutorando da Unicamp.

 

Ao falar das conquistas José Roberto Vieira Aragão diz que até hoje lembra das mensagens de apoio, incentivo e motivação dos professores do ensino médio. "O segredo do sucesso e para alcançar os objetivos é acreditar no seu potencial aliando ao foco e a dedicação aos estudos. Por meio da educação é possível mudar para melhor qualquer realidade", finaliza. 

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