Por Lívia Lessa
Fonte: ASCOM/ SEAD
Secretaria de Estado da Educação, além de promover o atendimento aos estudantes, realiza formações continuadas para professores, fomenta o desporto escolar e viabiliza a acessibilidade
Por Lívia Lessa
O Governo do Estado, por meio das ações e iniciativas da Secretaria de Estado da Educação (Seed), sempre buscando oferecer a todos os sergipanos o acesso à educação de qualidade, procura promover a inclusão no espaço escolar. Deste modo, os 77 estudantes – 14 cegos e 63 com baixa visão – são acompanhados e assistidos nas unidades escolares por professores que passam constantemente por formações continuadas.
"A Seed busca implementar ações para ofertar a todos os sergipanos uma educação de qualidade numa perspectiva inclusiva. Priorizamos a formação continuada dos professores, fomentamos o paradesporto escolar e, no que tange o projeto arquitetônico das unidades escolares, há uma atenção especial ao se referir a acessibilidade", ressalta o secretário Jorge Carvalho.
De acordo com a diretora do Serviço de Educação em Direitos Humanos (SEDH), do Departamento de Educação (DED), Josevanda Mendonça Franco, as unidades escolares do Estado contam com todo o apoio e suporte ao projeto pedagógico. "As atividades da Divisão de Educação Especial (Dieesp) são pautadas no trabalho para promover uma política de inclusão que seja disseminada nas unidades escolares", ressalta, ao informar que o departamento realiza a busca ativa, ou seja, "quando há um indivíduo com deficiência visual ou cego e não esteja estudando, é convidado para que seja inserido no ambiente escolar".
Anatércia Silva Santos, técnica da Dieesp, explica que Sergipe atende ao que determina a Lei n° 5.296, de 2 de dezembro de 2004, que regulamenta as leis n° 10.048, de 8 de novembro de 2000, e nº 10.098, que estabelece as normas gerais e critérios básicos para a promoção de acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.
"Conforme o que determina o artigo 3° do Decreto n° 5.296, é considerado deficiência visual – cegueira – aquela cuja acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no menor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no menor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60°; ou a ocorrência simultânea de quaisquer condições anteriores", esclarece.
Avanços significativos
O educador José Wellington dos Santos tem cegueira, foi aluno da rede estadual de ensino, formou-se em pedagogia e atualmente é professor brailista da Escola Estadual Senador Leite Neto, em Aracaju, unidade escolar que atende o maior número de alunos, um total de 7 estudantes. "A minha vida inteira eu estudei na rede estadual de ensino. Quando mais jovem tinha baixa visão e hoje tenho cegueira. Houve significativos avanços. No meu tempo os estudantes se deparavam com mais dificuldades", reconhece.
Como docente, José Wellington dos Santos ajuda os estudantes a superarem os obstáculos e encararem os desafios. Ele comenta que orienta os jovens a utilizarem bengala, soroban e a calculadora sonora. É com um imenso orgulho que ele fala da sua escolha profissional. Afirma que o papel do professor é motivar e incentivar os alunos.
"A professora Maria Hirma Rezende Feitosa, do Colégio Leite Neto, foi uma pessoa de fundamental importância para mim, pois ela me mostrou que sou capaz de superar os obstáculos impostos pela vida. Ela disse que sempre acreditou no meu potencial", recorda. Para ele, todo educador deve ter amor pelo que faz. "Ser professor é algo gratificante. A atuação dessa professora foi primordial nos meus caminhos e escolhas. Dessa maneira, é possível compreender que o docente tem um papel muito importante na vida dos jovens, e eu acredito que também posso colaborar na vida desses alunos".
Ao relembrar sua trajetória como estudante, José Wellington dos Santos afirma que são perceptíveis os avanços na rede estadual de ensino. "Essas melhorias são explícitas, desde a preocupação em ter um profissional que realmente reconhece quais são as principais dificuldades, até a atenção em oferecer um espaço físico com todo o suporte necessário. Além das questões metodológicas, as escolas têm um traço arquitetônico que favorece a acessibilidade", detecta. De acordo com ele, é necessário que a sociedade se atente para o fato de que é preciso começar a trabalhar o atendimento às pessoas com necessidade visual para além do espaço escolar.
Segundo a técnica da Dieesp, Maria Genísia Santos, os estudantes encaram a trajetória de José Wellington dos Santos como inspiração. "Ele incentiva os estudantes e professores a acreditar que é possível superar os limites", diz.
A dona de casa Rita de Cássia Passos Santos tem baixa visão, e seus quatro filhos têm deficiência visual; todos estudam na rede estadual. Dois estão matriculados no Colégio Estadual Senador Leite Neto e os outros dois, na Escola Estadual Olímpia Bittencourt. Segundo ela, existe uma atenção no atendimento às pessoas com deficiência na perspectiva da inclusão.
"Percebo que agora para os alunos está bem mais fácil. Tem a sala da recursos, transportes; os professores são atenciosos. Existe um progresso se compararmos ao meu tempo de estudante. Dessa maneira, meus filhos terão mais oportunidades. Eu digo sempre a eles que a baixa visão não deve ser obstáculo. A vontade de estudar tem que superar as limitações", diz, ao comentar que também existe um incentivo no que se refere à prática esportiva.
O jovem Rafael Santos Lima, filho de Rita de Cássia Passos Santos e estudante do Colégio Estadual Senador Leite Neto, afirma que, além de aprender o convívio no espaço escolar, é de extrema importância no tocante à sociabilização. "Acredito no meu potencial e sei que existem as limitações, mas como aprendi com a minha mãe: viver exige determinação e atitude", afirma. Seu irmão Daniel Santos Lima, também aluno da mesma unidade escolar, compartilha dessa mesma opinião. "Gosto de estudar aqui, me dedico diariamente. O apoio e incentivo de todos são fundamentais parasuperarmos as dificuldades", reforça.
Giovânio dos Santos também é aluno do Colégio Estadual Senador Leite Neto e têm cegueira total. Ele afirma que é perceptível, além do atendimento oferecido no espaço escolar, o respeito. "Aqui faço muitos amigos e desenvolvo as minhas habilidades. Os professores não nos tratam com diferença. Quem tem um sonho deve correr atrás e buscar realizá-lo", frisa, ao reconhecer a importância dos estudos.
Incentivo à prática esportiva
Antônio Ferreira Júnior, professor de atletismo e treinador do Centro de Esportes, admite que foco, determinação, atitude e força de vontade para superar as barreiras e limitações fazem parte da realidade dos estudantes da rede estadual.
"O esporte é uma ferramenta sensacional e promove a inclusão. Ele é um meio que permite potencializar as habilidades das pessoas com deficiência. Além disso, é importante para o desenvolvimento intelectual e cognitivo, espaço temporal, mobilidade. As conquistas elevam a autoestima, e eles acreditam que têm uma importância a mais na sociedade", evidencia.
Ainda conforme o treinador, os resultados expressivos são frutos do excelente trabalho realizado nos centros de esporte da Seed. O educador recorda que desde 2009, quando ingressou na rede pública estadual, procurou compreender as especificidades do cenário do paratletismo nacional e que em 2013, quando começou a atuar no Centro de Esportes, foi possível intensificar o acompanhamento dos paratletas.
A diretora do DEF, Auxiliadora Pires, aponta que a rede estadual de ensino conta com o envolvimento de profissionais altamente capacitados e comprometidos. "É importante mencionar que a gestão do secretário Jorge Carvalho não mede esforços para fomentar o desporto escolar, favorecer a participação dos atletas nas competições nacionais e colaborar para a melhoria do nível técnico", adiciona.
Os estudantes Rafael Santos Lima, atleta da natação, e Giovânio dos Santos, que pratica atletismo, participaram da última edição das Paraolimpíadas Escolares, em São Paulo. "Estou muito feliz em representar o meu Estado", diz Rafael Santos Lima. "O professor Antônio Ferreira Júnior realiza um belo trabalho. Além de ser um ótimo treinador, ele nos mostra que é possível ultrapassar as barreiras", diz Giovânio dos Santos.
Nas Paralimpíadas Escolares Brasileiras mais uma vez o Estado de Sergipe se destacou. A delegação paralímpica, em sua oitava participação no evento, conquistou um saldo final de 56 medalhas. Com este resultado, Sergipe alcançou o 4º lugar no quadro geral de medalhas. O Governo do Estado, por meio da Seed, através das iniciativas do DEF, possibilitou que 27 alunos atletas participassem das Paralimpíadas Escolares, além dos estudantes, seis treinadores, quatro técnicos do DEF, dois atletas guias, um médico, três acompanhantes, três staffs e um fotógrafo da Assessoria de Comunicação (Ascom/Seed), totalizando 45 pessoas que representaram a delegação sergipana na competição.
Capacitações
A coordenadora da Dieesp, Lilian Ramos, destaca que são de extrema importância as capacitações de que sua equipe e os docentes participam constantemente. "Os cursos do Atendimento Educacional Especializado (AEE) promovem a formação continuada tanto dos professores da rede estadual, quanto dos docentes da rede municipal", diz, ao afirmar que o departamento conta com a atuação de profissionais altamente preparados. "Tanto os encontros realizados pela Seed, quanto os eventos em que os técnicos participam são uma forma de oportunizar aos educadores uma discussão mais aprofundada sobre a política de educação especial a partir da perspectiva inclusiva", declara.
Anatércia Silva Santos confirma que o Governo de Estado de Sergipe cada vez mais busca fomentar a formação dos professores para que dessa maneira haja melhorias na qualidade do ensino e do atendimento aos alunos cegos e com deficiência visual. "No ano passado participei de uma capacitação realizada pelo Ministério da Educação (MEC), no Instituto Benjamin Constant – uma referência na educação inclusiva – , no Rio de Janeiro. Logo em seguida, juntamente com a equipe da Dieesp, repassamos as informações e conhecimentos aos professores que atuam nas salas de recursos para que saibam lidar com os alunos cegos", relembra.
Segundo a diretora do Serviço de Educação em Direitos Humanos (SEDH), as formações continuadas permitem que os docentes ampliem os conhecimentos. "No que diz respeito à capacitação dos professores, sempre trabalhamos com a metodologia de oficina a fim de que os profissionais apresentem suas experiências de sala de recursos e, além disso, possam disseminar essas experiências entre outros educadores", detecta.
Salas de recursos multifuncionais
As unidades escolares da rede estadual de ensino contam com um total de 127 salas de recursos multifuncionais, 118 das quais são do tipo I – que atende aos alunos surdos e/ou com deficiência auditiva – e nove do tipo II: que contém a todos os recursos da sala tipo I, adicionando os recursos de acessibilidade para estudantes com deficiência visual.
As salas do tipo II contam com os seguintes equipamentos didáticos e pedagógicos: uma impressora em braile (pequeno porte); uma máquina de datilografia em braile; uma reglete de mesa; uma punção; um soroban; um guia de assinatura; um kit de desenho geométrico e uma calculadora sonora. São 167 professores que atuam nas salas de recursos multifuncionais.
São espaços utilizados pelos professores no contraturno da aula, com um quantitativo de dias para que realmente possam contribuir na ampliação do processo de ensino e aprendizagem. "O professor trabalha o aluno para fortalecer os processos pedagógicos desenvolvidos no ensino regular", explica a técnica do Dieesp Alda Valéria Santos de Melo.
Acessibilidade
Conforme afirma a diretora do Serviço de Edificações Escolares (Sedes), Ticiana Barros Barreto de Mendonça, o Governo de Sergipe demonstra a preocupação em promover a acessibilidade. "As unidades escolares que são reformadas e ampliadas contam com as placas em braile, pisos táteis, rampas e mapas táteis. As obras são adequadas com o que prevê a norma 9050/2015. É importante esclarecer que essa norma não inclui somente a deficiência visual e física. Estamos pensando também no deficiente auditivo. É tanto que colocaremos no Centro de Excelência Atheneu Sergipense a sirene audiovisual, que ao mesmo tempo que toca também pisca. Isso só demonstra o comprometimento do Estado não só em promover a acessibilidade, mas também em oferecer um ensino público de qualidade", finaliza.





