Por Lívia Lessa
Fonte: ASCOM / SEED
Por Lívia Lessa
O pesquisador Lucio Marques Vieira Souza é professor de Educação Física da Rede Estadual de Ensino desde outubro de 2012. Em 2017 começou a atuar como treinador da modalidade esportiva vôlei de praia, no Centro de Esportes Escolares da Secretaria de Estado da Educação, no polo da Caixa Econômica, em Aracaju. Nos últimos dois anos o educador, além de realizar o acompanhamento dos alunos atletas, mergulhava no universo científico para ampliar os conhecimentos acerca do modelo de treinamento High Intensity Interval Training (HIIT), termo em inglês que significa Treinamento Intervalado de Alta Intensidade.
No começo deste ano, Lucio Marques Vieira Souza defendeu a dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação Física, na Universidade Federal de Sergipe (UFS), intitulada Efeitos do Treinamento Intervalado de Alta Intensidade de Curto Prazo sobre os Biomarcadores de Estresse Oxidativo e Danos Musculares em Ratos, estudo que contou com a orientação do professor doutor Silvan de Araújo.
O pesquisador explica que se trata de uma pesquisa de ciência básica, ou seja, é um estudo de caráter experimental e pautado na aquisição de novos conhecimentos e que houver testes no modelo animal.
Lucio Marques relembra que se interessou pelo universo da pesquisa acadêmica ao perceber a importância da obtenção de uma melhor base científica acerca do treinamento que era desenvolvido. "A aproximação com este mundo foi de extrema relevância não somente no que tange à obtenção de um arcabouço teórico, mas também no que se refere a ter uma melhor preparação para prestar o acompanhamento aos alunos/atletas da rede estadual de ensino", reconhece.
Treino HIIT
Lucio Marques Vieira Souza explica que o treino HIIT, conforme o nome indica, envolve exercícios realizados em alta intensidade por um curto período de tempo, intercalados com momentos de descansos passivos ou ativos de baixa intensidade. Ele esclareceu que o modelo pode ser adotado em diversas modalidades esportivas.
"Sempre trabalhei com esportes e treinamentos voltados à promoção da saúde e hoje em dia o treinamento HIIT vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil e no mundo por conta de sua eficiência e versatilidade. Este método é promissor e a pessoa consegue ter benefícios em um curto espaço de tempo e duração", disse o professor ao comentar que no Centro de Esportes utiliza o modelo de baixo volume, ou seja, com a duração de, no máximo, sete minutos.
Ainda conforme o pesquisador, o HIIT na comunidade científica tem se tornado muito notório em função da divulgação de estudos experimentais, em que algumas pesquisas já evidenciam que o treinamento aplicado em seres humanos tem sido uma forma de intervenção médica alternativa em diferentes condições de doenças, tais como: insuficiência cardíaca, hipertensão, diabetes tipo II, obesidade e doença pulmonar obstrutiva crônica.
"De acordo com os últimos resultados divulgados pelo American College of Sports Medicine (ACSM), o HIIT é uma das principais tendências fitness mundiais em 2018. Vale destacar que, em Sergipe, já vêm sendo realizados estudos sobre este modelo. Além disso, no Nordeste somente o grupo de Mestrado em Educação Física da UFS realiza investigações sobre este método associado aos parâmetros fisiológicos e bioquímicos do exercício físico", declara.
Conforme elucida o professor, as pesquisas científicas com esta temática são algo recente e somente a partir dos anos 2000 foi que se começou a alavancar as discussões sobre este tema. Para ele, embora a prática de atividade física seja associada aos benefícios à saúde, se ela for excessiva pode gerar malefícios como o estresse oxidativo, que é um estado de desequilíbrio fisiológico entre as reações de oxidação e antioxidação.
Resultados e agradecimento
Além da obtenção do título de Mestre, a pesquisa contou com resultados significativos. A dissertação gerou três artigos que serão publicados em revistas científicas. "Parte do estudo foi apresentada no 2° Congresso Internacional de Atividade Física, Nutrição e Saúde, que aconteceu em setembro do ano passado, na Universidade Tiradentes (Unit), em Aracaju, e no 1° Congresso de Obesidade, Doenças Metabólicas e Exercício Físico, realizado em Cuiabá, no Mato Grosso, onde foi agraciado com o prêmio do melhor trabalho apresentado de forma oral no evento", destaca.
O professor afirma que o reconhecimento é fruto de longas horas de estudos e dedicação. "Agradeço imensamente todo o incentivo dos colegas, amigos, familiares, doutores do grupo de pesquisa da UFS e de todos os que compõem a equipe do Departamento de Educação Física (DEF) da Secretaria de Estado da Educação (Seed). O apoio da diretora do DEF, Maria Auxiliadora Pires, foi fundamental nesta conquista", reconhece.
Pesquisa e procedimentos metodológicos
Ao explicar como foi realizada a pesquisa, Lucio Marques Vieira Souza comenta que o HIIT promove adaptações semelhantes aos exercícios de longa duração e baixa intensidade, tais como a melhora da capacidade cardiorrespiratória, do volume máximo de oxigênio, do metabolismo durante o repouso, do aumento da ventilação pulmonar, entre outras.
De acordo com ele, essas adaptações são obtidas com duração muito inferior em intensidades máximas ou submáximas, com segundos ou poucos minutos de intervalo. Contudo, a frequente realização pode aumentar a suscetibilidade a lesões, promover a fadiga crônica e overtraining, ou seja, condição resultante de se fazer mais exercícios que o corpo é capaz de recuperar. Desta maneira, ocorre a elevada síntese de espécies reativas de oxigênio.
"Trocando em miúdos, o aumento de espécies reativas de oxigênio pode levar ao estresse oxidativo. Esta alteração é caracterizada como um estado de
desequilíbrio entre as reações de oxidação e de antioxidação. Entretanto, os efeitos do HIIT sobre o estado oxidativo e danos musculares ainda não estão bem esclarecidos na literatura científica. É necessário explicar que o objetivo do estudo foi verificar os efeitos do HIIT de curto prazo sobre os biomarcadores de estresse oxidativo e danos musculares em ratos da linhagem Wistar", comenta.
O treinador evidencia que o estudo necessitava de avaliações mais precisas fisiológicas e bioquímicas e por este motivo foi testado no modelo animal. Lucio Marques Vieira Souza lembra que a pesquisa foi desenvolvida em três momentos. "No primeiro, avaliou-se os efeitos do HIIT de curto prazo sobre os marcadores de estresse oxidativo e danos musculares. Logo em seguida, buscou-se caracterizar as respostas dos marcadores de estresse oxidativo cardíaco ao HIIT em ratos. Por último, foi o instante de verificar o impacto de 12 sessões consecutivas e não consecutivas do HIIT no estresse oxidativo hepático", recorda. "A partir dos experimentos realizados, concluiu-se que o HIIT, seja realizado em dias consecutivos ou não consecutivos, não promoveu danos hepáticos, cardíacos e musculares em ratos", declara.
Trajetória
Lucio Marques Vieira Souza além de ser treinador do Centro de Esporte Escolares da Secretaria de Estado da Educação é professor do curso de Bacharelado em Educação Física na Universidade Maurício de Nassau. Ele atuou como treinador de Equipe de Futsal Escolar (2013 – 2016). Atualmente é aluno do Doutorado em Biotecnologia na UFS, onde desenvolve pesquisas com temas relacionados ao exercício físico, estresse oxidativo, danos musculares, processo inflamatório e produtos naturais. O professor dedica parte do seu tempo livre para ministrar palestras e participar de congressos e cursos. Ele se formou em Educação Física pela Unit, tem Especializações em Fisiologia do Exercício pela Faculdade Estácio (Fase) e Gestão em Saúde pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Ele tem experiência na área de Educação Física, com ênfase em Educação Física Escolar, Treinamento Esportivo no Futsal, Treinamento Funcional, Ginástica Laboral, Avaliação Física e Treinamento de Força, Gestão em Espaços Fitness.
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