Por ASN
Fonte: Ascom/ Seduc
Os fitoterápicos são produtos desenvolvidos a partir de plantas medicinais ou de seus derivados, sendo utilizados para o tratamento de diversas enfermidades e sintomas. Com o objetivo de oferecer uma alternativa mais acessível desse medicamentos à população de baixa renda, a professora Lark Soany, do Centro de Excelência Dom Juvêncio de Britto, em Canindé de São Francisco, no alto sertão sergipano, criou o projeto ‘Farma-Sertão’, por meio do qual os alunos produzem fitoterápicos a baixo custo, utilizando as plantas nativas da região. A prática é realizada no laboratório da escola da rede estadual de ensino e também nas cozinhas das casas dos estudantes, com material alternativo e de forma replicável.
O projeto ganhou visibilidade durante a edição de 2022 da Feira Científica de Sergipe (Cienart), na qual conquistou a terceira colocação. A conquista ainda garantiu uma indicação do ‘Farma Sertão” à Mostra Nacional de Ciência e Tecnologia, que será realizada entre os dias 23 e 29 de julho na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba (PR), durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
E de acordo com a professora Lark, a iniciativa não parou por aí, ultrapassando fronteiras nacionais e até internacionais. “Além da mostra nacional da SBPC, o Farma-Sertão também irá representar Sergipe na Mostra Nacional de Feiras de Ciências que acontecerá em setembro, em Brasília. Já estamos selecionados para participar da FeNaDante [Feira de Ciência e Tecnologia das Nações], do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Temos também uma credencial para a Mostra Científico Latino-americana, que acontecerá no Peru”, detalhou.
Ainda segundo Lark Soany, além da produção dos fitoterápicos, também está sendo desenvolvido um site com informações educativas sobre o uso das plantas medicinais, a fim de facilitar o acesso da população a esse tipo de conhecimento. Nesse sentido, a professora acredita que o projeto também possibilita uma maior divulgação do trabalho científico desenvolvido na educação básica do estado, além de levar o nome de Sergipe para outras regiões.
Atualmente, três pessoas desenvolvem o projeto orientado pela professora. Uma delas é Ana Clara Silva Almeida, de 18 anos, aluna egressa do Centro de Excelência Dom Juvêncio de Britto. Ela conta que por meio do ‘Farma Sertão’ teve a oportunidade de desenvolver melhor seus conhecimentos e habilidades, tendo inclusive contribuído na construção de artigos científicos. Contudo, ela acredita que os benefícios vão muito além da sala de aula. “Eu me encontrei, vi um propósito. O que mais me motivou e me motiva diariamente é saber que posso mudar a vida de alguém. Viver e ser parte desse projeto foi uma das melhores escolhas da minha vida”, considerou.
Assim como ela, o estudante Diógenes Felipe dos Santos, 17, também do Centro de Excelência Dom Juvêncio de Britto, relatou que foi a partir do ‘Farma-Sertão’ que seus olhos se abriram para a ciência. “À medida em que fui me adentrando ao projeto, às pesquisas e aos testes, fui percebendo o quão importante e necessário ele é. Ele me trouxe um desejo a mais de estudar sobre as plantas e foi a partir dele e do incentivo dos professores que eu me apaixonei pela ciência”, disse.
Esperando ansiosamente pela viagem, o estudante ainda compartilhou sua empolgação com a oportunidade de trocar conhecimentos e experiências com outras pessoas de todo o país. “Estou muito ansioso para este momento tão especial que é participar do maior evento de divulgação científica da América Latina”, concluiu.
Cienart
A Cienart reúne anualmente cerca de cinco mil pessoas na UFS, entre pesquisadores, professores, estudantes da educação básica e das universidades, num momento de troca de experiências e assim popularizando a ciência, a tecnologia, as artes e a inovação produzidas no estado. Este ano, a feira ocorre no Espaço de Vivências da Universidade Federal Sergipe (UFS), dia 20 de outubro, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.
O evento é uma iniciativa conjunta da Associação Sergipana de Ciência (ASCi), com a UFS e Instituto Federal de Sergipe (IFS). A Cienart conta com o apoio de diversas instituições, a exemplo do CNPq, MCTIC, Fapitec, SEB/MEC, Capes, Seduc, Semed, Fenem-SE e Sease.

