Por Arthur Dias/ Estágiario
Fonte: Ascom/ Seduc
O clube promove discussões e a revalorização da literatura negro-brasileira com o objetivo de empoderar os estudantes, como também fomentar práticas antirracistas na educação básica, a partir de autores (as) não-brancos.
O Colégio Estadual João Batista Nascimento, localizado no município de Nossa Senhora do Socorro, jurisdicionado à Diretoria Regional de Educação 8, proporciona aos alunos do 1º ao 3º ano do ensino médio regular a oportunidade de participar de um projeto inovador, que valoriza a literatura afro-brasileira e incentiva práticas de leitura e desenvolvimento crítico e literário: o Clube de Leitura Escrevivências de Mulheres Negras, coordenado pela professora de sociologia da unidade de ensino, Jaqueline Portela, e pela professora do departamento de Letras Estrangeiras da Universidade Federal de Sergipe, Alessandra Corrêa de Souza. O foco é incentivar a literatura afro-brasileira e fomentar a discussão e a apreciação de textos de escritores e escritoras negros que muitas vezes foram invisibilizados não só nas escolas, mas também na literatura brasileira em geral.
O projeto surgiu a partir da ideia das duas professoras em estabelecer raízes das pautas afrocentradas e antirracistas na educação básica, algo já trabalhado por Alessandra com seus alunos do curso de Letras Estrangeiras na UFS. A partir do edital da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec), elas conseguiram recursos financeiros para oficializar o projeto nesse ambiente, mas não foi só isso. “O dinheiro de fomento era mínimo, e Jaqueline teve a brilhante ideia de criarmos uma rifa para contribuir com a alimentação dos estudantes. Como a fundação determina como devemos utilizar essa verba, fizemos uma nova rifa para suprir as necessidades do projeto”, afirmou a professora.
O clube de leitura acontece por meio de reuniões quinzenais e proporciona aos alunos um espaço acolhedor, no qual compartilham suas leituras e dialogam sobre as obras selecionadas. Nas rodas de conversa, os estudantes têm a oportunidade de expressar suas opiniões, debater ideias e aprofundar seus conhecimentos sobre a produção literária afro-brasileira.
A professora Jaqueline Portela, além de ressaltar a necessidade de discussão das questões raciais no chão da escola, explicou outro ponto interessante do projeto: a realização de encontros com escritores de Sergipe e também da Bahia, os quais proporcionam aos estudantes a oportunidade de conhecer de perto esses autores e autoras, ouvir suas histórias e experiências de vida.
“O clube de leitura desenvolve diversas atividades. Além de leitura e discussão de textos literários de autoria negra, organizamos encontros e bate-papo com autores negros (as) afro-sergipanos e afro-baianos, a exemplo da autora Daniela Bento e do autor Leno Sacramento. Desenvolvemos também estudos teóricos sobre a questão racial no Brasil, refletindo sobre os temas raciais, sociais e econômicos e o letramento racial”, exaltou Jaqueline.
A professora Alessandra reiterou a importância de projetos como o do clube de leitura, pois é essencial entender que a luta contra o racismo deve priorizar a descolonização de mentes, o alcance da equidade e o reconhecimento dos grupos que são historicamente marginalizados em diferentes esferas, como nos livros didáticos e nos três poderes. “É de suma relevância para a nossa sociedade civil, visto que vivemos em um país estritamente racista que nega praticar o racismo cotidiano e que não entende que o antirracismo é um exercício diário. Ações como as nossas problematizam grupos que exigem reparação histórica e que iniciamos pela educação”, relatou.
Escrevivência negra nas redes sociais
O Clube de Leitura Escrevivências de Mulheres Negras vai muito além de uma simples discussão em sala de aula. Os alunos também têm a tarefa de criar materiais de divulgação para as redes sociais, como resenhas, recomendações de leitura e análises críticas dos livros abordados. Essa participação ativa na divulgação da literatura afro-brasileira contribui para disseminar a importância dessas obras e autores e autoras, sobretudo alcançar um público mais amplo e promover a valorização da diversidade literária no país.
“Os alunos produzem conteúdo digital para o nosso Instagram, produzem textos poéticos e resenhas e participamos de encontros científicos. O clube tem um ano de existência e já temos mais de 5 livros lidos, além de sermos citados em diversas matérias nacionais, a exemplo do site Porvir e Educa Mais Brasil”, completou Jaqueline Portela.
Ela acrescentou que as escolas precisam se comprometer na implantação da Lei 10.639/2003, que versa sobre a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas.
“O projeto tem como objetivo principal fomentar práticas de leituras e o desenvolvimento crítico e literário no contexto escolar a partir de textos que buscam desconstruir uma visão homogênea e mitificada na literatura ao oportunizar a leitura de escritores e escritoras até então invisibilizados pela literatura brasileira. As atividades desenvolvidas com os alunos buscam contemplar, de forma lúdica, temáticas voltadas às questões raciais, à apresentação e estudo da produção literária de autoras negras e o letramento racial”, encerrou.
Basta acessar o link a seguir para conferir todo o trabalho realizado pelos alunos do Colégio Estadual João Batista Nascimento em sua luta diária pela visibilidade da escrevivência negra nas escolas: https://instagram.com/projetoescrevivencias?igshid=MmJiY2I4NDBkZg==.



