Seduc dialoga sobre educação antirracista no encontro do projeto Ilé-Iwé

Por Silvio Oliveira
Fonte: Ascom/ Seduc


O professor do Centro de Excelência Nelson Mandela, Evanilson Tavares, levou ao encontro a palestra “A Colonialidade do Currículo”, além da performance orientada por ele do grupo Parlacênico

O terceiro encontro do projeto Ilé-Iwé reuniu nesta segunda-feira, 21, no auditório do Ministério Público Estadual, em Aracaju, representantes de instituições, de associações, do movimento negro e das organizações governamentais, com o objetivo de dialogar sobre o cumprimento da lei 10.639/2003, que estabelece a inclusão no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira.

O evento iniciou-se com o Hino Nacional entoado pela banda percussiva Olodum. Houve um minuto de silêncio pela morte da ativista Mãe  Bernadete. O Procurador-Geral de Justiça do MPE/SE, Manoel Cabral Machado Neto, abriu os trabalhos e destacou o Ministério Público como uma instituição fiscalizadora que tem de estar presente nas discussões sobre políticas públicas que afastem a exclusão social e qualquer tipo de discriminação.


O procurador Manoel Cabral Machado Neto lembrou os 20 anos da lei 10.639/03 e disse que “feliz do povo que cultua a sua história, do povo que tem memória”. E que juntamente com a sociedade, o MPE é a Casa da Cidadania e estará sempre presente em encontros do Ilé-Iwé para melhor encaminhar pautas afirmativas.

O promotor de Justiça e coordenador da Promotoria de Igualdade Étnico-Racial do MPE/SE, Luiz Fausto de Valois, em sua fala, disse ser muito importante que se dê continuidade à implementação da lei 10.639 e seus estudos para que, de fato, haja uma educação antirracista.

Ele parabenizou os professores presentes que fazem história na rede pública de educação na construção de uma educação antirracista, a exemplo do professor do Centro de Excelência Nelson Mandela, Evanilson Tavares Franco,  um dos palestrantes do dia e que desenvolve o projeto Alma Africana em escolas estaduais; e da professora do Centro de Excelência Atheneu Sergipense,  Clélia Ferreira Ramos, orientadora do projeto Um quê de Negritude , entre vários outros professores anônimos que fazem a sociedade refletir o quanto é importante que se cumpra a lei. “São tantos professores que trabalham no anonimato para que o jovem e a jovem sejam protagonistas e que compreendam seu cabelo, seu turbante, seu nagô, sua linguagem”, disse.

A técnica do Departamento de Educação da Seduc, Claudete Santos, no encontro representando o secretário de Estado da Educação e da Cultura, Zezinho Sobral, lembrou que racismo é crime e deve ser combatido. Para ela, a escola é um espaço de manifestação contra todos os tipos de preconceitos.

A desconstrução da colonialidade


O professor Evanilson Tavares levou ao encontro a palestra “A Colonialidade do Currículo”, um tema bastante atual nascido nas Américas do século XV, como um conjunto de fatores de poderes que atuam na produção do saber e do ser, e que faz olhar a Europa como um continente superior. O Prof. Evanilson destacou que é mais difícil combater o racismo se não combater a colonialidade.

“É na colonialidade que vai ter a concepção de que alguns seres são humanos e outros são os sub-humanos ou inumanos. Então, como são sub-humanos ou inumanos podem ser explorados pelos humanos. É essa visão que vai estar dizendo que a cultura europeia é superior à cultura latino-americana; que vai dizer que o branco é superior ao negro, faz a divisão do civilizado e do selvagem, da cultura erudita e da cultura popular. A gente precisa romper com essa racionalidade para conseguir, na minha leitura, fazer um combate forte, sólido e consolidado do racismo.  Assim como tratar grupos como minorias, quanto na verdade são maioria”, afirmou.

O grupo de teatro Parlacênico, composto por estudantes do Centro de Excelência Nelson Mandela, realizou uma performance no evento. A apresentadora e jornalista Anne Samara também fez uma palestra com o tema “Diversidade Étnico-Racial”. 

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