Por Ítalo Marcos
Fonte: Ascom/ Seduc
A Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc), por meio do Departamento de Educação, Serviço de Educação do Campo e Diversidade (DED/Secad), iniciou na tarde de terça-feira, 1º de junho, a formação com o tema “Desafios e Perspectivas da Educação Escolar Quilombola: Reflexões sobre a prática´´. O curso é destinado às equipes gestoras e docentes das unidades escolares das Redes Estadual e municipais localizadas em comunidades quilombolas sergipanas. A formação foi realizada por meio da plataforma Google Meet e foi conduzida pelo técnico do Secad e coordenador de Escola Quilombola, Wendel Salvador, que neste primeiro módulo falou sobre “O poder da linguagem e o conceito de Quilombo a partir da obra de Abdias Nascimento e Beatriz Nascimento”.
A diretora do Departamento de Educação, Ana Lúcia Lima, elogiou o conteúdo que estava sendo passado para os professores. “Nossos estudantes precisam conhecer mais a história da raiz brasileira. Somos uma miscigenação muito grande; e que bom que é assim. Hoje foram trazidos muitos aspectos importantes que devemos aprender, até mesmo para a gente se policiar em nossa fala, porque existem os resquícios de vícios de linguagem, e a gente não para com a finalidade de pensar que estamos reproduzindo algo que não cabe mais em uma sociedade democrática e igualitária”, disse.
A coordenadora do Secad, professora Acácia Daniel, considerou bastante relevante a formação. “É uma oportunidade para que os professores das escolas quilombolas possam desenvolver melhor as práticas que já desenvolvem. Nessa formação estão sendo tiradas muitas dúvidas. Está sendo um trabalho de muita motivação para os professores”, declarou.
Formação
O curso será realizado na modalidade a distância, durante quatro semanas, com atividades síncronas e assíncronas, entre os dias 1º de junho e 13 de julho, e com carga horária total de 20 horas/aula. A formação acontecerá em quatro módulos: módulo 1: O poder da linguagem e o conceito de Quilombo a partir da obra de Abdias Nascimento e Beatriz Nascimento; módulo 2: Histórico da Educação Escolar Quilombola; módulo 3: História e Cultura Afro-Brasileira; e módulo 4: Propostas de atividades para as aulas.
Wendel Salvador, técnico do Secad, falou nesse primeiro momento sobre a necessidade de se repensar a linguagem como forma de evitar preconceitos ou colocações equivocadas. Ele deu exemplos de diversas frases que são carregadas de discriminação, muitas delas faladas sem intenção ou sem a devida reflexão. Wendel trouxe, ainda, alguns ensinamentos contemporâneos, como os da escritora portuguesa Grada Kilomba, reconhecida pelo seu trabalho que tem como foco o exame da memória, trauma, gênero, racismo e pós-colonialismo.
Wendel destacou que, geralmente, em escolas quilombolas, há uma rotatividade muito grande de professores, e por isso, alguns deles não sabem sobre a temática e a história das comunidades em que estão inseridos. “Isso faz com que eles não trabalhem esses conhecimentos, que podem fazer parte do planejamento das suas práticas pedagógicas. Esse curso tem como proposta que a gente veja os fundamentos teóricos dessa educação escolar quilombola e discuta subsídios pedagógicos que a gente pode usar para dinamizar essas aulas, fazendo com que se utilize dessas temáticas para além das datas festivas relacionadas à cultura negra ou mesmo da história das comunidades”, disse.
Para ele, os conhecimentos a respeito da cultura quilombola devem ser trabalhados nas escolas de maneira contínua. “Temos que levar esses conhecimentos sempre, e não apenas nas datas comemorativas. Temos que fazer com que os alunos se reconheçam e tenham orgulho da sua identidade”, afirmou.
No encerramento do primeiro módulo, o espaço foi aberto para os participantes se manifestarem. A professora Sofia Arcanja destacou a necessidade desse curso formativo. “Dói muito falar na educação quilombola, porque ainda persiste esse rastro de desigualdade e discriminação entre nós. Diante da prática escolar, a gente vê a necessidade de uma formação como essa para estudarmos vozes atuais e contemporâneas e ampliarmos os nossos horizontes. A gente precisa que nossos alunos se aceitem no espaço escolar”, declarou.








