‘Sobreviventes de Palmares’ emociona público durante temporada no Teatro Atheneu

Por Michele Becker
Fonte: Ascom/ Seduc

O espetáculo é dirigido pelo professor Evanilson de França e protagonizado por alunos do Centro de Excelência Nelson Mandela, em Aracaju.

 

 

Em alusão à Semana da Consciência Negra, o Centro de Excelência Nelson Mandela, localizado em Aracaju, realizou a culminância do projeto ‘Alma Africana’, nos dias 20 e 21 de novembro, com uma série de apresentações de teatro e dança do Grupo ParlaCênico. O espetáculo dirigido pelo professor Evanílson de França e protagonizado por alunos do Nelson Mandela teve como temática os ‘Sobreviventes de Palmares’ e aconteceu no Teatro Atheneu. 

 

Para muitos integrantes do Grupo ParlaCênico, o nervosismo tomou conta de seus corpos e ficou estampado em suas faces. Com razão, haja vista que essa foi a primeira experiência de palco para a garotada. Para Cauã Levi Conceição dos Santos, aluno do Centro de Excelência Nelson Mandela e integrante do grupo de teatro, não foi diferente. “Na primeira cena eu fiquei muito nervoso, mas depois fui me acostumando com o público e consegui retomar a concentração. Agora estou mais tranquilo, pois tenho recebido elogios da peça. Acho que ela ajudou a conscientizar muita gente sobre as consequências nefastas que o racismo pode causar na vida das pessoas ”, frisa.

 

Orgulhosa, a mãe, Maria Aparecida, descreve a sensação de ver o filho Cauã Levi se apresentando pela primeira vez no palco de um teatro. “Foi uma sensação maravilhosa. Eu cheguei a chorar porque é um momento único ver meu filho se apresentando pela primeira vez num teatro, sobretudo, ao interpretar um tema tão caro à gente: ver como a nossa cultura, como o nosso povo foi e continua sendo perseguido e maltratado. E nesta semana em que se comemora a Consciência Negra, essa peça também simboliza a liberdade de expressão de que tanto precisamos”, reforça. 

 

Para a aluna da segunda série do Ensino Médio, do Centro de Excelência Atheneu Sergipense, Sthefany Hora, a apresentação foi incrível porque trata da nossa história e de como o povo africano contribuiu para o que hoje chamamos de nação. “Nesta apresentação ficou claro que não se deve julgar outras pessoas pela cor da pele ou pelo seus modos de pensar. A maioria dos alunos cometem racismo achando que é de brincadeira, mas não existe ‘racismo leve’, nem ‘racismo pesado’. Racismo é racismo e ponto final. Precisamos, com urgência, repensar nossa postura para agir de forma antirracista”, destaca.

 

A diretora Inácia Maria Rodrigues do Nascimento lembra o quanto foi desafiador ter um grupo de teatro escolar. “Quando o professor Evanílson chegou a nossa escola, ele disse que tinha um projeto de teatro para os alunos e ouviu de mim: vamos lá! Porque, como gestora, meu papel é garantir que os alunos do Nelson Mandela tenham acesso ao que há de melhor para sua formação. Hoje posso dizer que esse trabalho merece todo o nosso reconhecimento. O espetáculo foi maravilhoso. Ficamos muito emocionados, choramos muito, além de descobrirmos grandes talentos em nossa escola”, comenta.

 

O professor Evanílson de França não cansa de tecer elogios para a sua trupe.  “Eles são extraordinários.  Eles são capazes de mover o universo. Nos fazem rir e chorar, nos provocam, nos fazem repensar nossas atitudes, mudar nossas opiniões. Eles me comovem”, diz o educador, ao afirmar que, em se tratando de alunos da escola pública, é preciso inverter o princípio de São Tomé. “Não é ver para crer. É crer para ver. Como educador, eu acredito no poder transformador desses jovens”, completa.

 

18 anos do projeto

 

O projeto foi criado em 2005, no Colégio Estadual Professor Benedito Oliveira, também na capital. Em 2022, o projeto foi implementado em outro colégio da rede pública estadual, o John Kennedy. Agora em 2023, foi remanejado para o Colégio Estadual Nelson Mandela, onde é coordenado pelo professor Evanílson de França, um dos criadores do projeto.

 

São desenvolvidas atividades que se prolongam pelo ano inteiro, visando a celebrar o dia da consciência negra não apenas em 20 de novembro, mas em todo o ano. São ações como oficinas, rodas de conversa e também visitas às mais de trinta comunidades quilombolas de todo o estado, onde são realizadas rodas de conversa, entrevistas e registros fotográficos.

 

As turmas que realizam essas visitas participam de um intercâmbio cultural com outros alunos, a fim de partilhar as experiências da visita. A ação é mais uma iniciativa desenvolvida pelas escolas da rede pública estadual que constroem práticas relacionadas ao cumprimento da lei 10.639/2003, que trata da inclusão no currículo oficial da rede de ensino e da obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira, e fomentam a educação antirracista, por meio de rodas de conversa, vivências, apresentações teatrais e a integração entre alunos e a sociedade.

 

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