Um Quê de Negritude saúda as águas e elementos da cultura e da religião afro-brasileira no Dia da Consciência Negra

Por Lucas Silva
Fonte: ASCOM / SEED

A apresentação levou ao teatro mais de 1.000 alunos da rede pública estadual. Há 11 anos em atividade, o grupo de dança é dirigido pela professora Clélia Ramos e composto por alunos e ex-alunos do Centro de Excelência Atheneu Sergipens

 

Por Lucas Silva

 

No Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado nesta segunda-feira, 20, o grupo Um Quê de Negritude subiu ao palco do Teatro Tobias Barreto, em Aracaju, para apresentar a estudantes da rede pública estadual o espetáculo de dança "Omió-Omiró – Águas que lavam a vida e lavam a alma". Em suas montagens, o grupo de dança do Centro de Excelência Atheneu Sergipe objetiva divulgar a cultura afro-brasileira por meio de expressões artísticas e promover reflexões sobre o racismo e o preconceito racial na sociedade. O espetáculo será reapresentado nesta terça-feira (21) para estudantes da escola e convidados.

 

Um Quê de Negritude apresentou de forma lúdica, no programa em cartaz, a história de diversas divindades de religiões de matriz afro-brasileira, muitas das quais relacionadas às águas, tema principal do espetáculo comemorativo aos 11 anos de atividades deste projeto de dança, idealizado e dirigido pela professora do Atheneu Sergipense Clélia Ferreira Ramos. A produção do espetáculo conta com o envolvimento direto de 120 estudantes, dos quais 80 ainda são alunos e outros 40 ex-alunos da escola.

 

Este ano, o projeto Um Quê de Negritude se integrou ao modelo de ensino em tempo integral do Centro de Excelência Atheneu Sergipense e passou a ser uma das disciplinas eletivas da escola. Segundo Clélia Ramos, a formação do grupo surgiu a partir do desenvolvimento de um projeto fundamentado na obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-brasileira nas escolas brasileiras, lastreado pelas leis N° 10.639/ 03, promulgada pelo governo federal e a de n° 5.497/04, do Governo de Sergipe.

 

"Este ano nós fizemos uma remontagem do espetáculo Águas, apresentado ao público em 2014, porém com uma nova roupagem e alguns diferenciais. Nós estamos apresentando aos alunos que vieram nos prestigiar que a cultura africana existe e que ela faz parte das nossas origens e dos nossos antepassados. Esta é uma montagem que retrata a cultura Afro-brasileira", explica a professora e diretora-geral do grupo Um Quê de Negritude.

 

De acordo com Clélia Ramos, ao se apresentarem, os integrantes do grupo se sentem "envaidecidos em retratar uma cultura que de certa forma ainda é vítima de preconceito". "A partir da participação e do envolvimento deles em todo processo de produção e montagem dos espetáculos, os alunos passam a assumir o cabelo, o tom da pele, começam a se reconhecer dentro da nossa sociedade", destaca a professora.

 

Ancestralidade

 

Com um cenário que remete o expectador a uma imersão ao fundo do mar, seja ele de água doce (omió) ou de água salgada (omiró), o espetáculo trouxe em cores e músicas um pequeno recorte da ancestralidade religiosa africana. Omió-Omiró é uma saudação às águas, "considerada purificadora na maioria das religiões", explica Clélia, também responsável pelo roteiro e textos da montagem.

 

A coreografia de dança afro ficou por conta do coreografo Adriano Matos, que assinou ainda com Clélia os figurinos e assessórios.

 

Narrado pelo professor e historiador Fernando Aguiar, a montagem atual do grupo Um Quê de Negritude introduziu muitos estudantes ao universo místico dos orixás e entidades de religiões de matrizes africanas, como o candomblé. "Abordar essa temática no Dia da Consciência Negra foi muito oportuno. Ainda temos pouca discussão nas escolas sobre a verdadeira história dos negros trazidos da África que foram escravizados aqui no Brasil. A história deles é também a nossa história", afirmou Henrique Santana, aluno do ensino médio no Centro de Excelência Santos Dumont.

 

Após assistir ao espetáculo juntamente com seus alunos do Ensino Médio, o professor de História do Colégio Estadual Gonçalo Rollemberg Leite, Alexandre Melo, ressaltou que em razão do preconceito social sofrido pelos negros em nossa sociedade, a discussão proposta pelo grupo de dança do Atheneu Sergipense é muito importante. "Nos serve inclusive como subsídios para discussões em sala de aula, haja vista que a história e a cultura afro-brasileira é obrigatória em nossos currículos e já vem sendo estudada de modo mais aprofundado nos últimos anos".

 

Em sua primeira ida a um teatro, a pequena Ana Clara, aluna da Escola Estadual Julia Teles, ficou impressionada com a musicalidade e com os movimentos da dança. "Foi muito bonita a apresentação. Eu imaginava que veria coisas assustadoras quando me falaram que era sobre religião afro-brasileira, mas vi que não nada do que costumam nos dizer", frisou a jovem estudante.

 

Premiado, o grupo Um Quê de Negritude já foi indicado para representar o Brasil em encontro de Cultura Africana no Senegal, na África.

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