Por Leonardo Tomaz
Fonte: Ascom/ Seduc
Essas estratégias pedagógicas executadas fazem parte do Programa Alfabetizar pra Valer
Com o lançamento e sanção do projeto de lei (PL nº 8.597) que institui a criação do programa Alfabetizar pra Valer – Pacto Sergipano Pela Alfabetização na Idade Certa, o Governo de Sergipe, por intermédio da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc), dá prosseguimento à construção das estratégias que preveem a implementação de uma política de Estado que tenha como foco a alfabetização de todos os estudantes da rede pública matriculados nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, com ganhos maiores em Língua Portuguesa e Matemática, objetivo central do programa, que está sendo executado em regime de colaboração com os 75 municípios sergipanos.
Dando o pontapé inicial para o fortalecimento das políticas educacionais, a partir de um diagnóstico de alfabetização das crianças, em outubro, a Seduc realizou nas escolas estaduais e municipais uma avaliação de fluência em leitura direcionada aos estudantes do 2° ano do Ensino Fundamental, na qual eles foram submetidos a três tarefas: leitura de palavras, pseudopalavras e leitura de narrativa. No total, participaram desta ação 17.782 alunos, 3.455 dos quais são oriundos da rede Estadual; e 14.327 das redes municipais, atingindo 80% da taxa de participação.
A aplicação tem como critérios de avaliação a velocidade e a quantidade de palavras que as crianças leem e a precisão. "Com esses dados combinados estatisticamente serão gerados outros resultados e, a partir deles, as crianças foram distribuídas no perfil pré-leitor, leitor iniciante e leitor fluente", explicou Irene Ribeiro, técnica do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), entidade que desenvolveu a metodologia, por meio de um aplicativo para smartphones.
Após a finalização e análise das informações obtidas por meio da plataforma, foi possível chegar ao desempenho geral da rede pública de ensino (municípios e estado): 37.3% dos estudantes são caracterizados como pré-leitores, 29% são leitores iniciantes, 7.5% leitores fluentes, e 21.2% dos alunos apresentaram leitura insuficiente para definir um perfil estabelecido pelo sistema do CAEd.
Devolutiva dos resultados
Com as informações computadas, a Seduc reuniu nos dias 11 e 12 de dezembro representantes das Diretorias Regionais de Educação e secretários municipais de Educação para apresentar um panorama da situação dos municípios sergipanos em relação à fluência de leitura dos estudantes do 2° ano do Ensino Fundamental das redes públicas. Além da devolutiva dos resultados, os presentes puderam acompanhar esclarecimentos de como a avaliação de fluência pode contribuir para a intervenção dos professores na sala de aula; e uma oficina para construção do Plano de Ação. Participaram das oficinas cerca de 130 pessoas, durante os dois dias de evento.
A coordenadora estadual da Avaliação de Fluência, professora Joniely Cruz, conta que, a partir de agora, as equipes de coordenadores regionais, representantes das DREs e das Secretarias Municipais de Educação, terão a missão de se debruçar sobre esses resultados com o objetivo de criar as estratégias estabelecidas no objetivo central do programa Alfabetizar Pra Valer. "Trata-se de uma soma de esforços, entre as redes municipais e estadual, para traçar um plano de ação, não só para o ano de 2020, mas para os anos futuros, pautado em dados e evidências que a fluência e esse processo – que foi uma amostra significativa – trazem para as redes se apropriarem e fazerem as intervenções qualitativas".
Essa ação prevê ainda uma articulação com os gestores municipais (prefeitos e secretários municipais) para gerar um comprometimento político com a realização desse diagnóstico. Além de gerar o protagonismo em cada município que faz sua análise dos dados, este cuidado inicial é fundamental para lançar as bases de um modelo de governança participativa em que os pontos de vista dos municípios sejam sempre levados em conta.
Sheila Romero, representante do CAEd, destacou a efetiva mobilização dos 75 municípios sergipanos para a aplicação da avaliação. "Esse resultado é muito significativo. Mostra o compromisso que os gestores têm com o direito de aprender dos seus alunos. Outro fato importante, que também levamos em consideração, foi o alto índice de participação dos alunos. Apesar das dificuldades com o uso da plataforma, houve um comprometimento muito grande com todo esse processo. Para a gente que trabalha há anos com avaliação, quanto maior o número de participantes, mais fidedigno será o diagnóstico".
Os resultados serão consolidados e devolvidos aos municípios, que farão uma ampla divulgação junto às escolas e a atores sociais, os mais diversos, como estratégia de problematização e pactuação pela alfabetização de todas as crianças.
Estado, municípios e a construção do Plano de Ação
Um dos eixos estruturantes da construção do Plano de Ação é justamente fazer com que os gestores se apropriem da avaliação para executar suas estratégias, como explica o técnico do CAEd, Igor Pfano, que conduziu as oficinas juntamente com Irene Ribeiro. "Esse plano será trabalho, principalmente, com o professor em sala, para que ele consiga compreender o que são esses resultados, o que é esse diagnóstico, o que a avaliação está investigando e, o mais importante, como essas informações vão ajudá-lo a repensar as suas práticas, não só como educador, mas também como gestor de escola, gestor de rede, porque se trata de um planejamento que seja construído de forma coletiva, que conte com todo o aparato da gestão e dos atores envolvidos", disse.
A professora Andreia Dantas, diretora da Coordenação de Gestão Democrática de Articulação com os Municípios (Cogedam), destaca que, dentro dessa perspectiva de estudo dos dados, os resultados da Avaliação de Fluência, divulgados por município, serão compartilhados durante a Semana Pedagógica a fim de que as escolas possam estruturar seu plano de ação para o ano letivo 2020. "É uma estratégia para que os gestores e professores pensem juntos e façam um trabalho colaborativo com o objetivo de melhorar nossos indicadores", disse.
Com 1.300 alunos, a rede municipal de Educação do Município de Divina Pastora também aderiu à pactuação a fim de elevar seus resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Zuleide Oliveira, coordenadora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação (Semed), garante que as estratégias que estão sendo executadas trarão a qualificação do processo colaborativo. "Receber todas essas informações da avaliação de fluência é de suma importância porque nos permitirá repensar e replanejar o ano letivo de 2020", enfatizou.
Outra gestora que aprovou a iniciativa foi a professora Fabiana Nogueira Araújo, coordenadora pedagógica da Semed de Neópolis. Para ela, a devolutiva é um instrumento que promove a construção de novas estratégias pedagógicas a serem aplicadas de forma contínua.
Sistema de avaliação próprio
Com a criação do Alfabetizar pra Valer, surge ainda o Sistema de Avaliação da Educação Básica do Estado de Sergipe (Saese), projeto de lei (PL nº 8.595) aprovado na Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Alese) e sancionado pelo governador Belivaldo Chagas. O sistema avaliará se as estratégias do programa têm impactado na Educação de Sergipe. O Saese promoverá a formulação e o monitoramento das políticas educacionais no Estado por meio de diagnóstico dos níveis de aprendizagem dos estudantes das redes públicas estadual e municipais.
Com a criação do sistema próprio, todo esse percurso de avaliação será executado pelo Saese, a partir de 2020. As escalas de proficiência utilizadas pelo Saese permitirão a comparabilidade com as das avaliações externas que compõem o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), produzidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep.
O público-alvo do Saese são os alunos do 2º, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e 3ª série do Ensino Médio, nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, podendo, a qualquer tempo, estender-se a outros anos e a outros componentes curriculares da Educação Básica.









