Por Ítalo Marcos
Fonte: Ascom/ Seduc
Encontro remoto discute e indica ações para que a comunidade escolar possa trabalhar com os alunos no momento de retorno presencial às aulas
A Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura, através do Departamento de Apoio ao Sistema Educacional (Dase), realizou na manhã desta quinta-feira, 11, o webinar intitulado “Acolhimento Socioemocional na Escola: Caminhos e Possibilidades”. O encontro remoto foi transmitido pelo canal do YouTube Educação Sergipe e contou com a participação de profissionais das áreas da Educação, Saúde, Direito, Pedagogia e da Psicologia, que discutirem as relações socioemocionais na escola neste momento em que há um distanciamento físico e sobrecarga de efeitos físicos e mentais em decorrência da pandemia.
O webinar foi mediado por Marcia Furlan de Almeida, coordenadora do Núcleo de Apoio Socioemocional (NAS/ SEPEDH/ Dase). Ela destacou que é de fundamental importância o reconhecimento de que as pessoas se encontram fragilizadas emocionalmente, sendo necessário priorizar o acolhimento, uma boa comunicação e a escuta empática. “Esse é um momento oportuno para desenvolver ações que promovam o bem-estar e a saúde mental dos nossos estudantes e toda a comunidade escolar. Nas primeiras semanas do ano letivo de 2021 as escolas devem organizar momentos e espaços adequados para realizar o acolhimento, favorecendo a integração entre estudantes, professores, pais e funcionários”, declarou.
O encontro remoto foi pensado para preparar e acolher os profissionais da educação, reunindo técnicos que realizam trabalhos análogos ao tema para promoverem momentos de reflexão e trocas que contribuirão para a realização do acolhimento socioemocional dos estudantes no início do ano letivo 2021.
Debate
Um dos convidados para o debate foi o médico Byron de Oliveira Ramos, professor de Pediatria aposentado da UFS. Dentro das suas considerações, ele falou sobre a necessidade do retorno às aulas presenciais, seguindo todos os protocolos de segurança, pois as aulas remotas fazem com que as crianças passem muito tempo em frente à tela de computadores ou celulares, o que pode trazer prejuízos. “Muito tempo de tela cria uma certa dependência nas crianças. Vejo a necessidade de, nesse momento, haver o retorno a aula presencial. A escola não é apenas um prédio, mas é constituída de pessoas. Precisamos ter um olhar diferenciado, pois as regras de protocolo e higienização, apenas, não dão conta. Temos que estar atentos a questão da saúde emocional dos alunos. As aulas presenciais é um passo que tem que ser dado e esse é o momento de se contar com todos os profissionais no sentido de amenizar e conseguir que seja menos dolorido”, afirmou.
Nadja Tavares Bispo Reis, técnica pedagógica da Seduc, especializada em Desenvolvimento Pessoal e Resolução de Conflitos; Comunicação Não Violenta e Círculos Restaurativos, propôs aos alunos e professores uma lista de ações cotidianas para desenvolverem a esperança, como a utilização de comunicação clara e afetuosa, exercer a gratidão, alimentar boas lembranças, entre outras. “A gente espera que esse pacto de esperança floresça nas nossas escolas, na vida e no cotidiano dos nossos alunos, e que todos se sintam abraçados e acolhidos por nós”, disse.
A advogada Glícia Salmeron, conselheira federal da OAB e presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e da Adolescência, falou sobre o tema “Importância do Acolhimento como possibilidade e caminho para uma escola que protege”. Ela ressaltou que a Seduc tem contribuído bastante para o trabalho realizado pelo conselho, no sentido de formular, discutir e deliberar política pública para garantir os direitos da criança e do adolescente. “Temos ainda a esperança de que existem pessoas com o compromisso social que precisa garantir que as futuras gerações ainda tenham seus direitos resguardados. Um ato como esse de hoje traz a possibilidade de, transversalmente, analisar, refletir e discutir caminhos”, declarou.
O debate se encerrou com a participação da professora Josi Marques, graduada em Língua Portuguesa e pós-graduada em Gestão Educacional, radialista e assessora de Comunicação da Prefeitura Municipal de Propriá. Ela fez uma importante fala sobre os benefícios da educação em tempo integral para a vida emocional dos jovens e dos professores. A professora, que ensina no Centro de Excelência Joana de Freitas Barbosa, em Propriá, contou que diariamente recebe na escola uma demanda de jovens emocionalmente fragilizados em questões como família, autoestima, autoconhecimento e perspectivas para o futuro.
“Nós vimos a realidade de muitos alunos ser modificada justamente por causa dessa educação socioemocional que trabalhamos na escola de tempo integral de uma forma mais demorada, na qual o aluno é visto de forma individual. Precisamos ter esse olhar mais empático, nos concentrarmos em passar cada vez mais para eles algumas competências e habilidades, como a resiliência. A escola tem um papel fundamental, mas também precisamos de políticas públicas comprometidas com a educação, e programas que visem cada vez mais a formação integral desses jovens em Sergipe”, afirmou.






