Iniciativa a ser apresentada no Seminário de Equidade entre os dez projetos de unidades escolares estaduais reflete meses de estudos e produções sobre referências femininas negras brasileiras na Semana da Consciência Negra
Autora: Izabela Campos (estagiária)
O Centro de Excelência Abdias Bezerra, localizado em Ribeirópolis, no agreste central sergipano, prepara-se para apresentar, no Seminário Educação e Equidade: Caminhos para uma Escola Antirracista, o projeto ‘Conexão de Saberes: A força e a resistência feminina’, que integra as ações da Semana da Consciência Negra. Desenvolvida a partir de leituras, pesquisas, debates e atividades práticas realizadas pelos estudantes, a iniciativa destaca a trajetória de importantes personalidades femininas negras brasileiras e reforça o compromisso da escola com a valorização da identidade, da luta e do protagonismo da mulher negra.
O projeto surgiu a partir da integração de antigos projetos das áreas de Linguagens e Humanas, unidos pela semelhança de objetivos e pela necessidade de fortalecer discussões sociais por meio da literatura e das artes. Com uma temática diferente a cada ano, o projeto tem como eixo permanente a valorização da cultura negra e o enfrentamento ao racismo, refletindo o compromisso da unidade escolar com uma educação antirracista. Em sua edição mais recente, intitulada ‘Conexão de Saberes: A força e a resistência feminina’, a iniciativa envolveu todas as turmas do Ensino Fundamental Maior e do Ensino Médio em Tempo Integral, reafirmando seu caráter coletivo e formativo.
Como principal instrumento pedagógico, o projeto utiliza a leitura como ponto de partida para promover reflexão crítica e ampliar a comunicação dos estudantes. Os paradidáticos selecionados, Quarto de despejo , de Carolina Maria de Jesus; Pequeno Manual Antirracista , de Damila Ribeiro; Diário de Anne Frank ; Torto Arado , de Itamar Vieira Junior; e Ponciá Vivêncio , de Conceição Evaristo, abordam vivências de força e resistência feminina marcadas pela fome, desigualdade, violência, racismo, preconceito e luta por dignidade. Ao trabalhar obras de autores negros e histórias que escancaram a realidade de mulheres negras brasileiras, o projeto fortalece a compreensão dos alunos sobre identidade, pertencimento e enfrentamento às estruturas racistas.
A partir dessas leituras, os estudantes desenvolvem atividades interdisciplinares, como apresentações musicais, teatrais e desfiles de personagens, que traduzem, de forma artística, as temáticas dos livros. O trabalho é acompanhado por professores de diferentes áreas, ampliando o diálogo entre saberes e o impacto pedagógico do projeto. A profundidade das discussões e a celebração de personalidades negras brasileiras, como as cantoras Elza Soares e Iza, contribuíram para que a escola recebesse o Selo Antirracista Professora Maria Beatriz Nascimento, reconhecimento da Secretaria de Estado da Educação (Seed) que reforça o compromisso com uma educação voltada à valorização da história e do protagonismo da população negra.
“A importância de o projeto ser apresentado no Seminário de Equidade é que ele apresenta temas que são invisíveis socialmente, por causa da banalização do problema no núcleo social. E segundo Djamila Ribeiro, escritora que também teve obra estudada pelos estudantes, para tirar uma situação da invisibilidade, é preciso falar sobre ela”, afirma Adeilza Góis, professora de Língua Portuguesa e orientadora do projeto.
Fotos: Unidade de ensino
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