Ação objetiva conscientizar estudantes e comunidade escolar durante todo o ano letivo para o enfrentamento das violências e a promoção dos direitos das mulheres
Por Alice Mendonça (estagiária)
O Centro de Excelência Governador Djenal Tavares Queiroz, em Aracaju, realizou, nesta quarta-feira,25, o lançamento do ‘Projeto Cultura de Paz: Mulheres que Transformam a Escola’, uma ação voltada aos alunos e à comunidade escolar para o enfrentamento da violência contra a mulher. A iniciativa é fruto de uma mobilização geral das escolas da Rede Pública Estadual de Educação, motivada pela Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher, que ocorre entre os dias 23 e 27 de março, com o intuito de educar os estudantes sobre dignidade, respeito e proteção às mulheres. Unidades escolares da Diretoria Regional de Aracaju (DEA) também estão com atividades especiais durante a semana.
Durante o dia, os estudantes dos 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio participaram de atividades e palestras que abordaram o tema do enfrentamento aos diversos tipos de violência que uma mulher pode sofrer, indo além da violência física. Pela manhã, houve uma assembleia do Conselho Escolar, que elegeu 10 estudantes — um por turma —, chamados de ‘Agentes de Paz’. O objetivo é que eles ajudem a fiscalizar a conduta na comunidade escolar, promovendo ações de orientação para a preservação do respeito às mulheres.
À tarde, os alunos se reuniram na quadra de esportes da escola para assistir a palestras sobre o tema. Estiveram presentes equipes de programas da Secretaria de Estado da Educação (Seed), como o Acolher, além de representantes do Programa Estadual de Educação Cidadã (Ser Cidadão), vinculado ao Departamento de Apoio ao Sistema Educacional (Dase). A delegada de polícia Danielle Garcia também participou do momento.
De acordo com a diretora do Centro de Excelência Djenal Tavares, Janaina Marques da Silva, a ideia é que a ação tenha continuidade, sendo realizada uma vez por mês durante todo o ano letivo. “Este é um momento de início de um projeto anual e permanente. No mês de abril, teremos outra ação, chamada Mulheres que Inspiram, um mural digital que os estudantes irão construir sobre as mulheres que inspiram suas vidas. Essas ações serão realizadas mês a mês e, com certeza, trarão muitos frutos”, afirmou a gestora, que acompanhou e orientou os estudantes durante as palestras da tarde.
Palestras
Na plateia, que lotava a quadra de esportes da escola, os alunos assistiam às apresentações, acompanhados de um caderno temático distribuído a todos os presentes. Intitulado ‘TransformAÇÃO’, o material reúne informações importantes de alerta sobre os tipos de violência que uma mulher pode sofrer, como a física, moral, sexual e psicológica. Além disso, o caderno destinava espaços para que as estudantes pudessem relatar situações já vivenciadas, bem como orientava sobre ações a serem adotadas por mulheres e homens diante de casos de violência.
A psicóloga Aurélia Barreto, do programa Acolher, palestrou para os jovens, enfatizando a importância de discutir a temática. “Estamos reforçando, não apenas aqui, mas também em outras escolas da rede, a importância de conversar sobre esse tema, diante de tantos casos de violência que temos acompanhado nos últimos dias. Precisamos sensibilizar os estudantes, orientá-los a ter um comportamento diferenciado, a saber identificar o que é violência, como combatê-la e quais equipamentos devem ser acionados. Esse é o nosso papel”, afirmou.
A delegada Danielle Garcia destacou que a educação dos jovens sobre o tema é fundamental para romper o ciclo de violência perpetuado em gerações anteriores. “A minha geração está colhendo o fruto amargo de uma cultura machista e misógina com a qual fomos criados, homens e mulheres. Carregamos esse machismo em nossa formação, e hoje vemos o resultado disso, com tantos feminicídios acontecendo. Não há outro caminho senão reeducar crianças e jovens. Por isso, é tão importante estarmos nas escolas conversando, debatendo e promovendo essa cultura de paz”, reforçou.
Uma das alunas presentes na tarde de palestras foi Bárbara Kemilly, do 2º ano do Ensino Médio. Para ela, o momento foi importante para ampliar a conscientização das estudantes. “É um momento muito importante, porque as meninas ficam mais atentas em relação ao que pode acontecer com elas. Ultimamente, têm ocorrido muitos casos de violência contra a mulher, e isso machuca até as pessoas que presenciam”, disse.
A palestra não atingiu apenas alunos, professores e gestores da escola. Familiares dos estudantes também compareceram para prestigiar o momento, considerado importante para toda a comunidade escolar. “Acho muito importante essa iniciativa de conscientização dos jovens. Todos aqui da escola estão de parabéns por esse evento. Vejo que há uma dificuldade no combate à violência, porque ela está dentro dos lares. Deve haver um trabalho mais social para a segurança das mulheres”, enfatizou a jornalista e avó de um aluno, Delmanira Brito.
Ações em escolas da DEA
Durante a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher, várias escolas da Diretoria de Educação de Aracaju também estão com programações especiais ao longo da semana, com atividades voltadas aos direitos e à segurança das mulheres. Instituições como o Centro de Excelência Professora Ofenísia Soares Freire, o Colégio Estadual Prof. Francisco Portugal, o Centro de Excelência John Kennedy e o Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Prof. Valnir Chagas concentram palestras e ações educativas com os estudantes sobre a mesma temática.
A mobilização da Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher ocorre em diversas escolas da Rede Pública Estadual de Educação, distribuídas nas Diretorias Regionais de Educação (DREs). Trata-se de uma ação conjunta da Secretaria de Estado da Educação (Seed) e da Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres (SPM). A Seed também participa da campanha com ações de sensibilização dentro da própria Secretaria.
Canais de ajuda
Caso você presencie ou seja vítima de violência contra a mulher, procure os canais de atendimento disponíveis. Para fazer denúncias anônimas e obter informações sobre direitos e serviços de atendimento à mulher, ligue 180. Também é possível entrar em contato com o 181, número oficial da Polícia Civil de Sergipe, para denúncias anônimas. Em situações de urgência, ligue 190 para acionar a Polícia Militar. Procure a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher mais próxima. E, se você não é vítima, mas conhece alguém que esteja nessa situação, ofereça apoio e incentive a denúncia.
Fotos | Mariana Ribeiro









