Centro de Excelência Professora Ângela Melo é inaugurado com grafites do artista Korea

Artista é conterrâneo do bairro da unidade de ensino e expressa mensagens em forma de artes

Autora: Alice Mendonça (estagiária)

Uma educação é transformadora quando ela vai além do dever de ensinar na escola. É a partir dessa premissa que o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seed), entregou a sua escola de número 319, na tarde desta terça-feira, 23, no bairro Japãozinho, em Aracaju. Mais do que uma nova escola, o Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral e Profissional Professora Ângela  Melo celebra a identidade do Japãozinho por meio do grafite, vinda das mãos de um conterrâneo do bairro.

O artista Egnaldo Correa, conhecido como Korea, foi o responsável por grafitar a nova escola. A unidade de ensino tem capacidade inicial para atender 1.000 alunos, possuindo 23 salas de aula, laboratórios e quadra de esporte, sendo destinada ao Ensino Médio em Tempo Integral e a cursos profissionalizantes. A escola ganhou paineis repletos de vida, que percorrem os seus muros e atravessam os olhos de quem passa pelas obras.

O secretário de Estado da Educação e vice-governador do Estado, Zezinho Sobral, destaca a participação de Korea na entrega do novo Centro de Excelência. “Ter os grafites de Korea significa que a comunidade está na escola. Os seus paineis trazem vida para esse ambiente e integram com a comunidade, ressignificando todo o processo de ensino com a presença de um artista sergipano, muito querido da região”, ressalta.

Grafites na escola

São, ao todo, três grafites espalhados pela nova unidade escolar. Segundo Korea, as artes têm a função de interligar o ambiente escolar com a cultura sergipana e o cotidiano. “A arte da Cantina tem a ideia de deixar a pessoa confortável, ligada não só nos alimentos, mas também na nossa cultura e na educação. Já na arte próxima à quadra, eu conto um pouco sobre esportes. Mas não só esporte, como também a inclusão, porque somos todos iguais. Por fim, a outra arte tem a função de ser interativa, onde eu fiz uma árvore com os livros, que serão assinados por moradores. Qualquer pessoa que estiver na escola, vai poder deixar o seu registro, deixando o seu nome também como parte desse momento especial para o bairro Japãozinho”, descreve.

“Para mim, que cresci na comunidade periférica do Japãozinho desde ‘moleque’, com muitas dificuldades e muita luta, é gratificante poder somar com o momento de progresso da minha comunidade. Esta é a primeira escola estadual no nosso bairro, e eu pude agregar com minha arte. E agora, com a nova escola, tenho essa visibilidade para os estudantes e a população também ver”, conta o artista.

É com a arte que a comunidade vibra e se comunica, mostrando a sua cultura, vivência e identidade. Os moradores do Japãozinho que prestigiaram a inauguração da unidade escolar relatam o orgulho sentido pelo conterrâneo e a animação da comunidade com a nova escola. “Tudo isso é mágico, porque ele cresceu aqui. As crianças e a comunidade vão poder ver e apreciar. E o impacto da nova escola é enorme, porque é a primeira escola grande que a gente tem aqui. O meu filho, que tem 2 anos, vai estudar aqui, futuramente” conta a esposa de Korea, Isabela Correa.

“A arte é importante para a vida, para o conhecimento dos jovens e para destacar a nossa comunidade. E nós temos o nosso artista do Japãozinho, que destaca em suas artes, a comunidade onde ele nasceu. Então, é um conjunto de realização de sonhos, tanto a escola como o artista da nossa comunidade”, ressalta a psicóloga Aline Santos, moradora do bairro.

Japãozinho

O artista Korea começou a sua vida na arte aos 15 anos, mostrando o seu potencial desde cedo. Ele conta que começou a grafitar nas ruas, já que, para ele, “a rua é a nossa galeria de arte”, acessível a todos. Foi com ela que ele percorreu o Brasil e seis países, deixando a sua marca por onde passou.

O bairro Japãozinho concentra pouco mais de 8.300 pessoas. Em suas ruas, o artista já deixou o seu grafite, espalhado em muros da localidade. Agora, a nova escola da educação transformadora de Sergipe se torna alvo do seu toque especial e criativo.

“Sei que os meus grafites têm um potencial de atingir várias pessoas, levando mensagens positivas, que possam confortá-las. Elas são elaboradas com uma temática, como a educação, aqui na nova escola. Trazer a comunicação para a arte é o diálogo que eu buscava”, conta Korea.

Fotos: Maria Odília

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