Colégio Estadual Delmiro de Miranda Britto integra projeto de extensão da UFS que avalia competências cognitivas

Extensão aplica o subprojeto ‘A Caatinga que ensina’ na escola, com o plantio das espécies pelos alunos

Autora: Alice Mendonça (estagiária)


Além de ensino, as escolas da Rede Pública Estadual de Educação são locais de pesquisa. De Canindé de São Francisco (Diretoria Regional de Educação – DRE 9), o Colégio Estadual Delmiro de Miranda Britto faz parte de ações como o subprojeto ‘A Caatinga que ensina’, vinculado ao projeto de extensão ‘avaliação e intervenções socioemocionais em escolas de ensino médio integral no Estado de Sergipe’, da Universidade Federal de Sergipe (UFS). A extensão busca compreender os estudantes, relacionando as competências socioemocionais com as suas vivências de vida.

Coordenado pela professora doutora Yzila Maia, do curso de Ciências Biológicas da UFS, o projeto integra o programa Apoio a Ações de Extensão, vinculado ao Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (Proext-PG), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes – Ministério da Educação).

A extensão trabalha as competências socioemocionais dos alunos em três escolas da rede com Educação em Tempo Integral, sendo elas: o Centro de Excelência Governador Djenal Tavares Queiroz; o Centro de Excelência Secretário de Estado Francisco Rosa Santos (estas duas primeiras de Aracaju); e a ‘Delmiro de Miranda Britto’, do interior do Estado. Cada escola possui um subprojeto, em que essas competências são analisadas por estudantes de graduação e de mestrado da UFS, vinculados à extensão. 

De acordo com a professora doutora Yzila Maia, o objetivo do projeto de extensão como um todo é avaliar as capacidades cognitivas. “Assim, promovemos uma investigação baseada em competências como autoconhecimento, autogestão, percepção social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável, avaliando indicadores que podem estar presentes no ambiente escolar”, enfatiza. 

No ‘Delmiro de Miranda Britto’, o subprojeto aplicado é intitulado ‘A Caatinga que ensina: competências socioemocionais e cultivos sustentáveis na escola’, com a participação dos alunos do 3° ano do Ensino Médio (ano passado como estudantes do 2° ano). Nele, as ações de pesquisa são conduzidas pelos professores doutores Erivanildo Silva e Ederson Luiz Locatelli, com a participação dos discentes Laira Paloma, Arthur Gil e Jolly Anne Marques. O subprojeto teve início no ano passado e será concluído no mês de junho deste ano. 

Pesquisa atrelada às vivências 

Para avaliar essas características socioemocionais na escola do Alto Sertão Sergipano, o professor Erivanildo, do Departamento de Química (DQI-UFS), informa que as atividades desenvolvidas para os alunos envolveram o cultivo de plantas características do bioma Caatinga no ambiente escolar. As espécies variam entre umbuzeiros, mandacarus, catingueiras, ipês amarelos (chamados de craibeira na região), barrigudas e demais plantas da região. 

“O importante é que sejam plantas da Caatinga e a escolha delas por parte dos alunos. A ideia é que tenha relação com a vegetação local. Alguns estudantes já convivem bastante com elas, incluindo outros processos de plantio, como a irrigação e o gotejamento. Mas eles achavam aquilo muito fora do contexto da escola, como se a escola fosse outro mundo onde não existe essa realidade, e não é para ser assim. A escola deve ajudar o aluno a viver no mundo dele”, afirma. 

Além do cultivo das plantas, também houve o trabalho de irrigação, com o manejo de um arduíno, plataforma que possibilita a criação de projetos eletrônicos, como forma de integrar a tecnologia e a cultura digital na aprendizagem do projeto. Kits foram distribuídos na escola para a montagem, com parceria da própria universidade para o desenvolvimento desses arduínos, montados pelos alunos da escola. Os estudantes também fizeram, além disso, a medição do terreno disponível da escola para o plantio, aplicando técnicas pesquisadas pelos próprios alunos. 

“Nessa ‘mão na massa’ ou ‘cultura maker’, a proposta é que os alunos conheçam as espécies da caatinga. Os professores fazem esses momentos, com todo o planejamento que a própria escola faz e envia para a coordenação de como vai trabalhar os cultivos sustentáveis. Nele, pensamos em um desafio para eles fazerem, que era o sistema de irrigação, e aí veio a questão do arduíno”, diz uma das discentes que trabalha no subprojeto, a estudante Laira Paloma, mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática (PPGECIMA – UFS). 

É nesse contexto de produção de atividades em conjunto que as competências socioemocionais dos estudantes aparecem. São avaliadas questões envolvendo a empatia, a resiliência, a sociabilidade, a organização, a determinação, dentre outros que, em conjunto com estes, são avaliados por meio de questionários. “O questionário tem uma escala que os alunos vão respondendo. Como esse subprojeto é em trabalho em grupo, avaliamos questões envolvendo a empatia, o respeito, a confiança, e também a tolerância ao estresse”, comenta a estudante Laira Paloma. 

Os estudantes também participaram de atividades de campo para conversar com moradores da região sobre as espécies de plantas existentes na Caatinga. Em uma delas, a professora Laira comenta que dois senhores de mais de 90 anos conversaram com os alunos sobre árvores centenárias da região. Os jovens alunos (maioria de povoados da cidade) também conversaram com os pais e familiares, muitos deles já presentes com a vida no plantio, para entender mais sobre plantas a serem cultivadas no ambiente escolar. 

Relação universidade-escola 

Enquanto essas pesquisas aconteciam e ainda acontecem, o contato entre a escola e a universidade aumentava, incluindo a boa relação entre os professores destes dois mundos. A docente de Sociologia da escola, Ozana Alves, é uma das que trabalha em conjunto com os alunos e os outros professores da UFS. Ela conhece o professor Erivanildo desde 2022, quando ele havia feito outro projeto na região. Hoje, ela colabora nesse projeto de extensão da UFS, em que o professor trabalha. 

Uma das áreas exploradas nesse projeto pela professora é a arte feita pelos alunos, a partir de desenhos das plantas da região preferidas por eles. “Tem alguns alunos que gostam muito de desenhar. E a gente solicitou que eles fizessem o desenho, escolhendo uma árvore que os representasse. Eu fico impressionada com alguns alunos, porque nessa hora da arte você vê o quanto eles conseguiram colocar de sentimento nas telas”, destaca a professora, que reitera a vontade dos alunos de cultivar as plantas e deixá-las na escola para as turmas seguintes, que poderão usufruir da sombra e ventilação das espécies. 

Os estudantes também pensam em integrar às plantas cultivadas plaquinhas de QR Code, facilitando a identificação das espécies para a comunidade escolar. “Esse é o papel da universidade num projeto de extensão. Esse projeto está possibilitando que eu, a professora Yzila, e o professor Ederson possamos chegar às escolas com estas ações. A ideia não é dizer o que a escola tem que fazer; é dizer ‘vamos fazer juntos’. E esse auxílio é fundamental. Quando a gente se junta, a gente agrega e avança mais. Eu não tenho dúvida disso”, finaliza o professor Erivanildo.

Fotos: Unidade Escolar

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