Colégio Estadual Professor Artur Fortes faz passeata em alusão ao enfrentamento da violência contra a mulher

Ação faz parte de mobilização das escolas da Rede Pública Estadual de Educação, iniciada no mês de março

Autora Alice Mendonça (estagiária)

As escolas da Rede Pública Estadual de Ensino seguem mobilizadas no enfrentamento à violência contra a mulher. Da Diretoria Regional de Educação (DRE) 3, alunos, professores e gestores do Colégio Estadual Professor Artur Fortes realizaram uma passeata pelas ruas que circundam a escola, localizada em Carira. A ação ocorreu na terça-feira, 7, e contou com cartazes e vestimenta em preto dos alunos, como forma de chamar a atenção da comunidade que presenciou a passeata.

Na ocasião, os estudantes do Ensino Fundamental (7° ao 9° ano) e Ensino Médio (1° ao 3° ano) compareceram ao evento com roupas pretas, segurando cartazes com frases ditas por homens a mulheres, em situações de violência. A exibição dos escritos faz parte de uma reflexão crítica e de alerta para compreender os sinais de violência, que vão para além da física, estendendo-se para a verbal, psicológica e sexual, por exemplo.

De acordo com a diretora da escola, Tayna Grace de Almeida, a iniciativa foi inspirada na Semana Escolar do Combate à Violência Contra a Mulher, ocorrida durante os dias 23 a 27 de março, em que unidades de todas as DREs se mobilizaram no enfrentamento a essa violência que atinge mulheres das mais diversas formas. “Nós também resolvemos realizá-la no mês de abril para evidenciar, justamente, a necessidade de reconhecimento da mulher além do mês de março. O objetivo deste trabalho é continuar com o desenvolvimento do tema durante todo o decorrer do ano letivo”, explica.

“É  preciso que a sociedade se conscientize sobre o papel que a mulher desempenha na sociedade, que vai da essência da vida, quando ela gera, até o poder de resiliência de vencer todos os preconceitos e batalhas diárias de ser mulher, acompanhadas de muito preconceito”, enfatiza a diretora. Ela explica que o motivo de os alunos irem de preto tem relação com o luto, que representa a necessidade de interrupção urgente dessa violência que leva à morte de muitas mulheres.

A passeata contou ainda com a orientação do professor de sociologia Francis Leal. Segundo o docente, esse tipo de mobilização é importante como forma de alerta para a alta de registros nos casos de feminicídio no estado e no país.

“Diante da realidade atual, é impossível não reconhecer que ainda enfrentamos sérios desafios como sociedade. Esses episódios de feminicídio evidenciam a necessidade urgente de mudanças culturais, educativas e comportamentais, que promovam o respeito à vida e à dignidade das mulheres. Mobilizações como essa passeata têm um papel fundamental. A escola, como espaço de formação, tem um papel essencial nesse processo, incentivando valores como empatia, respeito e justiça, indispensáveis para a construção de uma sociedade mais segura e igualitária”, enfatiza o professor. 

Mobilização

O Colégio Estadual Professor Artur Fortes faz parte de várias escolas da Rede Pública Estadual mobilizadas em prol do enfrentamento à violência contra a mulher, rompendo a ideia de foco para o mês de março, com prosseguimento para o ano inteiro. Atividades e demais ações são realizadas com o propósito educativo de alertar estudantes sobre a existência de situações que levam a essas violências.

A coordenadora do Serviço de Direitos Humanos (Sepedh), do Departamento de Apoio ao Sistema Educacional (Dase), Adriane Damasceno, explica esta mobilização.  “A incorporação da Semana Escolar do Combate à Violência Contra a Mulher no calendário escolar foi uma conquista, mas essa pauta atravessa o ano todo, porque as escolas têm vários projetos e outras datas que trabalham com essa temática. Os projetos, muitas vezes, atravessam meses”, afirma.

Canais de ajuda

Caso você presencie ou seja vítima de violência contra a mulher, procure os canais de atendimento disponíveis para ajuda. Ligue 190, em caso urgente, para acionar a Polícia Militar. Para fazer denúncias anônimas e saber sobre os direitos e serviços prestados ao atendimento à mulher, ligue 180. Você também pode ligar para o 181, número oficial da Polícia Civil de Sergipe, para fazer denúncias anônimas. Procure a delegacia especializada de atendimento à mulher mais próxima, e se você não é vítima, mas conhece uma, ajude-a a enfrentar essa violência. Denuncie. 

Fotos | Ascom Seed

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