Por Arthur Dias/ Estagiário
Fonte: Ascom/ Seduc
Na abertura do ‘Mês da Mulher’, o colégio realizou palestras sobre cuidados para saúde feminina nas escolas, além da distribuição simbólica dos absorventes íntimos ofertados pelo Cuidar-SE
O Colégio Estadual Tobias Barreto, localizado no município de Aracaju, realizou um evento emocionante nesta sexta-feira, dia 1º. Para celebrar a abertura do ‘Mês da Mulher’, a gestão do colégio promoveu um encontro especial que marcou o início da disponibilização de absorventes íntimos do Cuidar-SE, programa do Governo de Sergipe criado para promover ações que garantem meios seguros e eficazes para higiene menstrual e que buscam reduzir as faltas das pessoas que menstruam em dias letivos no ciclo menstrual de cada estudante. O evento reuniu mais de 600 alunos, entre pessoas que se identificam como transgêneros e mulheres cisgênero, na quadra do próprio colégio.
Além da disponibilização dos absorventes e distribuição simbólica do item, os presentes tiveram o privilégio de acompanhar a palestra de responsáveis pelo programa ‘Saúde na Escola’, que tem como principal objetivo articular a saúde e a educação para contribuir na formação dos estudantes. A fala da responsável técnica e enfermeira da Unidade de Saúde da Família, Magally Araújo, e dos estudantes de enfermagem coordenados por ela, destacou assuntos relacionados à educação sexual, que inclui informações sobre o período menstrual, a anatomia feminina, o uso correto dos recursos de higiene menstrual e a prevenção de possíveis doenças causadas pela prática sexual.
“É importante criarmos esse vínculo entre a área da saúde com as escolas, principalmente para as meninas que às vezes não recebem esse tipo de informação em casa, saibam se cuidar e tenham absorventes disponíveis para se proteger e proteger as próprias famílias também”, destacou Magally.
A diretora do Colégio Estadual Tobias Barreto, Silvia Maria Souza, ressaltou a importância de uma abordagem pedagógica em todas as atividades escolares, principalmente em um momento tão especial para ela e para todas as mulheres. Ela explicou que tudo foi planejado para coincidir com a abertura do mês da mulher em março. Silvia destacou que o propósito não era apenas proporcionar os absorventes, mas também educar sobre o cuidado com o corpo, a saúde menstrual e os direitos das mulheres.
“Esse é o nosso propósito. Não somente disponibilizar os absorventes, mas trabalhar um pouco a mulher, o cuidado, a saúde e essa lei tão importante. A lei que foi uma conquista da mulher. Porque o direito de receber o absorvente na escola vem de uma conquista. De uma conquista da independência da mulher, do empoderamento feminino, e o ‘Cuidar-SE proporciona isso para nossas alunas”, ressaltou Silvia.
Duas das alunas beneficiadas pelo Programa Cuidar-SE no Tobias Barreto foram Flávia Marques e Alice Silva, atualmente na 3ª série do Ensino Médio. As estudantes falaram durante o evento sobre o programa do Governo de Sergipe, além da Lei nº 14.214/2021, o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, que instituiu a disponibilização de itens de higiene menstrual via Farmácia Popular.
Flávia citou que o programa Cuidar-SE foi executado de forma perfeita. Ela destacou a relevância pessoal e técnica do projeto, expressando sua gratidão e apreço por ele, assim como a importância de ter eventos como o do Colégio Estadual Tobias Barreto.
“Uma a cada quatro mulheres não tem acesso a absorventes. Nós, mulheres, gastamos em média durante nosso ciclo menstrual de R$ 3 mil a R$ 8 mil. Para muitas mulheres, é muito difícil ter condições de adquiri-los, e ver que a escola está acolhendo esse programa tão importante está sendo incrível”, citou Flávia.
“Ser mulher é ser vencedora”
No dia 8 de março é comemorado o ‘Dia Internacional da Mulher’, data dedicada ao reconhecimento da luta e das conquistas femininas ao longo dos últimos séculos, além de reforçar sobre os persistentes problemas estruturantes em relação ao espaço da mulher na sociedade contemporânea.
A diretora Silvia Maria se emocionou ao relatar como se sentia por ser mulher e que, inclusive, “desejaria ser novamente, caso nasça de novo”. Ela se diz realizada como pessoa e como profissional, e que ama o fato de ter nascido desta forma.
“Ser mulher, para mim, é estar diante das dificuldades, mas capaz de superar, certo? Capaz de superar todas as dificuldades que nós sofremos enquanto mulheres. Sou uma mulher feliz por ver que muitas das ações que hoje acontecem são respostas e resultados de lutas de muito tempo atrás. Coisas assim fazem com que a gente não desista de continuar na luta pelos nossos direitos”, disse.
Já a estudante Alice Silva destacou que o mês de março carrega a história significativa da luta feminina por direitos básicos na sociedade. Ela, como mulher preta, reforçou que a mulher é e precisa ser guerreira para continuar lutando todos os dias contra o preconceito ainda presente.
“Além de ser mulher, eu sou uma mulher preta. Então, para mim, esse mês tem significado muito maior. Foram lutas atrás de lutas, e, desde 1975, o dia 8 de março foi reconhecido e carrega toda essa história. História de mulheres que tiveram importância gigantesca para nossa sociedade, que mostraram mesmo a garra do que é ser mulher e da nossa importância” finalizou Alice, emocionada.





