"Ela tem vontade de mudar as coisas e fazer a diferença", ressalta aluna sobre professora da Zona Norte de Aracaju

Por Ítalo Marcos
Fonte: ASCOM / SEED


Conheça a professora de Geografia Paloma Silva, conhecida por inspirar crianças e adolescentes da Escola Estadual José de Alencar Cardoso. Para homenagear os docentes que fazem a rede estadual de ensino, vamos contar a história de alguns desses profissionais

 

Na zona Norte da cidade, precisamente no conjunto Bugio, a professora de Geografia Paloma Silva é conhecida por inspirar crianças e adolescentes da Escola Estadual José de Alencar Cardoso. A docente desenvolve junto com alunos projetos fora da sala de aula com o intuito de contextualizar os assuntos trabalhados na escola e ampliar a perspectiva deles.

 

Paloma, em 2015, foi uma das dez vencedoras do prêmio nacional ‘Educador Nota 10´, no qual, inscreveu iniciativa pedagógica desenvolvida na feira da localidade junto com os discentes. 

"Ela é uma professora muito boa. Gosto do jeito dela ensinar, pois leva nosso olhar para a fora, para ver, na prática, o que aprendemos dentro da sala de aula. Para mim, é bem mais fácil estudar assim, pois passamos a compreender outros ambientes também. Paloma é alegre, paciente, ensina bem e faz todo o possível para que todos se desenvolvam. Ela tem vontade de mudar as coisas e fazer a diferença. E é isso que ela desenvolve aqui na escola", relatou a aluna Thayná Silva, 14, do 9º ano.   

Paloma está há 13 anos na docência e conta que escolheu a profissão pela admiração que tinha por seu professor de Geografia. "Pensei que gostaria de ser uma profissional que abrisse os olhos, mostrasse a realidade e revelasse o que o mundo e as revistas não mostram. Foi a partir daí que me apaixonei pela Geografia. Já tinha pensado em outras profissões, mas por causa de um professor, segui essa carreira", declarou.

O objetivo da professora é ultrapassar limites, de modo a não só ampliar o olhar de seus alunos com relação à comunidade ao seu redor, quanto promover uma interação contrária. E é por isso que, ano após ano, ela desenvolve projetos com os estudantes.

 

Em 2014, ela levou as crianças e adolescentes a conhecerem de perto o funcionamento da feira do Bugio. No local, eles realizaram entrevistas com feirantes e consumidores, fizeram registros fotográficos e acabaram se deparando com uma realidade que foi discutida não só na sala de aula, como em toda a escola: o trabalho infantil.

"Na feira vimos, inclusive, a atuação de alunos dessa escola. A intenção inicial do projeto era o ensino-aprendizagem, mas, acabamos discutindo a questão do trabalho infantil também. A partir daí, conseguimos mudar a perspectiva de alguns alunos", relatou Paloma.

 

Ela acrescenta que a escola abraçou a causa e teve a função de informar a situação ao Conselho Tutelar. "Existe toda uma rede de proteção que, até o momento, eu não conhecia. Questionei se aquilo era realmente necessário, mas, a partir do nosso aprofundamento, vimos à necessidade da proteção e mudamos a perspectiva dos professores. Até esse momento, não sabia o poder que tinha para intervir em um caso como esse". 

A professora acredita que exemplos demonstram a real função de um professor, que é fazer os alunos terem uma visão além da sala de aula. "Acredito que, no caso do projeto da feira, cumpri meu papel de atuante da mudança social. Não é algo com o que me vanglorie, pois acho que a função do professor é exatamente essa, de, além do conteúdo, passar uma lição de vida. Tenho que preparar meus alunos para o que eles vão encontrar lá fora, não apenas com relação ao mercado de trabalho, mas na questão de vivência mesmo. Por isso acredito que desempenhei meu papel como educadora". 

E é por acreditar que Paloma a ajuda a ser uma pessoa melhor no futuro, que a estudante Caroline Vitória, 14, acredita nas iniciativas que a professora desenvolve.

"Estudo com ela há quatro anos. Além de engraçada, é amorosa e carinhosa. Todo mundo gosta dela. Com Paloma, temos aula extrovertida, consigo aprender o conteúdo e, por causa dela, passei a gostar mais de Geografia. Se pudesse dizer algo para ela, diria que é muito importante na minha vida e que me ensinou muitas lições que irei usar em toda a trajetória", afirmou.

A interação com os alunos é uma das questões que a professora enfatiza quando fala sobre a profissão. Paloma conta que teve boa qualidade de ensino na escola pública e que deseja oferecer o mesmo para os estudantes.

 

"Converso com eles sempre em sala de aula e chamo para a responsabilidade para que percebam que devem lutar pela qualidade estrutural da educação", enfatizou.

Educação como inspiração


O prêmio ‘Educador Nota 10´ entrou na vida de Paloma por conta de um colega de trabalho. Ela conta que após ficar sabendo, buscou informações e viu que o projeto desenvolvido na feira se adequava ao que a premiação buscava.

 

"Esse projeto mudou a perspectiva de outros colegas daqui. Fui inspirada e acabei inspirando os profissionais, tanto a realizar projetos, como a divulgar os seus. Às vezes achamos que nosso pequeno trabalho não traz resultado, mas é uma atuação de formiguinha que dá certo. Aqui em nossa escola tínhamos os piores pichadores do bairro. Eles invadiam para pichar e hoje eles são os que combatem a prática. Ou seja, nossa atuação inspira, e o projeto nacional serviu para que chamássemos a atenção para isso. Junto com meus alunos, fico feliz com o resultado obtido", disse.

Paloma conta que não se vê em outra profissão e que espera não perder o entusiasmo em promover mudanças no ambiente estudantil e nas comunidades adjacentes. Para ela, o caminho do futuro é a educação. 

"Espero ver meus alunos bem-sucedidos e felizes, e também, que até meu último dia de aula, continue com pensamento positivo e que as decepções com Educação não me façam desistir. Já tenho até alunos formados, que estagiaram comigo. Sinto-me muito realizada quando eles dizem que escolheram Geografia por minha causa. É tudo o que queria dizer ao meu professor de Geografia José Cláudio, do Colégio de Aplicação, e não tive oportunidade. Por isso, quando recebo esse carinho é muito bom".

 

Por Monique Garcez, repórter da ASN

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