Estudantes da rede estadual se destacam no I Festival de Cenas Curtas Denys Leão

Festival revela talentos e potencialidades artísticas nas escolas sergipanas

Autor: Caio Queiroz (estagiário)

O I Festival de Cenas Curtas Denys Leão reuniu talentos estudantis no palco do Teatro Atheneu, em Aracaju. Realizado na última quarta-feira, 28, nos turnos da manhã e da tarde, o evento celebrou a criatividade dos estudantes da rede pública estadual. Com apoio da Lei Paulo Gustavo e promoção da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), a iniciativa reforçou os vínculos entre cultura e educação, e revelou novos talentos das artes cênicas.

Idealizado pelo grupo de teatro A Tua Lona, o festival contou com a mentoria do dramaturgo e organizador Euler Lopes, que acompanhou de perto o desenvolvimento das cenas apresentadas. “O principal objetivo é estreitar a relação entre os fazedores de cultura e a escola. Sabemos o quão importante a escola é como espaço de formação de artistas, pois muitos começam sua trajetória ali. O nível das apresentações foi incrível, e o amadurecimento dos estudantes foi visível. Todas as cenas receberam mentoria do nosso grupo por dois meses, com consultas e acompanhamento. Ficamos muito felizes com o crescimento dos estudantes”, destacou.

Euler reforçou a importância da continuidade do projeto. “Acreditamos que o teatro pode ser uma possibilidade profissional para muitos jovens. Nós, do grupo A Tua Lona, começamos ainda jovens e agora completamos 15 anos de atuação. O Festival precisa acontecer mais vezes. Muitos desses estudantes nunca tinham pisado no Teatro Atheneu, e acredito que, depois dessa experiência, jamais esquecerão a sensação”, afirmou.

O Festival reuniu dez cenas teatrais de escolas públicas de diversos municípios, como Aracaju, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora Aparecida, Siriri e Brejo Grande. As temáticas das apresentações dialogaram com questões sociais contemporâneas, como o enfrentamento à violência contra a mulher, o racismo e as condições de trabalho.

A seleção das cenas premiadas foi realizada por um júri composto de quatro artistas sergipanos, que avaliaram categorias como melhor cena, melhor direção, melhor texto dramatúrgico, melhor ator, melhor atriz, melhor figurino, melhor cenário visual e melhor cena escolhida pelo júri popular.

Destaques

Entre os destaques do Festival, os estudantes do Centro de Excelência Professora Ofenísia Soares Freire, de Aracaju, conquistaram diversas premiações, incluindo o prêmio de melhor atriz com a estudante Ana Beatriz Alvez. O reconhecimento também veio pelos prêmios de melhor texto dramatúrgico e melhor cena júri popular com a peça ‘O Peso da Injustiça’, e melhor figurino e melhor cenário visual com Emília no País das Maravilhas’.

Já o estudante Pedro Carvalho, do Colégio Estadual João Salônio, em Nossa Senhora Aparecida, foi premiado nas categorias melhor identidade visual e melhor direção de cena com a peça ‘Sentença Final’. O monólogo ‘Papai me Ligou’, apresentado por Henrique Cegi, estudante do Centro de Excelência Barão de Mauá, foi eleito melhor cena pelo júri técnico.

A professora de Artes do Centro de Excelência Professora Ofenísia Freire, Gabriella Santos, orientou cinco grupos participantes do festival e destacou o impacto positivo do teatro no ambiente escolar. “Percebi muito potencial nos estudantes, desde a criação dos roteiros até a atuação. Quando vi o edital Denys Leão, conversei com os alunos e, com empolgação, formamos cinco grupos e desenvolvemos cinco roteiros. Eles aprimoraram habilidades essenciais, como escrita, socialização, respeito às diferenças e superação. Um de meus alunos com autismo subiu ao palco pela primeira vez, e foi emocionante ver a alegria de cada um deles”, comemorou.

O estudante Pedro Carvalho, premiado no evento, compartilhou sua experiência. “Sem dúvidas, nunca vivi algo tão marcante. Levar o teatro para pessoas que, assim como eu, sonham em seguir essa profissão, mesmo morando no interior, foi uma experiência magnífica e um divisor de águas na minha vida pessoal e profissional”, afirmou.

Pedro também explicou como surgiu sua cena e o significado da premiação. “Minha cena nasceu de um conto escrito por mim, inspirado em uma obra do pintor paulista Bruno Passeggeri. A partir disso, construí um enredo e um personagem sem nome, que simboliza, de maneira redundante, a classe trabalhadora que enfrenta depressão e ansiedade. Acredito que todo artista carrega inseguranças que, às vezes, nos fazem questionar se realmente pertencemos ao mundo da arte. Naquele dia, recebi um ‘sim’, não apenas do público, mas também de mim mesmo”, concluiu.

Foto: Maria Odília

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