Por Francimare Araújo
Fonte: Ascom/ Seduc
Dentre os diversos serviços oferecidos pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc), o acesso ao Ensino Superior por parte de jovens e adultos que esbarraram em adversidades ao longo da vida tem se consolidado por meio dos exames supletivos como o Exame Nacional de Certificação e Competências da Educação de Jovens e Adultos (Encceja) e o Exame de Suplência de Educação Geral.
O exame de certificação oferecido pela Seduc é uma avaliação voluntária e gratuita, destinada a pessoas que não tiveram oportunidade de concluir os estudos na idade curricular apropriada ou que, por alguma razão, tiveram a reprovação em uma disciplina específica, por exemplo.
De acordo com o coordenador da Divisão de Exames e Certificação, vinculada ao Serviço de Educação de Jovens e Adultos (DIEX/ SEJA), Edson Aragão de Melo, desde 2017, com o Encceja, Sergipe oferta os exames de certificação em caráter especial tanto para a conclusão do Ensino Fundamental, quanto para a do Ensino Médio. “A certificação é destinada àqueles alunos que foram aprovados no vestibular, ou em concurso público ou àqueles a quem que esteja sendo exigida documentação de escolaridade para ingresso no mercado de trabalho. É oportunizado a esses alunos fazerem uma prova em calendário previamente divulgado pela Seduc, e em caso de aprovação eles recebem a certificação”, explicou.
Segundo dados da Divisão de Exames e Certificação da Seduc, de 2021 até o momento foram beneficiados 2.681 alunos com as provas dos Exames de Certificação, 178 do Ensino Fundamental e 2.503 do Médio. Destes, 21 receberam a certificação do Ensino Fundamental e 893 no Ensino Médio.
Uma outra avaliação de mesma importância para jovens e adultos que não tiveram como frequentar a escola em idade regular, ofertada pelo Governo Federal por meio do INEP, é o Encceja. Em Sergipe participaram do último Encceja 25.944 candidatos, 4.833 dos quais pleitearam a certificação do Ensino Fundamental e 21.111, a certificação do Ensino Médio. Desse total foram certificados pelo Encceja de Ensino Fundamental 155 alunos e 1.072 de nível médio.
Retorno aos estudos
Vladimir da Conceição Santos, de 32 anos, é um dos estudantes que buscou a Seduc para garantir a certificação especial e, por consequência, uma vaga na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Há 13 anos fora do ambiente escolar após ter deixado as aulas da 3ª série no atual Centro de Excelência Atheneu Sergipense, em 2009, Vladimir fez o Enem 2021 e foi aprovado no curso de Ciências da Religião.
De origem quilombola, do município de Estância, a família de Vladimir é diversificada no que tange à religião, motivo que fez o jovem optar pelo curso. “Minha família está no Candomblé, no Catolicismo e na Igreja Protestante, o que é o meu caso. Já era um sonho de criança porque eu tenho muita facilidade com assuntos religiosos e eu me inscrevi no curso por gostar muito. Eu acredito que o Ensino Religioso é muito importante nas escolas. Hoje nosso país está um pouco conturbado devido também a convicções religiosas diferentes que servem de discurso de ódio. Então ensinar as crianças desde pequenas a respeitarem o próximo e a crença do próximo é algo muito grande para formar bons cidadãos”, disse.
Outro sergipano que vai retomar os estudos após 22 anos longe da escola é o pai de família Abdias Dantas dos Santos, de 46 anos. Ele viu a esposa se formar em Enfermagem e o filho em Música, para então poder se dedicar ao curso de Engenharia de Pesca, que acaba de ser aprovado este ano na UFS. Muitos foram os motivos para permanecer longe da sala de aula, explica Abdias: “Iniciei o supletivo há 22 anos no Centro de Referência em Educação de Jovens e Adultos Severino Uchôa, fiz a primeira etapa e tranquei, pois com filho pequeno e outras atribulações da vida, os estudos foram ficando para depois”, disse.
Diante da pandemia, Abdias passou um tempo parado, o que o colocou em alerta para concluir o Ensino Médio e tentar ingressar em um curso de Ensino Superior. “Iniciei de novo no Severino Uchôa, realizei uma etapa online e outra presencial. Desde o ano passado busquei estudar para o Enem um pouco todos os dias, conforme eu podia, mas ainda faltavam seis meses para concluir o Ensino Médio, até que fui surpreendido com essa possibilidade de retirar a certificação em tempo hábil para efetuar a matrícula no curso de Engenharia de Pesca”, concluiu.



