Governo de Sergipe investe para reestruturar e padronizar bibliotecas das escolas da rede estadual

Por Ítalo Marcos
Fonte: ASCOM / SEED

 

As 90 intervenções já concluídas têm mobiliário e livros paradidáticos orçados em R$ 600 mil e R$ 550 mil, respectivamente. Esse investimento garante acessibilidade e incentivo à prática da leitura

 

Até 2020, segundo a Lei 12.244, todas as escolas do Brasil devem ter uma biblioteca, com pelo menos um acervo para cada aluno matriculado.

 

O Governo de Sergipe trabalha para cumprir essa meta dentro do prazo. Além de receber livros didáticos do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), todas as 356 escolas do Estado passam por obras diferenciadas.

 

As 90 padronizações já concluídas têm mobiliário e livros paradidáticos orçados em R$ 600 mil e R$ 550 mil, respectivamente. Esse investimento garante acessibilidade e incentivo à prática da leitura.

 

De acordo com o diretor do Departamento de Apoio ao Sistema Educacional (Dase), Fábio Leite, Sergipe conta com 160 escolas que já possuem espaço adequado para receber o novo layout implantado pelo Ministério da Educação (MEC).

 

"Antes as bibliotecas eram muito feias, acanhadas. E atualmente o governo pensa na biblioteca como algo estruturado, com ar-condicionado e que dê prazer e incentivo", afirma o diretor do DASE.

 

Com as obras, o governo busca qualificar os alunos da rede estadual, visando também que a comunidade faça uso do acervo disponibilizado nas bibliotecas. Para Fábio, as intervenções são de extrema importância, pois, apesar das tecnologias, a juventude não deve perder o hábito de ler.

 

"As pessoas falam que estudantes da rede pública, periferia ou classe trabalhadora não gostam de ler, e isso não é verdade. Temos que dar oportunidade a eles, oferecer livros bons e que chamem o aluno para pensar. E a intenção de governo é essa".

 

O investimento em bibliotecas reflete, principalmente, na vida dos alunos. A estudante da Escola Estadual Dr. Manoel Luiz, Fabíola Santos, 12, fala da importância do novo ambiente. "Gosto de estar aqui, porque é confortável e silencioso. Os professores nos trazem e é perfeito, pois incentiva os alunos a virem. A leitura ensina novas coisas e gera curiosidade para buscar outros livros", disse.


O diretor da escola, João César de Oliveira, destaca a importância da implantação e padronização das bibliotecas nas escolas. Para ele, a biblioteca é mais um local que o aluno tem para acrescentar conhecimento.

 

"Nós estamos com um acervo muito bom, com livros didáticos e paradidáticos, além de DVDs. É uma biblioteca utilizada pelos professores diariamente com atividades".

 

Aluna do Manoel Luiz, Catharina Luiza, 15, disse que frequenta o acervo por conta do incentivo de um dos projetos elaborados pelos professores. Ela afirma que se sente atraída, principalmente por romances.

 

"Acho legal ler, porque acabo aprendendo mais, me desenvolvendo, e isso traz estímulo para aprender palavras novas". O diretor César informa que é comum na escola esse incentivo através de projetos.

 

"Trabalhamos com iniciativas multidisciplinares, como o de integração com os índios Xocós, no qual os alunos viajam até a tribo e extraem a literatura deles. Esse projeto envolve as disciplinas de História, Geografia e Português". 

César explica ainda que no acervo da escola são contabilizados 200 livros paradidáticos, dentre eles histórias em quadrinhos, romances e publicações de escritores sergipanos.

 

O aluno João Victor, 15, afirma que essa estrutura é importante para atrair o estudante e comenta sobre a importância de ter uma biblioteca no colégio.

 

"Acredito que esse tipo de ambiente é fundamental, pois é possível ler, estudar e aprender até lições de vida", disse.

 

Para o coordenador estadual do Programa do Livro Didático e Bibliotecas, Marcos Vinícius Anjos, o senso comum acredita que a geração ‘YZ´ [composta de pessoas de 12 a 29 anos, mais expostas à internet e aos meios tecnológicos] não gosta de ler, porém ele discorda.

 

"Mário Portela, em uma palestra, disse que essa é a geração que mais lê, se forem levadas em consideração as mensagens de Whatsapp e do Facebook. Ou seja, o índice de leitura é muito grande, apenas é preciso estimular para que haja revezamento com o livro físico", completou.

 

São realizadas reuniões frequentes com gestores das escolas com o objetivo de fomentar a utilização diária da biblioteca, o incentivo e a elaboração de projetos, como explica Fábio. Os encontros são separados em dois momentos.

"Sempre há conversa com diretores e secretários sobre a utilização da biblioteca. A primeira etapa é sobre a escolha do livro didático e a importância deles. A segunda diz respeito aos paradidáticos e às bibliotecas, onde temos capacitação e encontro com os diretores".

 

Doação de livros

 

O Departamento de Apoio ao Sistema Educacional trabalha com projetos de incentivo à doação de livros paradidáticos que possam ser utilizados nas bibliotecas.

 

A campanha Compartilhe seus livros e transforme vidas visa à doação de paradidáticos a serem utilizados nas bibliotecas escolares. A entrega pode ser feita na sede do Dase, localizada na avenida Murilo Dantas, galeria Farol Center, 881. Porém o doador pode ligar para o número 3253-8101/8103 e solicitar que um representante do órgão busque o material.

 

A campanha está aberta permanentemente e, conforme Fábio, recebeu várias doações importantes ao longo dos quatro meses de criação.

 

"Já tivemos doação de livros de empresários, médicos etc. As pessoas veem a campanha e começam a doar, até porque muitas têm publicações em casa e, com a mudança crescente para apartamentos, onde não há tanto espaço para armazenar objetos, elas resolvem compartilhar os exemplares".

 

Segundo o diretor do Dase, as publicações que chegam são boas. Muitas são romances e podem ser inseridas na biblioteca. O acervo é diversificado, indo da literatura às histórias em quadrinhos, o qual é usado para atrair a população estudantil e comunidade em geral.

 

"Um romance como Os Sertões, que é um clássico, faz com que a juventude se aproxime da biblioteca. Outros livros têm o mesmo efeito, a exemplo dos que geraram um filme ou novela, pois as pessoas procuram para fazer a leitura e ver como foi".

 

Com relação aos livros didáticos doados, estes não podem ser destinados às bibliotecas escolares, pois recebem atualização a cada três anos, por meio de repasse do MEC e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), no Programa Nacional da Biblioteca Escolar (PNBE). Caso sejam entregues ao Dase, são encaminhados para empresas parceiras do Departamento a fim de serem reciclados.

 

Agência Sergipe de Notícias

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