Lugar de mãe é na escola também

Por Michele Becker
Fonte: Ascom/ Seduc

 

Escola Estadual Professora Julia Teles, em Nossa Senhora do Socorro, estimula a participação da comunidade através do Clube de Mães

 

O cenário era de pandemia da covid-19. As escolas da rede estadual de ensino de Sergipe estavam fechadas para quarentena. A população em geral estava muito preocupada, pois o futuro era incerto e as informações sobre a doença eram poucas e espaças. Foi neste contexto de medo, mas também de solidariedade, que surgiu o Clube de Mães da Escola Estadual Professora Julia Teles, na comunidade do Conjunto Jardim, em Nossa Senhora do Socorro. Hoje, três anos depois, elas celebram juntas o Dia das Mães.

 

De acordo com a diretora, Rosenilde Santos, o projeto do clube de mães surgiu para suprir uma necessidade da unidade escolar, localizada numa comunidade com alta vulnerabilidade socioeconômica. “Durante a pandemia, mesmo com a escola fechada, nós precisávamos organizar kits de alimentação para distribuir aos alunos e precisávamos de ajuda para essa tarefa. As mães não mediram esforços para nos ajudar. Depois, precisamos delas para nos ajudarem com a organização da escola em virtude da reabertura. E lá estavam elas novamente, sempre solícitas e dispostas a fazerem o que fosse necessário”, lembra a gestora.

 

A idealizadora do projeto, Lazara dos Santos Nascimento, diz que a iniciativa é fruto de um olhar atento para as necessidades da comunidade. “Eu frequento o conjunto Jardim há vinte anos e leciono na escola há dez. Conheço bem as necessidades dessas mulheres e sempre quis fazer um trabalho que contemplasse o engajamento e o empoderamento feminino”, comenta Lazara. Nessa perspectiva, o clube de mães deixou de ser um encontro de mulheres que querem contribuir com a escola e passou a ser um encontro de mulheres que querem também receber uma formação da escola. 

 

É o caso de dona Maria José de Jesus Nascimento, 50 anos, que parou de estudar no 3º ano do ensino fundamental, quando tinha apenas 10 anos, pois precisava trabalhar para ajudar nas despesas de casa. “Eu venho de uma família muito pobre. Na maioria das vezes minha única refeição era na escola. Quando precisei parar de estudar, eu fiquei muito triste, mas não podia fazer nada. Eu tinha que levar dinheiro para casa”, lembra a mulher que criou nove filhos, sendo que as duas mais velhas estão na universidade e a mais nova cursa o ensino fundamental.  

 

Maria José sempre gostou de ser uma mãe presente na escola de seus filhos, tanto para ajudar nas tarefas do dia a dia, quanto para dar carinho e afeto aos alunos. “Eu resolvi participar do clube de mães porque sempre gostei de ajudar a preparar a merenda das crianças ou ajudar a arrumar a escola para alguma atividade. Eu acho importante estar presente na vida dos nossos filhos”. 

 

Mas extraordinário mesmo foi ela ter arranjado energia para voltar a estudar depois de ter ficado mais de 40 anos longe da sala de aula. “É uma felicidade sem fim esse momento que eu estou vivendo, pois, além de ajudar, também estou sendo ajudada”, comenta a senhora que está cursando o 5º ano do ensino fundamental noturno, na mesma escola onde a filha estuda. 

 

Outro exemplo de determinação é Ana Angélica, 47, faxineira. Ela conta que começou na primeira turma do clube de mães e continua até hoje. “Eu gosto de estar aqui porque eu aprendo sempre uma coisa nova. Eu gostei muito do curso que tivemos para aprender a arrumar uma mesa de jantar, pois isso me qualifica na minha profissão. Também gostei de aprender a fazer panos de prato, pois pode me ajudar a fazer um extra. Agora, vamos começar um curso de culinária para aprender a fazer bolos e salgados. Acho que vai ser legal, além de ter uma boa demanda por esse serviço na região”, conclui.

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