Mães sergipanas inspiram com histórias que entrelaçam maternidade e educação

Por Silvio Oliveira
Fonte: Ascom/ Seduc

 

Uma homenagem a todas as mães da rede pública estadual de ensino de Sergipe

 

No Brasil, o segundo domingo de maio de cada ano é dedicado a todas as pessoas que de alguma forma tiveram o privilégio da maternidade, no sentido amplo da palavra, que cria o amor incondicional por um filho, quer seja natural ou adotivo; que espelha um emaranhado de emoções sequenciadas pela proteção; que desconcentram o amor próprio para dedicá-lo a mais um, dois, três, por meio de uma ligação incondicional de carinho. Este ano, o dia 12 de maio é a data em que os sergipanos homenageiam àquelas que desempenham o papel de gerar em si e interligar-se com o outro por meio da proteção, da acolhida, da orientação.

 

Por vezes, são as mães que esquecem do seu “eu” para viver o “nós” com os filhos. É definição de mãe quem adota e adquire a maternidade, mesmo que não tenha gerado naturalmente. São mães aquelas (es) que emanam proteção ao filho-pet. Mães solos, são mães de único filho ou de vários e até mães de consideração de uma sala de aula completa.

 

A professora de História Ianara Xokó (35), nascida e criada na primeira aldeia indígena reconhecida em Sergipe, diz se enquadrar nesta lista. Mãe de três filhos e de consideração de 55 alunos do Colégio Indígena Estadual Dom José Brandão de Castro, para ela, ser mãe, professora e moradora de comunidade indígena, atribui a ela a missão dobrada de construir, descontruir e manter viva a memória da aldeia Xokó. “Concilio bem o trabalho com a maternidade. Sempre tive amor pela profissão, mas trabalhar na aldeia, aumenta minhas responsabilidades por estar ocupada talvez em um lugar, talvez que não seja meu, além de mulher, professora, mas mãe preocupada com o futuro da aldeia, com a aldeia que quero para meus filhos e com o futuro”, disse.

 

Maternidade e Mestrado

 

Há dois anos a professora Ianara Xokó uniu o cotidiano de cuidar, proteger e orientar os dois primeiros filhos com a jornada de concluir o mestrado em Antropologia. Essa jornada iniciava por volta das 3h40, quando Ianara, de moto saia da aldeia, pegava o primeiro ônibus de Monte Alegre de Sergipe. “Minha jornada para Aracaju durava 4 horas de distância, deixava minhas filhas na aldeia e pegava o primeiro ônibus de Monte Alegre às 5h: uma com 2 anos, outra com um ano. Foi o período mais conturbado e de muita culpa, chegava a doer, mas eu tinha que ir, por mim, por elas, pelos meus objetivos. Penso que todas nós, mães, estamos sempre em um lugar de protetora, provedora, acolhedora, batalhadora e sempre nessa busca sem fim por melhorias para nós, mas, principalmente, primordialmente para nossas crias. Foram dias difíceis, mais todos superados. Quando defendi minha dissertação, cá estava eu à espera do terceiro filho”, conta.

 

A maternidade e o mestrado se confundiam em desafios, sentimento de culpa por abdicar horas com os filhos para dar espaço aos livros, de seguir ou não seguir. “Enfrentei aqueles probleminhas de toda gestação: enjoos, náuseas, vômito e o medo enorme de não conseguir concluir, mas não, o Yohann foi um impulso para alçar novos voos. Hoje estou aqui mestra, professora, e sobretudo mãe da Maya, Esther e Yohann. Feliz e sempre pronta para novos desafios, novas batalhas por mim e por eles”, afirma.

 

Incentivo entre mãe e filha

 

Ocupando duas vagas do Pré-Universitário do Governo de Sergipe, mãe e filha tem um objetivo: ingressa na universidade pública. A dona de casa Luiza Pereira Pinto (38) caminha na direção de realizar o sonho de cursar medicina na Universidade Federal de Sergipe, após passar pela maternidade de Emilly Yasmin (18), Ellen Ynayara (17), Elloy Miguel (09), Evellyn Jasmin (08).

 

O sentimento da proteção e doação estiveram presentes ao longo desses 18 anos que gerou pela primeira vez Emilly Yasmim. Luta e persistência são palavras do dia a dia de Luiza Pereira, que tem o estudo como a fonte de inspiração para uma vida melhor.  “Foram muitas dificuldades, abrir mão da carreira profissional e venho lutando para retomar. Ano passado meu filho foi diagnosticado com autismo e déficit mental, mas tenho um companheiro que também me ajuda muito. É ele que fica com meus filhos para eu ir estudar”, destaca.

 

Segundo Luiza Pereira, a primeira conquista foi ser aprovada junto com a filha mais velha Emilly Yasmim na seleção de vagas do Pré-Universitário do Governo de Sergipe. O incentivo é mútuo entre elas, e essa cumplicidade diminui a correria do dia a dia nos afares de casa e nos estudos. “Quando tenho tempo, estudo pelas madrugadas, meu esposo me ajuda e assim quando estou na aula sempre dou o meu melhor”, lembra, Luiza ao acreditar também que a vida dela tem um propósito a seguir, já que o sonho é receber o “canudo” de formatura em uma solenidade com a presença do pai e da mãe dela.

 

Volta aos estudos

 

Márcia Maria (52). mãe de duas filhas – Lara Beatriz (19) e Melissa Leonora (15) – resolveu mudar de vida ao ingressar no curso de Secretaria Escolar do Instituto Rui Barbosa (IERB), unidade de educação profissional da rede pública estadual, localizada em Aracaju. Filha de pais que só cursaram o ensino fundamental de uma família de cinco irmão, nunca teve a oportunidade de se especializar.

 

Foi aos 52 anos, que viu a filha mais velha Laura Beatriz ingressa na faculdade de Direito e assim a incentivou a também voltar a estudar. “Depois que minhas filhas cresceram, pois eu era mãe integral, vi que poderia mais. Fui selecionada e comecei a estudar, mas foi no período da pandemia onde as aulas eram remotas. Quando voltaram as aulas presenciais, senti muito feliz em poder sair de casa, voltar a estudar e obter conhecimentos, fazer novas amizade. É muito satisfatório. Formei-me em Nutrição e Dietética, onde fui inspiração para minha filha Melissa também ingressas no curso. Hoje ela estuda 1º ano do ensino médio junto com Nutrição e eu Secretaria Escolar”, conta, Marcia Maria aí dizer que além de ser aluna, faz parte do conselho escolar de pais da instituição, é monitora de Transporte Escolar e Busca Ativa, projeto do Governo de Sergipe, e pretende estudar mais para cursar Direito.

 

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