Programa psicossocial da Educação supera a marca de 10 mil acolhimentos nas diretorias regionais do Estado

O Programa Acolher, da Secretaria de Estado da Educação, atua no atendimento psicossocial e socioemocional de alunos da rede pública estadual de ensino, oferecendo suporte a estudantes, professores, famílias e gestores escolares

Autor: André Domingos (estagiário)

Dentre as atribuições da Secretaria de Estado da Educação de Sergipe (Seed), está a promoção da boa convivência no ambiente escolar e a orientação da comunidade escolar nas relações psicossociais. Com esse propósito, a pasta criou, em 2023, o Programa de Acolhimento Psicossocial nas Escolas Estaduais de Sergipe, o Acolher, iniciativa que oferece assistência a estudantes, professores e demais profissionais da educação, visando à construção de um ambiente pautado no respeito, na dignidade e na cultura de paz.

O Programa Acolher exerce um papel psicossocial e socioemocional fundamental para o fortalecimento do ambiente escolar, contribuindo para o bem-estar dos estudantes e para a melhoria do processo de aprendizagem. Além disso, promove o exercício da cidadania ao incentivar valores essenciais para a convivência em sociedade.

De acordo com o coordenador do Programa Acolher, Pedro Santana, a iniciativa tem transformado a dinâmica do trabalho voltado aos cuidados com a saúde mental nas escolas. “O Acolher é uma iniciativa pioneira do Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Educação, que atende às demandas socioemocionais, atua no enfrentamento das violências e das violações de direitos e articula suas práticas com a rede de proteção e de garantias sociais”, destacou.

Atendimento especializado

Desde a criação do programa, em agosto de 2023, até junho de 2026, foram realizados 10.786 atendimentos psicossociais nas dez diretorias regionais de educação de Sergipe. O projeto conta com uma equipe formada por 95 profissionais, sendo 60 psicólogos e 35 assistentes sociais. Somente no primeiro semestre de 2026, foram registrados 2.309 atendimentos.

Para Ingrid Roseane, assistente social que atua na DRE 5, em Nossa Senhora das Dores, o programa tem grande relevância. “Ao longo desses primeiros anos de atuação do Programa Acolher, foi possível perceber o quanto é importante o trabalho da Assistência Social e da Psicologia junto à rede estadual de educação. Nesse contexto, atendemos alunos com deficiência (PCDs), estudantes em situação de vulnerabilidade social, entre outras demandas.”

Ela ressalta que, ao identificar situações de vulnerabilidade social, negligência ou abandono envolvendo um estudante, é realizada uma articulação com a rede municipal de proteção. “Fazemos o atendimento, realizamos uma escuta qualificada com os responsáveis e, em seguida, articulamos a rede municipal. A partir disso, são realizados os encaminhamentos necessários ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), aos serviços de saúde e aos centros especializados dos municípios onde a escola está localizada”, explicou.

De acordo com a psicóloga Helena Rocha, que atua na DRE 4, diversos fatores externos influenciam as demandas emocionais dos estudantes. “Reconhece-se que essas demandas são frequentemente influenciadas por contextos sociais externos à escola, como situações de violência e violações de direitos. Por isso, o trabalho vai além do apoio emocional imediato, abordando também as raízes socioeconômicas que impactam o cotidiano dos estudantes. As ações do Acolher contemplam desde o acolhimento individual e a escuta qualificada até intervenções coletivas, como palestras, rodas de conversa, oficinas e ações preventivas. Além disso, o programa atua na mediação de conflitos e na promoção de uma cultura de paz. Quando é identificado que a complexidade do caso exige acompanhamento clínico ou especializado, a equipe realiza os encaminhamentos necessários à rede pública de proteção”, destacou.

O Programa Acolher também oferece suporte aos professores, auxiliando-os nas diversas demandas observadas no cotidiano escolar. “Esse apoio também se estende aos docentes, que frequentemente enfrentam desafios para lidar, de forma isolada, com as complexas situações vivenciadas em sala de aula. O Acolher oferece suporte técnico a esses profissionais, contribuindo para a prevenção das violências e para a melhoria da convivência escolar. Ao longo do ano, o programa promove campanhas educativas sobre temas sensíveis, como o Setembro Amarelo, a prevenção ao suicídio, o combate à violência contra a mulher e a orientação sobre ansiedade em períodos de exames, como o Enem”, afirmou.

Observatório das Violências e Conflitos Sociais nas Escolas

Fruto de um convênio entre a Secretaria de Estado da Educação e a Universidade Federal de Sergipe (UFS), o Observatório das Violências e Conflitos Sociais nas Escolas, em sua primeira edição, resultou na realização de uma pesquisa psicossocial com estudantes de dez unidades escolares e na elaboração de relatórios que subsidiam o planejamento do Programa Acolher e das escolas participantes.

“A Seed, em parceria com a UFS, está preparando um novo convênio para implementar ações efetivas nas dez escolas que serviram de referência para a produção dos dados utilizados na elaboração dos relatórios e dos materiais de apoio”, informou o coordenador do programa, Pedro Santana.

Também foram produzidos e editados sete protocolos de enfrentamento às diversas formas de violência praticadas ou percebidas no ambiente escolar, contemplando as seguintes temáticas: classismo, bullying e cyberbullying, capacitismo, racismo, sexismo, intolerância religiosa e LGBTfobia.

“É importante destacar que os acolhimentos mencionados referem-se aos registros encaminhados por meio do Registro de Ocorrência Escolar (ROE). As ações de prevenção e de articulação intersetorial complementam esse trabalho e fortalecem a eficiência e a eficácia do Programa Acolher”, concluiu Pedro Santana.

Fotos: Unidade escolar

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