Protagonismo feminino fortalece a educação pública de Sergipe

Da gestão estratégica, passando pela sala de aula até chegar aos espaços de pesquisa e inovação, as mulheres têm espaço e vez na educação sergipana

Autora: Michele Becker

A presença feminina na educação pública de Sergipe não é apenas simbólica, é estrutural. Atualmente, 25 mulheres ocupam cargos de gestão na Secretaria de Estado da Educação (Seed), atuando na formulação e execução de políticas educacionais estratégicas. Na docência, a força feminina é ainda mais expressiva: são 6.224 professoras e 108 educadoras profissionais distribuídas nas 319 unidades de ensino da rede pública estadual. E quando se trata de matrículas, os números evidenciam que 72.689 são meninas, do total de 141.872 estudantes matriculados no ano letivo de 2026, demonstrando equilíbrio no acesso e na permanência escolar.

Os investimentos em qualificação também se destacam. Presentemente, 2.734 mulheres da rede têm formação em nível de pós-graduação — sendo 2.292 especialistas, 389 mestres e 53 doutoras —, o que demonstra o compromisso permanente com a formação continuada. No que tange à participação de estudantes em olimpíadas científicas e feiras de conhecimento, o avanço também é significativo: das 4.870 participações registradas, em 2025, 2.225 são de alunas, perfazendo 45,68% do total.

Os números acima confirmam uma transformação significativa em curso: meninas ocupando espaços historicamente desafiadores, professoras altamente qualificadas formando novas gerações e mulheres conduzindo decisões estratégicas na administração pública educacional. Vale enfatizar, contudo, que esse movimento não é voluntário, mas respaldado por marcos institucionais e políticas governamentais.

Para este 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) traz uma série de reportagens que narra histórias que traduzem um compromisso coletivo: mulheres que lideram, organizam, ensinam e pesquisam, construindo um futuro mais equitativo e socialmente transformador em Sergipe. A primeira reportagem reforça a importância da liderança feminina na educação sergipana.

Mulher que educa, inspira e constrói futuros

À frente da Seed desde 2026, a professora efetiva da rede pública estadual Maria Gilvânia Guimarães dos Santos carrega na trajetória profissional a própria história da educação sergipana nas últimas três décadas. Nascida em Tomar do Geru e criada em Umbaúba, iniciou a carreira docente em 1995, passando pelas redes municipais de Cristinápolis, Umbaúba, Estância e Aracaju até ingressar, em 2000, na rede estadual. Atuou como professora, técnica regional, coordenadora do Programa Pré-Universitário, coordenadora do Serviço de Ensino Médio e diretora da Diretoria de Educação de Aracaju (DEA), sempre com foco na ampliação de oportunidades e melhoria dos indicadores educacionais.

Com formação sólida — graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), mestre em Educação pela Universidade Tiradentes (UNIT), especialista em Planejamento e Gestão em Educação, Gestão Escolar e Direito Educacional, além de cursar MBA Executivo em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) — Gilvânia reúne experiência técnica e vivência prática da escola pública.

Ao assumir o cargo máximo da educação estadual, ela destaca que a presença feminina na gestão pública imprime um diferencial importante. “O desafio na Seed é enorme, mas a presença feminina traz uma gestão de proximidade. A Educação é feita, em sua grande maioria, por mulheres: são professoras, diretoras, servidoras e merendeiras. Quando eu ocupo este cargo, eu trago o olhar de quem entende as múltiplas jornadas dessas profissionais. Nosso diferencial é a capacidade de conciliar o rigor técnico com a sensibilidade social, garantindo que as metas pedagógicas sejam batidas, mas sem esquecer-se do bem-estar de quem está na escola”.

A secretária ressalta que a representatividade feminina precisa ir além da ocupação de espaços simbólicos. “É importante destacar que a representatividade feminina não pode ser apenas simbólica”, comenta. Na prática, essa perspectiva se traduz em políticas estruturadas que dialogam com as necessidades das estudantes e profissionais da rede.

Entre as ações implementadas, destacam-se iniciativas transversais de combate à evasão escolar por questões de gênero e o fortalecimento de protocolos de segurança para as alunas. Iniciativas de governo como o Programa Estadual de Promoção, Proteção e Prevenção da Saúde Menstrual (Cuidar-SE) e o Programa de Atenção Psicossocial nas Escolas Estaduais de Sergipe (Acolher) integram a estratégia de permanência e sucesso escolar. O primeiro, voltado ao enfrentamento da pobreza menstrual, já atendeu a mais de 75 mil estudantes que menstruam, com um investimento de R$ 3.217.451,87 em absorventes ofertados gratuitamente na rede pública estadual de ensino. O segundo, que oferece acompanhamento psicossocial nas escolas, garantiu 8.427 atendimentos no período de agosto de 2023 a fevereiro de 2026. Outra política pública que incentiva o protagonismo estudantil feminino é o programa ‘Estudante Monitor’, cujo objetivo é estimular jovens a ocuparem espaços de liderança.

A atuação institucional dialoga diretamente com a Resolução Normativa nº 37/2024, aprovada pelo Conselho Estadual de Educação de Sergipe, que determina a inclusão da temática de enfrentamento à violência contra a mulher e a valorização das experiências femininas nos currículos da educação básica. A normativa consolida o compromisso do Sistema de Ensino de Sergipe com a equidade de gênero e com a formação cidadã.

Para as estudantes da rede pública, ela deixa uma mensagem direta: “Sigam investindo na formação e na liderança de vocês. O Governo de Sergipe está de portas abertas e acredita que uma educação transformadora passa, necessariamente, pelo protagonismo das mulheres”, afirma.

Fotos: Arquivo Seed

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