Tradicional desfile cívico de 7 de Setembro movimenta economia na Barão de Maruim

Com um grande público presente, vendedores garantem uma renda extra

Por Heidy Souza (estagiária)

Além das notas das bandas marciais que ecoaram na Avenida Barão de Maruim, em Aracaju, também é possível escutar os vendedores ambulantes que circularam entre o público, oferecendo seus variados produtos. No compasso da Independência, a avenida se transformou em palco de músicas e de negócios, onde o som dos instrumentos musicais se harmonizou com o chiado da carne na brasa e o tilintar das moedas.

Há 43 anos, dona Marleide dos Santos sai de casa e vai para a Barão de Maruim em todo 7 de setembro para vender batata-frita e churrasquinho. Sua história com a Barão começou cedo. Dona Marleide conta que, aos sete anos de idade, já vinha para a avenida com a mãe para vender alimentos. Hoje, ela continua ali, na esquina da Rua Santa Luzia, ao lado do posto de gasolina, com sua barraca montada na noite anterior, às 19 horas, para deixar tudo pronto para o grande dia.

“Começou na quinta-feira, quando iniciei o preparo dos espetinhos. Ontem, eu montei a barraca e hoje estou aqui, mais um ano, no meu ponto, e só saio quando acabar tudo, lá para as cinco horas”, conta dona Marleide. Ela, que sempre vende em festas em Aracaju e fora dela, comemora como essas celebrações contribuem para sua renda. “Eu gosto, porque eu ganho e está bom demais. Eu agradeço a Deus. Pior é não ganhar nada”, completa.

Assim como os espetinhos da dona Marleide, a população também encontra doces para a criançada, pastéis para acompanhar a cervejinha, ou refeições completas, preparadas em casa ou compradas ali mesmo.

A cada ano, novos vendedores chegam para a celebração. É o caso de Joyce Sandes, uma farmacêutica que resolveu empreender para conseguir uma renda extra. Pela primeira vez na avenida, ela oferece doces, e os resultados já eram promissores no meio da manhã. “Estou aqui desde as 8 da manhã e já vendi metade do que trouxe. Espero vender tudo até o meio-dia. Acredito que consigo porque as pessoas compram bastante, é algo que as crianças gostam muito”, afirma Joyce, que já confirmou sua presença no próximo 7 de setembro.

A pluralidade comercial

A avenida que já é um lugar diversificado para o comércio em seus dias habituais, não perde a sua essência no feriado. Além das comidas, também é possível encontrar bonés, chaveiros e muito mais. A pluralidade comercial é o que não falta neste dia.

Como exemplo dessa diversidade, temos Diego Querino, que há seis anos vende chapéus e bandeiras do Brasil. Ele comemorou que, antes do meio-dia, já tinha vendido mais de 90% dos seus produtos.

Esse também é um ótimo momento para as pessoas apresentarem seus trabalhos. É o caso da professora Jéssica Melo, do ateliê Bê e Tina. Ela está há dois anos vendendo seus produtos na praça Camerino, oferecendo produtos pedagógicos que contribuem com as habilidades cognitivas das crianças.

“Muitas das vezes eles conhecem os produtos aqui e compram depois. Aqui o foco total não é só na venda, mas também na divulgação do meu produto”, explica Jéssica.

A contribuição para os espectadores

Rose Félix, moradora do bairro Getúlio Vargas, em Aracaju, vai com sua família há anos para assistir aos desfiles. Ela conta que o empreendedorismo durante o evento contribui para a permanência das pessoas que muitas vezes vêm desprevenidas para a avenida e conseguem encontrar de tudo.

“Muitas vezes a gente vem desprevenida e tem várias pessoas que usam desse momento para garantir o seu sustento ou a sua renda extra. Então, é muito favorável, principalmente para a gente que vem com crianças e sempre tem alguém vendendo pastéis, algodão-doces, é muito importante”, finaliza a espectadora.

O 7 de Setembro em Aracaju vai muito além de uma parada militar ou de uma celebração cívica. De acordo com os vendedores, ele se consolida como um vibrante polo de oportunidades, onde a história de vida, como dona Marleide e Joyce, entrelaça-se com a tradição festiva. A avenida se torna um espaço de trocas, onde a cultura e a economia informal caminham lado a lado, gerando sustento e fortalecendo o senso de comunidade, mostrando que a independência financeira também se celebra a cada venda e a cada novo negócio.

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