Profissionais atuam no acolhimento dos estudantes, acompanham as famílias anfitriãs, a rotina escolar e verificam o cumprimento das obrigações previstas para o intercâmbio
Por: Bruna de Souza
A experiência de viver um intercâmbio internacional envolve muito mais do que conhecer novos lugares e aprender um idioma. Durante os primeiros dias fora de Sergipe e do Brasil, os participantes do Programa Sergipe no Mundo contam com o acompanhamento dos fiscais, profissionais responsáveis por oferecer suporte aos grupos, acompanhar a adaptação dos intercambistas e verificar se as condições previstas para a experiência estão sendo cumpridas.
Entre as atribuições estão as visitas às chamadas host families, famílias responsáveis por receber os estudantes durante o período de intercâmbio. Os fiscais verificam as condições de acomodação, acompanham a alimentação e observam se os alunos estão sendo bem acolhidos. Também acompanham a rotina escolar, avaliando as aulas, o material didático, a metodologia utilizada e se os conteúdos estão adequados ao nível linguístico dos estudantes.
Além disso, os profissionais verificam questões práticas da rotina, como o acesso à internet, o funcionamento do cartão de transporte público e o percurso realizado pelos intercambistas até a escola. A atuação também envolve o acompanhamento das atividades externas e dos passeios realizados durante a experiência.
No eixo tecnológico, que neste ano integra o Programa Sergipe no Mundo, a atuação dos fiscais também envolve o acompanhamento das atividades específicas da proposta. Em Singapura, o fiscal Arthur Guedes acompanha um grupo de 12 intercambistas, formado por 10 estudantes e dois professores.
Segundo Arthur Guedes, uma das principais funções é verificar se a empresa contratada para realizar o intercâmbio está cumprindo as obrigações previstas no termo de referência que orienta a contratação. Entre os itens acompanhados estão acomodação, alimentação, acesso à internet e transporte. “Nosso trabalho como fiscal consiste basicamente em verificar se a empresa contratada para a realização do intercâmbio está cumprindo as obrigações pactuadas com a Seed”, explica Arthur Guedes.
No grupo acompanhado por Arthur, a empresa deve garantir três refeições diárias, chip de internet com dados, cartão para utilização do transporte público e acomodação próxima a pontos de transporte. Também é acompanhado o cumprimento da proposta pedagógica do eixo tecnológico, que prevê aulas de tecnologia em uma universidade local e visitas técnicas a empresas, startups, museus, centros de inovação e outros espaços relacionados à área. “A gente acompanha tanto essas aulas que ocorrem em um turno quanto as visitas para entender se a proposta pedagógica que está ocorrendo na prática está em conformidade com aquilo que a Seed pensou para o programa”, afirma Arthur Guedes.
Quando alguma situação não está de acordo com o que foi estabelecido, o fiscal entra em contato com a empresa responsável para buscar uma solução. As situações identificadas também podem ser registradas em relatório para contribuir com o aperfeiçoamento das próximas edições do programa. “Naquilo que a gente consegue sugerir, intervir e apoiar, a gente vai fazendo junto à empresa. E naquilo que a gente percebe que pode ser um ponto de melhoria, a gente anota no relatório para poder sugerir melhorias para o programa nos anos seguintes”, explica Arthur Guedes.
Para Marleide Cruz de Araújo, fiscal da turma de Vancouver, no Canadá, os primeiros 15 dias são um período importante para que os intercambistas se acomodem, se adaptem e vivenciam as novas experiências. A profissional também acompanha de perto as questões emocionais dos estudantes, mantendo diálogo constante com o grupo e com os familiares.
A saudade da família, a intensidade das atividades, a convivência com diferentes culturas e a adaptação a um novo idioma podem provocar cansaço e ansiedade. Nesses casos, os fiscais também podem contar com o apoio do Programa Acolher para oferecer o acompanhamento necessário.
Em Brighton, na Inglaterra, a fiscal Liliane Teixeira acompanha um grupo de estudantes e uma professora. Para ela, o trabalho desenvolvido durante o intercâmbio vai além da fiscalização e está diretamente relacionado ao acolhimento. “Então, o papel de fiscalizar é, acima de tudo, acolher”, afirma Liliane.
A profissional acompanha as estudantes nas host families, observa a alimentação, as aulas e as atividades externas e atua como uma referência para o grupo durante os primeiros dias. Segundo ela, esse suporte é importante para que as intercambistas se sintam seguras enquanto desenvolvem, gradualmente, autonomia para vivenciar a experiência internacional.
O período no exterior também proporciona aos fiscais a oportunidade de conhecer outras realidades educacionais e culturais. Liliane destaca que a experiência na Inglaterra permite observar diferenças na educação e identificar conhecimentos que podem contribuir para a reflexão sobre o ensino público em Sergipe.
Na Austrália, o fiscal Clodoaldo Messias dos Santos acompanha um grupo formado por 11 intercambistas, dois dos quais são rapazes e nove moças, além de uma professora intercambista. Para ele, a convivência diária com o grupo tem proporcionado uma experiência de troca cultural e aprendizado.
Segundo Clodoaldo, o convívio entre os intercambistas favorece o desenvolvimento de competências como empatia, comunicação interpessoal, adaptabilidade e inteligência emocional em um contexto multicultural. A experiência também representa, para ele, uma oportunidade de aprendizado profissional e pessoal.
Com atuação nos diferentes destinos do programa, os fiscais se tornam uma referência para os intercambistas durante o período inicial da viagem. Seja no acompanhamento da adaptação dos estudantes, no cuidado com o bem-estar emocional ou na verificação das condições previstas para o intercâmbio. Esses profissionais acompanham diferentes etapas da experiência e contribuem para que os participantes tenham o suporte necessário durante a vivência internacional
SERGIPE NO MUNDO
O Sergipe no Mundo é um programa do Estado de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Educação, o qual proporciona intercâmbio educacional para estudantes de 14 a 17 anos de idade e professores da rede pública estadual de ensino.
Em sua terceira edição, o programa fortalece a internacionalização da educação básica e amplia as oportunidades de formação acadêmica e cultural dos jovens sergipanos, proporcionando experiências de imersão em outros países e contato direto com diferentes idiomas, culturas e sistemas educacionais.
Em 2026, o programa contempla 223 intercambistas. A principal novidade desta edição foi a inclusão de professores e do eixo tecnológico e digital, que se soma ao eixo linguístico. As turmas de intercambistas estão em Brighton e Cambridge, na Inglaterra; Waterford e Dublin, na Irlanda; Sevilha e Salamanca, na Espanha; Canberra, na Austrália; Toronto e Vancouver, no Canadá; e Lyon e Lille, na França.
Os participantes do eixo tecnológico realizam uma imersão educacional e cultural em grandes polos mundiais de tecnologia, com destinos como Singapura, Xangai, na China, e o Vale do Silício, nos Estados Unidos. A proposta envolve áreas como programação, robótica, inovação e desenvolvimento de projetos.
Durante um mês, os participantes têm a oportunidade de aperfeiçoar conhecimentos linguísticos, desenvolver novas habilidades e ampliar sua visão de mundo por meio da convivência em ambientes multiculturais. A experiência contribui para o fortalecimento da autonomia, do protagonismo estudantil e da preparação dos jovens para os desafios acadêmicos e profissionais de uma sociedade cada vez mais globalizada.
Os intercambistas receberam kit viagem com malas, moletons, camisa, nécessaire e garrafa, além de passaporte, visto, apoio para documentação e ajuda de custo para despesas de viagem.
Fotos: Ascom Seed





