Alimentação escolar na rede pública estadual destaca a diversificação do cardápio, a participação da agricultura familiar, a regionalização e segurança alimentar com os programas Barriguinha Cheia e Filé de Camarão
Autor: Alice Mendonça (estagiária)
Para garantir a permanência e o melhor rendimento dos estudantes, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seed), fortalece programas relacionados à alimentação escolar nas escolas da Rede Pública Estadual de Educação. Somente neste primeiro semestre de 2026, foram mais de R$ 36 milhões investidos em alimentação nas 319 escolas espalhadas pelas Diretorias Regionais de Educação (DREs). Os programas Barriguinha Cheia e Filé de Camarão são os destaques nas escolas, compondo uma alimentação saudável e nutritiva para os mais de 140 mil estudantes inseridos na rede.
Para diversificar, regionalizar e tornar os cardápios mais saudáveis, a Seed, por meio do Departamento de Alimentação Escolar (DAE), utiliza mais de 65% dos recursos de alimentação escolar destinados pelo Fundo Nacional de Educação (FNDE) para a aquisição de produtos da agricultura familiar. Somente neste primeiro semestre, cerca de R$ 10 milhões foram repassados pelo fundo. Os recursos do FNDE fazem parte do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O PNAE busca garantir a nutrição adequada dos estudantes, tornando a escola um local de alimentação segura para auxiliar na concentração nos estudos, no crescimento das crianças e adolescentes, além de garantir a permanência daqueles que vivem em situação de vulnerabilidade social.
A secretária de Estado da Educação, Maria Gilvânia Guimarães, entende a alimentação escolar na perspectiva social do ensino, como garantia da segurança alimentar. “É um compromisso com a qualidade do ensino. Nossos alunos que acessam uma boa alimentação têm um caráter nutricional adequado e, com isso, ampliam o raciocínio, a compreensão e a atenção. Pensamos na alimentação escolar atrelada à segurança alimentar”, destaca a secretária.
A diretora do DAE, Lucileide Rodrigues, fala da importância e do cuidado na garantia da qualidade da alimentação escolar na rede. “Garantir uma alimentação escolar de qualidade é um compromisso que envolve cuidado, responsabilidade e, acima de tudo, o trabalho conjunto de muitas pessoas. Tenho muito orgulho da equipe do DAE, que atua diariamente com dedicação, planejamento e comprometimento para que alimentos frescos e saudáveis cheguem às nossas escolas com segurança e regularidade”, reitera, destacando a ação desempenhada por merendeiras, gestão escolar e demais profissionais responsáveis por garantir o fluxo da alimentação nas escolas.
Alimentação nas escolas
Todas as 319 unidades têm estruturas adequadas para o recebimento, preparo e distribuição dos alimentos nas escolas. São cozinhas com freezers, geladeiras, fogões e panelas industriais e outros itens de cozinha que equipam merendeiras e merendeiros no cozimento das refeições, elaboradas por nutricionistas que avaliam o valor nutricional de cada alimento utilizado. Ao todo, mais de 220 mil refeições são servidas diariamente para os estudantes.
As escolas, a depender do seu horário de funcionamento, podem ter refeições mais ampliadas. Para escolas de funcionamento regular, os estudantes têm acesso a uma refeição diária, servida no horário de intervalo. Já para as escolas com Ensino em Tempo Integral de 7 horas, as refeições incluem o almoço e o lanche da tarde. As escolas com Tempo Integral de 9 horas têm, além destes dois, o lanche da manhã.
Para organizar a logística da alimentação nas escolas, os gestores têm acesso ao Sistema de Alimentação Escolar (Saesc), criado pela Seed. O sistema monitora todas as escolas e permite que sejam visualizados os fluxos de entrada e saída dos alimentos. É por lá, também, que são inseridos os cardápios.
Os alimentos servidos que compõem o cardápio incluem tipos de proteína, como cortes de frango, porco e boi, além de arroz, feijão, frutas, legumes, cereais e leguminosas. As merendeiras e merendeiros, responsáveis pela manipulação e preparo dos alimentos, recebem capacitações do DAE, com todas as orientações a serem seguidas.
Barriguinha Cheia
Um dos programas que destacam a alimentação escolar em Sergipe é o Barriguinha Cheia, iniciado em 2024. Até este primeiro semestre de 2026, já foi investido R$ 1.811.685,00 no programa, que atende a cerca de 120 mil alunos em 212 escolas da rede espalhadas pelas Diretorias Regionais de Educação (DREs), incluindo a Diretoria de Educação de Aracaju (DEA).
O programa oferta alimentos nutritivos para o desjejum de crianças e jovens dos ensinos fundamental (anos finais) e médio, logo no início da jornada escolar. A ideia é que ele sirva de complemento às refeições já disponibilizadas diariamente nas escolas, sendo alinhado com o PNAE. A criação do programa surgiu a partir de uma iniciativa no Colégio Estadual João Batista Nascimento, localizado em Nossa Senhora do Socorro (DRE 8).
Uma escola que faz parte do Barriguinha Cheia é o Colégio Estadual Professora Áurea Melo, do bairro Soledade, em Aracaju. O diretor da unidade, Gustavo Aragão, ressaltou a importância do programa para a comunidade escolar. “O Programa Barriguinha Cheia tem desempenhado um papel essencial em nosso colégio ao oferecer uma refeição logo no início do turno escolar, garantindo que os alunos sejam recebidos com cuidado, atenção e dignidade”, afirma.
Filé de Camarão
Outro programa que se destaca é o Filé de Camarão. Destinado a unidades da rede com Educação em Tempo Integral, o camarão incorpora o cardápio nessas escolas como um alimento nutritivo e saboroso. O camarão é cultivado em viveiros espalhados pelo estado, por produtores das regiões onde estão instalados, que fazem o ciclo econômico girar e promove a regionalização da alimentação.
Neste primeiro semestre de 2026, foram investidos cerca de R$ 750 mil para a distribuição dos camarões nas escolas integrais. Iniciado em 2023 em três DREs, o programa se espalhou para todas as demais DREs, além da DEA. Hoje, cobre todas as 147 escolas de Educação em Tempo Integral da rede. “O programa é um sucesso. Todo mundo do integral recebe o Filé de Camarão a cada 15 dias, na escola”, explica a diretora do DAE, Lucileide Rodrigues.
No Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Prof. Gonçalo Rollemberg Leite, em Aracaju, o camarão é elogiado pelos estudantes. A diretora, Nadia Adriane Fonseca, reforça esse ponto. “O camarão é o dia que eles mais esperam e ficam sempre perguntando para a gente: Nadia, quando é que vai ter camarão?”. As merendeiras do ‘Gonçalo’ são excelentes, elas têm um tempero maravilhoso. Sempre participam de todas as capacitações e projetos que o DAE encaminha, então, elas estão sempre bem preparadas. Esse preparo faz com que a merenda seja de ótima qualidade”, afirma.
A aluna Sophia Mirelly, do 1° ano do ensino médio dessa escola, diz que a qualidade das merendeiras fazem toda a diferença na hora de servir o camarão. “A merenda do camarão é muito boa. Sempre tem uma galera que pega mais comida nesse dia, porque ele é feito de uma forma boa”, completa. Já o estudante Bruno Gabriel, também do 1° ano, reforça o gosto pelo camarão. “Quando o camarão é servido, é o meu dia favorito do lanche”, destaca.
Fotos: Unidade escolar






