O projeto “Das cascas de caranguejo no lixo à biocerâmica no laboratório”, do Centro Estadual de Educação Profissional José Figueiredo Barreto, comporá o Caderno Nacional de Narrativas de Experiências Exitosas. Pesquisadores da Faculdade de Educação da UFMG estão em Aracaju para acompanhar a iniciativa
Autor: Silvio Oliveira
O projeto “Das cascas de caranguejo no lixo à biocerâmica no laboratório: Solução sustentável para o aproveitamento de resíduos do caranguejo na Orla da Praia de Atalaia/SE”, desenvolvido por alunos e professores do Centro Estadual de Educação Profissional José Figueiredo Barreto, localizado em Aracaju, ganhou mais uma conquista: passará a constar entre as 25 experiências exitosas do ensino médio em tempo integral no país. Nesta quarta-feira, 17, a instituição recebeu pesquisadores do grupo de extensão e pesquisa da Faculdade de Ensino da Universidade Federal de Minas Gerais, responsável por lançar o Caderno de Narrativas de Experiências Exitosas do Ensino Integral, do Ministério da Educação.
O projeto “Das cascas de caranguejo no lixo à biocerâmica no laboratório” é uma iniciativa da professora orientadora Darcilayne Martins, desenvolvido pelas estudantes Maria Caroline Damázio Matos Rodrigues, Vivian Luciana Chantel Sena, Aline Ferreira Santos, Lyvia Beatriz Bezerra Santana e Inara Fernanda Albino Santos. Ao utilizar reações químicas, as jovens pesquisadoras transformam resíduos de caranguejo provenientes de bares da orla de Atalaia, e que seriam descartados, geralmente, de forma inapropriada, em biocerâmica processada em laboratório.
Os pesquisadores da UFMG, Luciana Bizzotto e Célio da Silveira, acompanhados da estudante bolsista Tálita Vaz, participaram de reuniões com as integrantes do projeto e com o corpo gestor da escola, acompanharam uma apresentação da metodologia do projeto, e puderam conhecer in loco sobre as questões sociais, regionais e culturais do caranguejo, inclusive por ser o crustáceo patrimônio imaterial de Sergipe, de acordo com lei de 2020 de autoria do atual vice-governador e então deputado estadual, Zezinho Sobral.
“Fiquei inspirada por se tratar de um projeto que envolve meninas. É algo muito inspirador e que incentiva a produção feminina de conhecimento científico. Vimos muito poucas experiências em escolas de Educação Profissional e Tecnológica em Tempo Integral e essa experiência se destaca”, frisou a pesquisadora Luciana Bizzotto, ao também relatar sobre a relação de profissionalismo entre as alunas e a professora orientadora e a interdisciplinaridade, além do sentimento de pertencimento do projeto e escola.
Experiências exitosas
O Caderno de Narrativas de Experiências Exitosas do Ensino Integral foi publicado pela primeira vez em 2025 e conta histórias inspiradoras de 25 projetos de iniciação científica em todo o país. A publicação é uma iniciativa do Ministério da Educação, que publicou, em 25 de maio de 2026, a lista com o resultado final do Edital MEC nº 1/2026 de seleção das Experiências Inspiradoras de Gestão e de Projetos Pedagógicos de Educação em Tempo Integral.
Em Sergipe, dois projetos da rede pública estadual de ensino foram contemplados: o projeto “Das cascas de caranguejo no lixo à biocerâmica no laboratório”, do CE José Figueiredo Barreto; e o “Alma Africana”, do CE Nelson Mandela. Apenas o primeiro comporá a edição 2026 do Caderno de Narrativas.
O projeto foi iniciado em 2025 a partir da observação do grande volume de cascas de caranguejo descartadas diariamente na capital sergipana. Após o consumo do crustáceo nos restaurantes, os restos costumam ser descartados no lixo comum e encaminhados para lixões ou aterros, onde se decompõem e liberam gases que contribuem para o agravamento do efeito estufa, além de provocar impactos ambientais como mau cheiro e acúmulo inadequado de resíduos.
Orientadas pela professora de Química e pesquisadora Darcilayne Martins, as estudantes chegaram a uma reação química ideal no reaproveitamento desse resíduo ao transformá-lo em biocerâmica. “É um projeto que avança cada vez mais e recebe a visibilidade que ele merece. Iniciamos a pesquisa de campo em fevereiro do ano passado e estamos colhendo resultados”, afirmou a aluna do 3º ano e uma das veteranas do projeto, Maria Caroline Damázio.
Por ser o projeto uma iniciativa da escola, foram inseridas novas alunas dos 1º anos do ensino médio para que deem continuidade. E essa metodologia de ser o projeto uma atividade contínua de pesquisa do centro de educação foi destaque da fala do pesquisador Célio da Silveira. “É interessante também notar que o projeto foi incorporado às atividades da escola. Também verificamos que não é somente pesquisa e ensino, mas envolve o social e o cultural”, disse.
Mais conquistas
Recentemente o projeto do Centro Estadual de Educação Profissional José Figueiredo Barreto recebeu o selo ODS 2025 – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, alinhado às diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU) e foi contemplado com o “Prêmio Destaque em Empreendedorismo” na Feira Brasileira de Iniciação Científica (Febic), realizada em Santa Catarina, também participou do IV Congresso Internacional de Educação Empreendedora e Cidadã, em Aracaju, assim como da 5ª edição da Semana Nacional da Educação Profissional e Tecnológica – Juventudes que inovam, em Brasília-DF, e exposto no Feira de Ciência Jovem, no Recife, além da Feira Estadual de Ciências, Tecnologia e Artes de Sergipe (Cienart), da Universidade Federal de Sergipe, em Aracaju.
A professora Darcylaine Martins ficou entre os primeiros lugares do Prêmio Educador que Transforma e participou da Bett Brasil, em São Paulo, a convite do Sebrae, por ter o projeto uma vertente desenvolvida com base em soluções sustentáveis e inovadoras.
Fotos: Annelisa Rodrigues





