Grupo de estudantes do Centro de Excelência Abdias Bezerra chega à semifinal de programa global da Samsung

Composto por quatro meninas, o grupo desenvolveu tubetes sustentáveis para cultivo; projeto, orientado por professor de Química, já esteve presente em feiras científicas e outros eventos

Por Alice Mendonça (estagiária)

Um projeto desenvolvido por quatro alunas e um professor do Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Abdias Bezerra está na semifinal de um programa global da empresa sul-coreana Samsung. O grupo da escola, localizada em Ribeirópolis e vinculada à Diretoria Regional de Educação (DRE 3), desenvolveu protótipos de tubetes biodegradáveis para o cultivo de mudas e está entre as 30 equipes semifinalistas que também desenvolveram projetos sustentáveis e tecnológicos. O resultado dos finalistas deve ser divulgado em 16 de outubro.

A equipe feminina é composta pelas estudantes Karla Yasmim Mota, Maria Clara da Luz, Laylla de Almeida Santos e Maryana Santos Barbosa, que cursam o 3º ano do Ensino Médio. Elas são orientadas pelo professor de Química Danilo Oliveira Santos, que também leciona a disciplina eletiva de Iniciação Científica Júnior, da qual surgiu o projeto. A equipe participa do Solve for Tomorrow Brasil, programa global de cidadania corporativa da Samsung que incentiva estudantes do Ensino Médio de escolas públicas do país a desenvolverem projetos com abordagem STEAM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).

Intitulado “Reutilizar para plantar: a ciência por trás dos tubetes ecológicos”, o projeto consiste na criação de tubetes sustentáveis feitos à base de materiais como fibras de coco, borra de café, cascas de banana e serragem de madeira. Os tubetes são pequenos recipientes cilíndricos utilizados para o cultivo de mudas de plantas. Por serem biodegradáveis, permitem que as raízes das mudas se desenvolvam livremente, sem a necessidade de retirá-los posteriormente.

Ainda segundo o professor, a ideia surgiu a partir da observação do descarte desses materiais na escola, como uma alternativa para reaproveitá-los. Além de substituir os tubetes tradicionais, os modelos sustentáveis também podem substituir os sacos plásticos utilizados para acondicionar mudas de plantas. Para o professor, o sentimento de orgulho pelo projeto é grande, principalmente por representar a escola, o estado e as mulheres na ciência. “A participação de uma equipe formada por meninas tem relevância científica, educacional e social, pois amplia a representatividade feminina na produção do conhecimento e contribui para desconstruir a percepção de que a Ciência, a Tecnologia, a Engenharia e a Matemática são áreas predominantemente masculinas”, afirma.

Uma das estudantes, Karla Yasmim, conta que a experiência de participar do projeto foi especial. “O projeto foi sendo construído aos poucos, com muita pesquisa, testes e aprendizados. O mais interessante foi transformar uma preocupação ambiental em algo que pudéssemos realmente testar na prática. Saber que chegamos à semifinal é muito gratificante e mostra que todo o nosso esforço está sendo reconhecido”, afirma.

Agora, os tubetes sustentáveis estão em fase de produção em maior escala, para avaliar o tempo de decomposição no solo. Eles já foram testados por um agricultor local, com o objetivo de verificar a eficácia do projeto, e os estudos devem ser ampliados à medida que a produção aumentar. Além dos tubetes, o grupo também está produzindo vasos para plantas, utilizando os mesmos materiais orgânicos e testando os quatro resíduos: fibras de coco, cascas de banana, serragem de madeira e borra de café.

O projeto também já foi apresentado em outros eventos, como a Feira de Indústria e Integração Científica de Estância (Fiicest), na qual recebeu destaque, e a Feira Brasileira de Iniciação Científica (Febic). O grupo participará, ainda, da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), da Feira Nordestina de Ciências e Tecnologia (Fenecit) e do Ciência Jovem. As alunas e o professor também fazem parte de um grupo de pesquisa da escola, que fomenta outros projetos científicos para além da iniciativa dos tubetes sustentáveis.

Fotos: Ascom Seed

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