Intercâmbio cultural fortalece saberes e conecta estudantes de Sergipe e São Paulo na Ilha de São Pedro

Alunos da Escola Alef Peretz, de São Paulo, retornam ao território Xokó e vivenciam experiências de aprendizagem baseadas no respeito à diversidade e à identidade indígena

Autora: Michele Becker

Uma experiência marcada pelo diálogo, pela escuta e pela valorização das diferenças reuniu, na Aldeia Indígena Xokó, na Ilha de São Pedro, em Porto da Folha, estudantes de realidades distintas, mas conectados pelo desejo de aprender. Pela segunda vez, 30 alunos da Escola Alef Peretz, de São Paulo, visitaram o Colégio Estadual Indígena Dom José Brandão de Castro, em uma imersão que, mesmo breve, deixou marcas profundas de troca cultural e aprendizado coletivo. 

A visita integrou uma proposta pedagógica voltada ao fortalecimento do respeito à diversidade e à construção de pontes entre diferentes contextos educacionais. Recepcionados pelos estudantes monitores Xokó e pelo pajé Jair, os visitantes participaram de momentos de partilha sobre cultura, identidade e educação indígena. As vivências proporcionaram uma compreensão mais ampla sobre os modos de vida, as tradições e os desafios enfrentados pelas comunidades originárias, ao mesmo tempo em que evidenciaram o protagonismo dos estudantes indígenas na mediação desse conhecimento. 

O Colégio Estadual Indígena Dom José Brandão de Castro tem se destacado por articular ensino formal e valorização dos saberes ancestrais, por meio de programas e projetos que fortalecem a identidade cultural e promovem uma educação contextualizada e inclusiva. Iniciativas voltadas à interculturalidade, à educação ambiental e à preservação da memória do povo Xokó consolidam a escola como um espaço de resistência e inovação pedagógica. 

Para a diretora da unidade escolar, Ângela Apolonio, momentos como esse ampliam horizontes e reafirmam o papel da escola como território de encontros. “Receber os estudantes da Escola Alef Peretz em nossa escola foi um momento importante de troca e aprendizado. Mesmo pertencendo a realidades diferentes, percebemos semelhanças entre nossas escolas, como a valorização da cultura, da identidade, do respeito às tradições e da formação de jovens conscientes e protagonistas de suas histórias”, destacou. 

A participação ativa dos estudantes monitores Xokó foi um dos pontos altos da visita. Responsáveis por conduzir as apresentações e dialogar com os visitantes, eles assumem um papel essencial na difusão dos saberes do seu povo. “Para mim, é muito importante poder compartilhar um pouco da nossa história e da nossa cultura com outras pessoas porque essa é uma forma de não deixar a nossa história ser apagada. Esses momentos de troca com os não indígenas, proporcionados pela escola, são muito importantes. A gente fica mais forte e sem medo de dizer quem somos”, afirmou Isabella Lima da Silva, aluna da 1ª série do Ensino Médio e estudante monitora Xokó. 

A experiência também impactou os estudantes visitantes, que puderam conhecer de perto a realidade do território indígena e refletir sobre diversidade, pertencimento e convivência intercultural. Durante a programação, os alunos participaram de rodas de conversa, apresentações culturais e visitas aos espaços da comunidade, fortalecendo vínculos e ampliando o entendimento sobre a importância da valorização dos povos originários na construção da identidade brasileira. 

Mais do que um intercâmbio entre escolas, o encontro reafirmou o papel da educação como ferramenta de aproximação entre culturas, promoção do respeito mútuo e fortalecimento da cidadania.

Fotos Ascom Seed

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