Evento marcou o aniversário com entrega de Menção Honrosa e diplomas de Mérito Cultural
Autora: Paula Toquinho
A Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória celebrou, na última terça-feira, 16, seus 178 anos de fundação com uma programação especial dedicada à preservação da memória, à valorização da cultura sergipana e à democratização do acesso ao conhecimento. Com o tema “Entre Memórias e Saberes”, a solenidade reuniu pesquisadores, educadores, estudantes, escritores, representantes de instituições culturais e autoridades em uma celebração da história e do legado de uma das mais importantes instituições culturais de Sergipe.
A programação prestou homenagem a duas personalidades fundamentais da cultura sergipana: o escritor e crítico literário Sílvio Romero, cujo nascimento completa 175 anos em 2026, e o historiador e pesquisador Epiphanio Dória, patrono da instituição, lembrado pelos 50 anos de seu falecimento. Na ocasião, foram entregues o Diploma de Mérito Cultural Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória a personalidades sergipanas e a Menção Honrosa de Mérito Cultural às Academias Sergipanas.
Durante a solenidade, a secretária de Estado da Educação, Gilvânia Guimarães, ressaltou a importância da biblioteca como espaço de preservação da memória, da história e do conhecimento sergipano, destacando seu papel na valorização da identidade cultural e na ampliação do acesso à leitura e à informação. “A Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória é um patrimônio do povo sergipano. Este espaço preserva a nossa memória, valoriza a história de Sergipe e amplia o acesso ao conhecimento. Mais do que um local de consulta e pesquisa, é um ambiente acolhedor que promove encontros, reflexões e fortalece a cultura e a educação em nosso estado”, afirmou.
A diretora da biblioteca, Juciene Maria Santos de Jesus, enfatizou o caráter de reconhecimento da data e destacou os números da instituição. “Hoje, a Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória reafirma sua importância para Sergipe com um acervo de, aproximadamente, 100 mil volumes e uma média anual de 35 mil visitantes. Esta celebração também é um momento de reconhecimento a todos que contribuíram para a construção dessa história: servidores, educadores, pesquisadores, usuários e colaboradores que ajudaram a consolidar este patrimônio como referência na preservação da memória e na difusão do conhecimento”, considerou.
Entre os homenageados com o Diploma de Mérito Cultural, o presidente da Academia Sergipana de Letras, Anderson Nascimento, destacou a relevância da instituição para a vida cultural do estado. Segundo ele, a biblioteca desempenha papel estratégico na preservação do patrimônio bibliográfico e documental sergipano e é referência para pesquisadores, estudantes e para a sociedade em geral. “Receber esta homenagem é motivo de grande honra. A Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória cumpre um papel estratégico na preservação do patrimônio bibliográfico e documental sergipano, sendo referência para pesquisadores, estudantes e para toda a sociedade. Trata-se de uma instituição essencial para a formação cultural e educacional de Sergipe, que vai além da guarda de livros e documentos, contribuindo diretamente para a preservação da memória e fortalecimento da identidade cultural do Estado”, afirmou.
A programação contou, também, com a palestra “Sílvio Romero, Epiphanio Dória e as lições para o nosso tempo”, ministrada pelo professor doutor Wagner Gonzaga Lemos, que destacou a contribuição intelectual dos homenageados para a formação cultural de Sergipe e do Brasil. “Sílvio Romero, Epiphanio Dória e Jackson da Silva Lima permanecem como referências intelectuais que ajudam a compreender a formação cultural de Sergipe e do Brasil. São nomes que nos inspiram a valorizar o pensamento crítico, a produção do conhecimento e a riqueza da cultura brasileira. Em um tempo marcado pela circulação de desinformação e pelo enfraquecimento de referências culturais, suas trajetórias reafirmam a importância do estudo, da pesquisa e do compromisso com a educação”, ressaltou.
Wagner Lemos enfatizou, ainda, a permanência do livro impresso como símbolo de preservação cultural e o papel das bibliotecas na difusão do conhecimento. “O livro impresso continua a ser um símbolo de permanência e preservação cultural. Da mesma forma, as bibliotecas seguem desempenhando um papel fundamental na formação de leitores, no acesso ao conhecimento e na valorização da cultura”, concluiu.
Em sua palestra “Muito além de guardar livros: a BPED como espaço de transformação histórico-cultural”, o Prof. Dr. Luiz Antônio Pinto Cruz conduziu o público por uma viagem pelos 178 anos de história da Biblioteca Pública Epiphanio Dória, revisitando desde a atual sede da instituição, inaugurada em 1974, até suas origens em São Cristóvão. “Para além de um depósito de livros, entendemos a biblioteca como um organismo vivo e um ambiente de informação. Os setores da biblioteca são como os retalhos de uma colcha, com servidores, públicos, formatos, cores e materiais diferentes. Sob a liderança da diretora Juciene, esses retalhos de experiências vão se costurando uns aos outros e, assim, nossa colcha sergipana, colorida, diversa e rica, vai ganhando forma ao longo destes 178 anos”, finalizou.
Encerrando as atividades da manhã, foi aberta a exposição intitulada “De Sílvio Romero para sua gente”, com curadoria do professor Wagner Gonzaga Lemos. A mostra, que fica em exibição até o dia 16 de julho, reúne documentos, registros históricos e referências culturais relacionados às trajetórias dos homenageados, evidenciando a importância da preservação documental para a construção da memória coletiva.
As comemorações alusivas aos 178 anos da Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória continuaram na quarta-feira, 17, com a realização da Feira de Troca e Doação de Livros e da atividade “A Voz dos Livros: leitura e comunhão na palavra literária”, reforçando o compromisso da instituição com o incentivo à leitura e à valorização do patrimônio intelectual sergipano.
Fotos: Assessoria BPED










