Vencedores do Educkathon iniciam imersão internacional com aulas de inglês voltadas à tecnologia, atividades pedagógicas e preparação para visitas ao Vale do Silício
Por: André Domingos (estagiário)
Em São Francisco, na Califórnia, os estudantes que participam do Programa Sergipe no Mundo, cumprindo o eixo tecnológico após o sucesso no Educkathon, completaram a primeira semana de imersão com um misto de aulas de inglês, visitas tecnológicas e experiências culturais na região mundialmente conhecida por ser um dos principais polos de inovação. Após o desembarque, no dia 12 de setembro, os alunos passaram por um processo de adaptação e familiarização com a região.
Hospedado na Dominican University of California, o grupo de oito jovens cumpriu uma rotina de aulas de inglês, com enfoque no vocabulário relacionado ao ramo tecnológico, para que, assim, possa compreender melhor as palestras, acompanhar as visitas programadas e ampliar a interação com profissionais da área.
Na primeira semana, o grupo participou do Seminário sobre Carreiras em Inovação e Tecnologia, realizado na Barowsky School of Business, que serviu para discutir e identificar as características profissionais necessárias para o setor de tecnologia e compreender o perfil daqueles que pretendem seguir carreira no ramo.
De acordo com o fiscal da Secretaria de Estado da Educação, Everton Pereira Santos, responsável pelo acompanhamento do grupo em São Francisco, a convivência dentro de um ambiente universitário faz parte do próprio processo de formação. “Eles não vieram apenas para conhecer empresas de tecnologia. Estar inseridos em uma universidade, conviver com estudantes e professores, participar de palestras e discutir possibilidades de carreira também faz parte dessa imersão. A palestra sobre carreiras foi especialmente importante porque mostrou que trabalhar com tecnologia exige conhecimento técnico, mas também comunicação, criatividade, capacidade de resolver problemas e de trabalhar com outras pessoas”, disse.
Para a estudante Isabella Sá, a primeira semana foi marcada por descobertas, desafios e oportunidades de colocar em prática conhecimentos adquiridos antes da viagem. O contato direto com a língua inglesa e com uma cultura diferente também contribuiu para que ela desenvolvesse mais segurança para se comunicar. “A minha primeira semana aqui nos Estados Unidos foi cheia de desafios e choques culturais, um verdadeiro mar de descobertas. De primeira, já tive que praticar meu inglês, e isso me ajudou a perder a vergonha e começar a me jogar nessa aventura”, relatou.
A estudante também destacou a oportunidade de conhecer alguns dos principais pontos turísticos de São Francisco, como a Golden Gate Bridge, o Exploratorium e o Pier 39. Segundo Isabella, a programação incluiu ainda visitas a lojas e brechós e uma palestra sobre as características buscadas pelas grandes empresas de tecnologia em seus profissionais. “Sobre nossa rotina, estudamos pela manhã e, à tarde, temos passeios direcionados para nosso eixo. À noite, descansamos e exploramos o campus. As aulas são direcionadas por níveis e, a partir do teste que fizemos, fomos encaminhados para as classes”, explicou.
A experiência também proporcionou aos jovens o contato com diferenças culturais presentes no cotidiano. Isabella conta que até a pontualidade chamou sua atenção. “Uma das minhas maiores dificuldades foi a pontualidade extrema que os nativos têm. Atrasos não são um costume aqui”, observou.
São Francisco como espaço de aprendizagem
Professores e fiscais não são meros espectadores; eles também auxiliam os estudantes nas tarefas propostas. Além das aulas de inglês, seminários e visitas, os alunos participaram de atividades culturais no parque urbano Salesforce, construído sobre o Salesforce Transit Center, onde receberam a missão de observar e investigar.
Eles se organizaram em pequenos grupos, e cada equipe recebeu a missão de identificar problemas que poderiam ser contornados com recursos tecnológicos, registrar situações que representassem a relação entre natureza e tecnologia e produzir uma “foto-enigma” para desafiar os demais grupos. Essa atividade trouxe à tona as competências trabalhadas no Educkathon e, desta forma, a cidade serviu também como uma extensão da sala de aula.
O Exploratorium, que é um dos espaços de divulgação científica mais renomados de São Francisco, também foi palco de uma das atividades. No museu, que reúne experiências interativas sobre física, comportamento humano e meio ambiente, os alunos receberam a missão pedagógica de produzir pequenos vídeos sobre os fenômenos presentes no local. O material foi convertido em uma produção audiovisual sobre a visita, unindo exploração científica e comunicação.
Ao início da segunda semana, o grupo entra em uma nova etapa da experiência, iniciando uma agenda mais ligada ao ecossistema do Vale do Silício. Aproximam-se, também, atividades previstas em empresas de destaque do setor, como Google, Amazon, Apple, Meta e Microsoft, que atuam em variados segmentos, como inteligência artificial, armazenamento em nuvem, dispositivos, plataformas digitais e desenvolvimento de software.
Internacionalização
O Programa Sergipe no Mundo, idealizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seed), atua na internacionalização da educação básica ao oferecer um intercâmbio totalmente gratuito, com duração de um mês, levando jovens sergipanos da rede pública estadual para diferentes experiências imersivas em outros países.
Com um investimento de R$ 16.480.199,47, o programa contempla 223 intercambistas de 14 a 17 anos de idade. A edição de 2026 trouxe novidades, como a participação de professores e a ampliação da iniciativa com o eixo tecnológico e digital, que se soma ao eixo linguístico. Eles participam de experiências de imersão educacional e cultural em diferentes países e cidades.
No eixo linguístico, os destinos incluem Brighton e Cambridge, na Inglaterra; Waterford e Dublin, na Irlanda; Sevilha e Salamanca, na Espanha; Camberra, na Austrália; Toronto e Vancouver, no Canadá; e Lyon e Lille, na França. Enquanto no eixo tecnológico, os jovens realizam uma imersão em grandes polos mundiais de tecnologia, com destinos como Singapura, Xangai, na China, e o Vale do Silício, nos Estados Unidos. A agenda contempla áreas como programação, robótica, inovação e desenvolvimento de projetos, aproximando os estudantes de ambientes internacionais de produção tecnológica e conhecimento.
Fotos: Ascom Seed

