De Poço Verde, projeto ‘Batidas e cores: celebrando o Hip-Hop e o grafite’, uniu alunos e comunidade escolar com oficinas e atividades criativas
Por Alice Mendonça (estagiária)
A Escola Estadual Antônio Muniz de Souza, de Poço Verde, vinculada à Diretoria Regional de Educação 2 (DRE 2), está entre as 10 escolas que participarão do I° Seminário Educação e Equidade: Caminhos para uma Escola Antirracista, no dia 28 de novembro, em Aracaju. Com o projeto ‘Batidas e cores: celebrando o Hip-Hop e o grafite’, a escola usou a arte para valorizar as culturas de matrizes africanas e indígenas, unindo alunos e comunidade escolar no combate ao racismo.
O 1° Seminário Educação e Equidade é uma iniciativa da Secretaria de Estado da Educação (Seed), por meio do Departamento de Educação (DED) e do Serviço de Educação do Campo e Diversidade (Secad). Ele reúne as 170 unidades escolares que ganharam o Selo Escola Antirracista Professora Maria Beatriz Nascimento, em 2024, e seleciona 10 projetos para serem apresentados no evento. O ‘Selo’ reconhece práticas e ações de resgate às historicidades negras e originárias, como a da Escola Estadual Antônio Muniz de Souza.
O secretário escolar da unidade de ensino, Alan Andrade, destaca que o reconhecimento do ‘Selo’ representa um marco importante para a comunidade escolar, com o destaque do projeto. “Ele confirma o compromisso como instituição nas práticas pedagógicas inclusivas e de equidade, demonstrando que as ações de promoção da diversidade e de combate à discriminação geram resultados concretos. O destaque estimula a continuidade e o aprimoramento das iniciativas antirracistas, inspira outras escolas e amplia a visibilidade das boas práticas”, conclui. Ele também destaca que, graças às ações de equidade e igualdade, a escola se tornará Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Antônio Muniz de Souza.
Projeto
Uma das formas de resgatar e demonstrar a cultura dos povos é por meio da arte, nas suas mais variadas formas. Foi isso o que a unidade de ensino fez, reunindo a criatividade na música, no desenho e no grafite, transformando em resistência. A professora de Língua Portuguesa, Marie Jolly, foi a responsável pelo projeto, que reuniu alunos do Ensino Fundamental II (6°, 7°, 8° e 9° anos), além dos estudantes do Programa Sergipe na Idade Certa (ProSIC), nas 3ª e 4ª fases. O projeto se iniciou no ano passado, durante as aulas de Arte ministradas pela professora Milena Lisboa, que também acompanhou as ações.
A docente Marie Jolly conta que a iniciativa começou em agosto do ano passado, com a colaboração de um artista e pastor, conhecido pela comunidade por meio do grafite. A disciplina que ministra, de Língua Portuguesa, também se uniu às aulas de Arte, trazendo o hip-hop para a sala de aula. “Primeiramente, veio o colega que fazia grafites. Fez um grafite na sala de aula, depois fez outro no pátio, juntamente com os alunos do sétimo ano. A partir daí, ele disse que tinha alguns conhecidos em Salvador, que eram referências nacionais, principalmente com trabalhos para ajudar o povo negro. Depois, a gente começou a fazer as produções do hip-hop, conhecendo o gênero, ouvindo e assistindo a clipes musicais. Foi aí que marcamos um dia para pintar o muro da escola, trazendo como referência a questão da cidade sob o olhar deles”, diz a professora.
A professora de Arte, Milena Lisboa, conta que as oficinas ofertadas pelo pastor e colegas de Salvador contribuíram para espalhar o projeto na escola, que teve ampla adesão dos estudantes, com participação em campeonatos de desenho, hip hop e poesia, além de rodas de conversa com grafiteiros e palestras sobre o grafite. “Além da mistura de cores, o grafite é símbolo de luta e resistência dos que ficam à margem da sociedade. Foi um momento único, no qual os alunos participaram ativamente de todas as atividades, propondo conhecimento à luz do espaço vivido na escola, apresentando possibilidades e como a arte pode contribuir para o desenvolvimento cultural e social de todos”, enfatiza.
Um dos alunos participantes do ‘Batidas e cores’ foi Guilherme Ariel, do 9° ano do Ensino Fundamental. Ele conta que se sentiu satisfeito com o projeto, já que o grafite e o hip hop ajudam a aprender por meio da arte e da criatividade. Guilherme diz que suas atividades favoritas foram as de grafite, as quais o permitiam mostrar suas ideias do seu jeito. “Eu acho que esse projeto ajuda bastante no combate ao racismo, porque mostra a importância da cultura negra e faz a gente entender e respeitar mais as origens e expressões artísticas que vêm desse movimento. Foi algo diferente do normal da escola e deixou as aulas mais interessantes e participativas”, conta.
A escola irá apresentar o seu projeto no I Seminário Educação e Equidade com o lançamento do e-book ‘Práticas Antirracistas no Cotidiano Escolar’, que une 10 projetos selecionados das 170 escolas que estarão presentes.
Fotos | Ascom Seed

