Podcast educativo transforma aulas de História e aproxima estudantes da realidade em São Cristóvão

Projeto ‘À Margem do Rio’ utiliza podcast e atividades práticas para tornar o ensino mais interativo e aproximar alunos da história local

Autora: Bruna de Souza (estagiária)

Um projeto pedagógico inovador tem transformado a forma como os alunos aprendem História no Centro de Excelência Paulo Sarasarte, em São Cristóvão. A iniciativa utiliza o formato de podcast para tornar o ensino mais dinâmico, interativo e próximo da realidade dos estudantes, permitindo que eles “revivam” personagens históricos por meio de encenações e entrevistas.

Idealizado pelo professor Silvério Dantas, o projeto ‘À Margem do Rio’ surgiu com o objetivo de atender à proposta do Estado de inserir tecnologia em sala de aula, ao mesmo tempo em que buscava inovar na metodologia de ensino da disciplina. A ideia foi transformar conteúdos históricos em roteiros de podcast, nos quais os próprios alunos interpretam personagens e participam de entrevistas como se essas figuras estivessem vivas nos dias atuais.

Segundo o professor, a proposta nasceu da necessidade de tornar as aulas mais atrativas e conectadas com o cotidiano dos estudantes. “A ideia foi usar o podcast para dar vida aos personagens históricos. Os alunos criam roteiros, interpretam essas figuras e participam de entrevistas como se estivessem no presente. Assim, a aula se torna mais dinâmica e próxima da realidade deles”, explica. 

Ele destaca ainda que o principal foco do projeto é estimular a interatividade. “O objetivo é fazer com que o aluno se envolva com o conteúdo. Em vez de ver a História como algo distante, ele passa a vivenciar e compreender melhor o que está estudando”, completa.

Cerca de 40 alunos já participaram da iniciativa, atuando não apenas como personagens, mas também em funções de bastidores, como roteiro, gravação, iluminação e organização. Entre as figuras históricas trabalhadas estão João Bebe Água, Irmã Dulce, Dom Pedro I, Princesa Isabel, Joana d’Arc e Jorge Amado.

A experiência tem impactado diretamente os estudantes. As alunas Flávia Karoline Santos, Keila Santana e Kaynara Heloise Santos partilham da mesma ideia de que a ferramenta comunicacional trouxe uma nova experiência para o aprendizado. “Foi muito importante porque trouxe a história de uma forma mais palpável para nós, alunos. Eu participei, junto com minha turma, do podcast sobre João Bebe Água. Mesmo morando na cidade, muitas vezes a gente não conhecia a história dele nem entendia a importância da luta para que São Cristóvão não deixasse de ser capital”, afirma, Flávia Karoline.

Ela também destaca a forma como o conteúdo foi trabalhado. “A gente conseguiu aprender de forma simples, leve e muito dinâmica. Era algo inovador, ainda mais porque o podcast estava em alta. Conseguimos trabalhar o conteúdo de maneira lúdica e envolvente”, diz.

Flávia ainda reforça o engajamento dos estudantes. “Quando o assunto é trabalhado dessa forma, os alunos se interessam mais. Todo mundo acaba se envolvendo, participando e aprendendo junto. Foi um projeto essencial aqui na escola”, conclui.

Revista eletrônica

Com o sucesso do podcast, o projeto se expandiu para outras iniciativas, como a criação de uma revista eletrônica voltada à valorização do patrimônio histórico de São Cristóvão. Nessa nova etapa, os alunos passaram a atuar como repórteres, fotógrafos e entrevistadores, explorando a cidade e produzindo conteúdos sobre sua riqueza cultural.

A participação em atividades fora da sala de aula também ampliou a relação dos estudantes com o próprio município. “Antes, a gente não saía para conhecer a história de São Cristóvão. Eu mesma comecei a entender mais sobre a cidade quando passei a estudar aqui. Foi uma experiência nova e muito boa, porque a gente pode interagir não só dentro da escola, mas também fora, conhecendo quem foram essas pessoas e o que elas fizeram”, relata a aluna Weslynne Santos Pereira.

Com a continuidade das ações, os próprios estudantes passaram a assumir o protagonismo na condução dos projetos. A experiência de ir a campo, realizar pesquisas e produzir conteúdo tem sido avaliada de forma positiva. “Está sendo muito legal. É uma experiência ótima, porque a gente interage mais, vai para as ruas, pesquisa e aprende mais sobre a nossa própria história”, completa.

A iniciativa demonstra como o uso da tecnologia, aliado a metodologias criativas e práticas de campo, pode transformar o ensino e tornar o aprendizado mais significativo, participativo e conectado com a realidade dos alunos.

Fotos: Maria Odília

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