Projeto Alma Africana realiza oficina sobre ODS no Centro de Excelência Nelson Mandela

Ação contou com a participação de integrantes do projeto e reforçou a importância dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Por: Alice Mendonça (estagiária)

O Projeto Alma Africana realizou, na manhã desta quarta-feira, 23, uma oficina sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), no Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Nelson Mandela. A oficina discutiu como os ODS, formulados pela Organização das Nações Unidas (ONU), contribuem para a formação de uma sociedade justa e respeitosa entre as diferenças. A ação iniciou-se às 8 horas e seguiu até as 12 horas, com palestra da doutoranda e pesquisadora Maria Izabella Matos Santos, da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

A oficina foi intitulada de “Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como atitude para o erguimento de um mundo outro: a preservação das vidas em nossas mãos”. Durante a oficina, estiveram presentes estudantes que compõem o projeto. De acordo com o coordenador do Alma Africana e professor do “Nelson Mandela”, Evanilson França, a oficina busca fortalecer as relações existentes entre o projeto e os ODS da ONU. O coordenador explica que o Alma Africana tem mais proximidade com quatro entre os 18 ODS estabelecidos: o ODS 4 (Educação de Qualidade), o ODS 5 (Igualdade de Gênero), o ODS 10 (Redução das Desigualdades) e o ODS 18 (Igualdade Técnico-Racial – este sugerido pelo Governo grasileiro).
“Se você observar o subtítulo da atividade, vai encontrar a expressão “erguimento de um mundo outro”. E é exatamente isso que une o Alma Africana aos ODS. O mundo que nós temos hoje é machista, misógino, LGBTfóbico, racista, etarista, excludente. Ele é, numa palavra, violento. E essas características estão presentes em todas as instituições, em maior ou menor grau. Por isso, o Alma Africana abraçou os 18 ODS. A gente precisa olhar para o outro, que é diferente de nós, com amorosidade, acolhimento e cuidado. Há um princípio do Ubuntu, que é mais ou menos assim: a negação da humanidade do outro é a negação da própria humanidade”, explica o coordenador Evanilson.

Na oficina, a palestrante e doutoranda Maria Izabella Matos explicou sobre os ODS e a importância da Agenda 2030, que engloba esses Objetivos. Esta agenda, criada em 2015, tem metas a serem realizadas em colaboração com os países que integram a ONU e demais colaboradores do mundo inteiro, como a erradicação da pobreza e da fome, além da preservação ambiental e da promoção da paz.

Os estudantes realizaram leituras críticas do ambiente escolar e da sua comunidade, mapeando problemas e criando propostas de resolução, seguindo os ODS presentes na Agenda Global. “A Agenda 2030, nessa perspectiva, é um caminho outro de fazer pensar as nossas ações e atitudes para o bem viver com o outro e o meio” , destacou a palestrante. Ela é defensora e atuante em Sergipe do Global Schools Program, pertencente à ONU.

A relação entre o Alma Africana, o “Nelson Mandela” e os ODS vai além da oficina desta quarta. A unidade escolar, que abriga o projeto, é a única do Nordeste a ter dois Selos ODS Educação, um certificado nacional emitido pelo Instituto Selo Social, que faz parte da Agenda 2030 da ONU. Sobre a escola ter dois Selos ODS Educação, o coordenador do Alma Africana, Evanilson, destaca que o sentimento é de felicidade. “Nós estamos fazendo alguma coisa que uma instituição que trabalha em parceria com a Organização das Nações Unidas olha e vê: “Esse é um trabalho que merece estar entre as atitudes, porque são atitudes, capazes de transformar a humanidade”. Isso nos felicita, isso alimenta nosso sonho. Abre portas, porque parceiros vão percebendo que nós temos um trabalho respeitado”, comenta. Ele reforça a importância de que demais instituições de ensino também busquem praticar os ODS para o alcance de um mundo melhor e mais justo.

Alma Africana

O Alma Africana existe desde 2005 e faz parte da Rede Pública Estadual de Educação, com 13 ações estratégicas que educam e formam públicos das mais diversas faixas etárias (crianças e jovens das salas de aula, docentes e sociedade civil). Iniciado no Colégio Estadual Prof. Benedito Oliveira, de Aracaju, o projeto está, atualmente, no Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Nelson Mandela, também na capital.

Entre as ações desenvolvidas pelo Alma Africana, está a escrita de livros, produzidos por integrantes do projeto, que envolvem a comunidade escolar do “Nelson Mandela” e demais participantes. Além disso, também são realizadas visitas em comunidades quilombolas, sendo, somente neste ano, 12 encontros, cada um em uma comunidade diferente. O Alma Africana também conta com um grupo de teatro, o “Parlacênicos”, que realiza peças contando a resistência das pessoas negras e a luta por respeito, com histórias voltadas ao antirracismo. O projeto alcançou proporções para além das dependências da escola, tornando-se projeto de extensão da UFS, e tem relevância nacional com os dois Selos ODS Educação.

Fotos: Ascom Seed

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