Integrantes do projeto EcoVida e Vozes Cidadãs, do Colégio Estadual Professor José Carlos de Sousa, participaram de oficinas, visitas técnicas e práticas pedagógicas voltadas à sustentabilidade, à cidadania e à educação inclusiva
Por Michele Becker
Estudantes do Colégio Estadual Professor José Carlos de Sousa (CEPJCS), em Aracaju, participaram, entre os dias 13 e 17 de outubro, de uma imersão socioambiental e inclusiva em Balneário Camboriú (SC). Os integrantes do projeto EcoVida e Vozes Cidadãs, coordenados pelas professoras Christianne Santos e Patrícia Moraes, vivenciaram atividades educativas, visitas técnicas e intercâmbios de experiências com instituições locais, ampliando conhecimentos sobre sustentabilidade, educação ambiental e práticas pedagógicas inclusivas.
A viagem integrou a programação do Movimento Ecoinclusivo: uma imersão plural para alunos e professores, promovido pelo Programa Terra Limpa, das secretarias da Educação e do Meio Ambiente de Balneário Camboriú. Durante a programação, os estudantes conheceram iniciativas de preservação ambiental, gestão de resíduos sólidos, valorização da biodiversidade e atendimento a pessoas neurodivergentes, além de compartilharem os resultados das ações desenvolvidas no colégio sergipano.
Entre as atividades realizadas esteve a visita técnica ao Parque Natural Raimundo Malta, onde os participantes conheceram o núcleo de fitoterapia e tratamento. Os estudantes também apresentaram os resultados obtidos com a composteira implantada no CEPJCS em um centro educacional do município catarinense, promovendo o intercâmbio de experiências sobre práticas sustentáveis no ambiente escolar.
A programação incluiu, ainda, uma vivência no Centro de Valorização de Material (CVM), para conhecer as etapas de manejo e reciclagem de resíduos, e uma atividade no Rancho de Pescaria, que proporcionou contato com a vida marinha. Na área da educação inclusiva, a visita à Casa do Autista e ao complexo neurossensorial de referência na região ampliou as possibilidades de diálogo sobre acolhimento, acessibilidade e estratégias de aprendizagem para estudantes neurodivergentes.
Para o estudante Miguel Gois, da 3ª série do Ensino Médio, a experiência demonstrou a importância de aprender para além dos espaços tradicionais de ensino. “Essa troca de experiências pedagógicas durante uma viagem nos ensina que a educação ultrapassa os muros da escola”, destacou.
A professora Christianne Santos ressaltou que o intercâmbio contribuiu para ampliar perspectivas e fortalecer o compromisso com uma educação que articula sustentabilidade, cidadania e inclusão. “Cada encontro, cada vivência e cada conhecimento compartilhado ampliam o olhar e renovam a esperança de uma educação mais sustentável, cidadã, inclusiva e transformadora. Voltamos não apenas com novas ideias, mas também com o coração cheio de inspiração e a certeza de que, quando compartilhamos saberes, multiplicamos possibilidades e construímos novos caminhos para a aprendizagem”, afirmou.
A educadora também enfatizou a importância de rever e transformar as práticas pedagógicas a partir das experiências compartilhadas. “Educar é também aprender com o outro, e transformar vidas começa quando temos a coragem de transformar nossas próprias práticas”, completou.
Sustentabilidade e inclusão no cotidiano escolar
A participação no Movimento Ecoinclusivo fortalece o trabalho desenvolvido pelo EcoVida e Vozes Cidadãs, projeto apoiado pela Secretaria de Estado da Educação (Seed), por meio do Programa de Transferência de Recursos Financeiros Diretamente às Escolas Públicas Estaduais (Profin), no eixo Projetos.
No CEPJCS, as iniciativas articulam educação ambiental, gestão de resíduos sólidos e atendimento educacional especializado (AEE). Uma das ações é o aproveitamento dos resíduos orgânicos da cozinha escolar para a produção de composto por meio da compostagem, prática que contribui para reduzir o descarte de materiais e estimular a responsabilidade ambiental entre os estudantes.
Outra frente de trabalho é o desenvolvimento do primeiro jardim neurossensorial da escola, integrado a uma horta medicinal. A proposta surgiu diante do aumento do número de estudantes neurodivergentes matriculados na unidade e busca ampliar os espaços de acolhimento, aprendizagem e convivência, valorizando as diferentes formas de perceber e interagir com o mundo.
O jardim sensorial é um ambiente planejado para estimular os cinco sentidos humanos (visão, audição, olfato, paladar e tato) por meio do contato com a natureza. No contexto escolar, o espaço funciona como uma sala de aula ao ar livre, na qual cores, aromas, texturas, sons e sabores podem favorecer a curiosidade, a autonomia, a interação e a consciência ambiental. A horta medicinal amplia essa experiência ao aproximar os estudantes dos conhecimentos sobre plantas e seus usos tradicionais.
Ampliação do atendimento a estudantes neurodivergentes
O crescimento do número de matrículas de estudantes neurodivergentes tem impulsionado novas iniciativas de inclusão no Colégio Estadual Professor José Carlos de Sousa. Em 2025, a unidade registrou cinco alunos com laudos do Centro de Referência em Educação Especial de Sergipe (Creese). Em 2026, esse número chegou a 40 estudantes, ampliando a demanda por estratégias pedagógicas e ambientes que considerem diferentes necessidades de aprendizagem.
Nesse cenário, o fortalecimento do atendimento educacional especializado, as ações de educação ambiental e a implantação do jardim neurossensorial integram uma proposta que busca tornar o cotidiano escolar mais acessível, acolhedor e participativo, enquanto a experiência em Santa Catarina acrescenta novas referências a esse trabalho, ao possibilitar que estudantes e professoras conheçam outras iniciativas, compartilhem práticas já desenvolvidas em Sergipe e identifiquem possibilidades de aprimoramento das ações da escola.
Fotos: Ascom Seed








